No uber

O motorista do Uber tinha o físico do rolo do Jorge Aragão. Aí lembrei de dar a boa notícia pra Djubs:

– Fifi, o Jorge Aragão saiu da UTI e já está em casa!

Ela respondeu um “Que bom” sem entusiasmo”. E completou:

– Ele já tá bem velhinho, né? Já fala daquele jeito devagar…

– Não, filha…ele não é novo, mas também não tá assim.

Já comecei a vislumbrar a borda do Abismo entre Gerações, ao redor da qual passeamos com frequência e alegria.

– Cê sabe de quem eu tô falando, né?

– Ué, mãe, do Didi!

Comecei a explicar quem era o sambista e então cai na gargalhada ao perceber que ela confundiu Jorge com Renato Aragão. O motorista não segurou a risada e entrou na conversa:

– A senhora desculpa eu me meter …

E esclareceu pra xóven, com uma pontinha de orgulho:

– O Jorge Aragão parece comigo.

Jorge Aragão está internado na UTI com covid-19
Jorge Aragão tem alta de hospital após 12 dias internado por complicações da Covid-19

Helê

Radfilha

Dia desses a gente conversava antes de dormir sobre religião, Deus e quetais – a pessoa, agora nem tão pequena, adora fazer questionamentos teológicos – e aí eu contei que quando ela era pequena dizia “Em nome do pai, da mãe, do filho, do Espírito Santo, Amém”. Ela riu muito, para completar depois, entre brincalhona e séria: “Se fosse hoje eu ia dizer “Em nome do pai, da mãe, da filha, do filho, do Espírito Santo e Santa, Amém”. Quer dizer.

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Helê

Juju & Brown

brown

Já contei aqui que a cria alterna momentos de surpreendente maturidade com outros da mais absoluta ingenuidade infantil. Esta semana aconteceu de novo, na mesma conversa.

Estava eu zapeando pela tv quando me deparo com o interessante documentário “A noite em que James Brown salvou Boston“.  A dimenor dá uma olhada e vê Mr. Dynamite cantando “It’s a man’s world’ – canção que ela conheceu interpretada por uma adolescente grávida, num episódio de Glee.  Admirada, ela aprova, do alto dos seus 10 anos: “Puxa, ele é homem e está cantando ‘It’s man’s world? Que exemplo, heim!”

***

lindaCorta. Cenas de saques, incêndios, prisões. Djubs quer entender o porquê de tudo aquilo; digo que as pessoas se revoltaram com o assassinato de Martin Luther King. Explico em linha gerais quem foi ele, porque a pequena pessoa estava achando muita confusão para a morte de uma única pessoa – mesmo sendo horrível qualquer pessoa morrer, bien entendu. Quando enfim compreende a importância do reverendo, imediatamente pergunta: “Foi por causa dele que criaram o Burger King”?

Helê

(Ilustra de James  via Pinterest;

fota do  thebrownbutter.tumblr.com)

AgeJu Notícias

– Mãe, aquele cara estava na tevê (ministro Joaquim Barbosa). Ele tá participando de um julgamento, um negócio lá… e falou que tinha 8 rés. Por que, mamãe? Eu já estudei isso, já teve cruzeiro, cruzado, réis… agora de novo, 8 réis?!

– Não, filha, é o plural de réu.

– Ah, tá. E disse que ele ia dar um voto… como é?…Picadinho?

– Não, filha, é voto fatiado. Mas esse não pergunta que nem eu sei o que é!

**

– Mãe, você viu nas Olimpíadas que o vôlei perdeu?

– Vi, Fifi. Mas acontece, eles são ótimos mesmo assim.

– É, mas só nós ganhamos, mamãe (Ela me olha satisfeita, cúmplice. Eu não entendo, e então ela completa). Só nós, as mulheres, ganhamos o ouro, mãe.

(Repinado de Keeping it natural)

Helê

Lógica infantil

Eu e a pequena vendo TV. No programa – The Voice, um show de jurados atualizado – o cantor/jurado elogia a apresentação de um dos concorrentes fazendo graça: “Eu quase joguei minha calcinha no palco!”. Dou uma gargalhada, mas filhote pede explicação.

– Filha, às vezes acontece, tem moças que ficam tão, tão animadas com o artista, são tão loucas por eles que jogam a calcinha no palco.

– Mas elas levam uma de reserva?!

***

– Filha, eu tava vendo um programa de tevê, sobre um arquipélago… você sabe o que é um arquipélago?

– Sei, mãe, é um conjunto de ilhas! Um coletivo.

– Muito bem filha! Então, filha, esse arquipélago, chama-se Sheychelles…

– São seis ilhas, mãe?

Helê

 

 

 

(De queennubian.tumblr.com)

Explicando

Dito pela menina que, saindo de uma semana adoecida, volta com energia acumulada e fala em muitas rotações por minuto:

– Mamãe, hoje vai ter casamento de espanhol ou de viúva. E arco-íris. Mãe, “sol e chuva: casamento de viúva” tá certo, porque a viúva tá triste, né, que o marido dela morreu, daí a chuva; e vai casar, fica feliz: sol, claro. Agora, “chuva e sol: casamento de espanhol” é só pra rimar mesmo. 

Entendeu?

(foto do tumbrl Naturally me)

Helê

Novos paradigmas ou Tempos muito modernos

– Filha, hoje é dia da árvore, sabia?

– Sério, mãe? Então por que o Google não botou nada naquela página dele?!

#tag: julices

(You glow girl!)

Helê

Raça & gênero

Aconteceu há alguns meses, mas acho que ainda vale ser contado: foi em janeiro, no dia da posse do Obama. Eu queria assitir, claro; a cria, do alto de seus seis anos, claro que não. Ficamos negociando a tevê, eu correndo para o canal jornalístico entre um desenho animado e outro, e ela achando muito chato aquilo. Aí eu fui tentar explicar porque eu estava tão interessada.  O que, vocês têm que convir, não era propriamente fácil de fazer sem ficar tudo ainda mais chato. Eu comecei dizendo que eu gostava dele, torci por ele na eleição, e que o presidente antigo era muito ruim. Acrescentei também que era o primeiro presidente negro daquele país – nada que justificasse a interrupção dos desenhos, era o que ela parecia pensar. Pra ilustrar, peguei a charge que estava no meu painel e mostrei pra ela. 

Foi quando a fichinha caiu e ela fez uma cara muito espantada, perguntando: 

– Mas só esse preto, mãe?!

Pra logo em seguida questionar:

– E mulher, não teve nenhuma até agora?!

Helê

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