Quinceañera

Hoje comemoramos nosso casamento mais duradouro, faz aniversário nosso filho caçula: este blogue que você lê agora. Completa quinze anos, a despeito da anunciada morte (e do propagado retorno) dos blogs, nós resistimos. Às tretas digitais, às transformações cibernéticas, às intempéries políticas, aos outros casamentos, às preocupações com os outros filhos, aos entusiasmos passageiros, às desilusões inevitáveis, nós resistimos. Nós permanecemos, we stand. E muito antes de ser um gesto necessário, político e solidário, nós, desde 2004, não soltamos a mão uma da outra. Não solte a nossa.

Obrigada e parabéns para todas e todos nós! Viva!

Duas Fridas

Monix Day – edição 2019

É hoje, gente!

Dia de afofar nossa mais recente mestra, nossa querida Hermione que também atende por Aria Stark, e é só charme discreto e sorriso nesse flagrante obtido por um dos muitos paparazzi que nos perseguem, hahahaha! Mandem comentários, felicitações, presentes, elogios, fofices – nudes não, que a moça é comprometidíssima.

Queridona, vou pegar todos os desejos dos últimos Monix day e dobrar a meta, combinado? Seja feliz sem moderação.

Amo você,

Helê

Breviário Dufas

Somos, como se sabe,  duas senhoras. Juntas, somamos quase cem anos… de conexão. Tão senhoras que usamos a palavra breviário (!). Em quase 15 anos de blogagem,  cunhamos algumas máximas (e outras tantas mínimas). Aceitamos contribuições que nós porventura tenhamos esquecido:

  • Antes tarde do que mais tarde ainda.
  • calabocajámorreuquemmandanomeubloguesoueu.
  • Não me peça de graça a única coisa pela qual eu posso cobrar.
  • Escrever, essa arte de fazer pessoas e influenciar amigos. Ou vice versa.
  • Não se amplia a voz dos imbecis.
  • Servimos melhor para servir sempre. 
  • Coerência: não trabalhamos.

Las Dos Fridas

Eterno retorno

2019, gente. E ainda tem homem que não sai com mulher que tem filho? Sério?! Que desânimo, viu. Aí a gente entende porque chegamos nesse ponto e elegemos isso que taí…

Foi Lord Cláudio Luiz quem nos pautou, mostrando matéria publicada no Uol sobre gente que não sai com quem tem filhos. Eles tentaram falar assim, nesses termos igualitários, mas desde o título o enfoque recai sobre quem? Claro, as mulheres sendo preteridas por terem filhos e “como encarar melhor essa rejeição que é bem comum…” Será que a gente não faria melhor desencorajando essa rejeição? Ou tentando saber se o inverso acontece, se os homens também são preteridos por serem pais? Não seria melhor falar sobre isso que publicar notícia que naturaliza preconceitos? (Na minha [estéril] experiência em aplicativos de paquera, com frequência os homens posam com filhos ou sobrinhos, parece que ‘pega bem’ no mercado amoroso. Mas suspeito que o mesmo não se dá nos perfis femininos, digam aí os rapazes usuários desses apps )

Depois que até o papa ensinou o óbvio, que “mãe não é estado civil”, achei que a nossa campanha poderia ser arquivada para sempre, mas pelo jeito não. Foi no longínquo 2005 – portanto, fucking catorze anos atrás! -, que aderimos à campanha “Namore uma mãe solteira”, que tinha, claro, algo de humor e muito de verdade (e sabe-se, à boca pequena, que funcionou bem para umas e outras…). No universo paralelo que ora vivemos, onde quanto mais se caminha menos se avança, retiramos do baú as razões pelas quais namorar uma mulher com filho(s) é muito interessante:

Campanha Namore uma Mãe Solteira

1) Nós não temos pressa de casar, porque já temos filho
2) Nós não temos pressa de ter filho, porque já temos filho
3) Nós não temos tempo de grudar no seu pé, porque já temos filho
4) Se você quiser ter um filho, tudo bem, porque já temos filho
5) Se você não quiser ter filho, tudo bem também, porque nós já temos filho

Helê

Desejos

A gente é antiga e continua blogando, quando na verdade as coisas não acontecem mais nem no Facebook. O WhatsApp é a nova pracinha digital – o que me faz pensar numa analogia com uma praça de verdade, bem movimentada, tipo a Praça Saens Peña, que tem até metrô, muito comércio, malucos de todos os tipos, etc (esse é o Facebook) e uma pracinha do condomínio, fechada por grades e frequentada só por quem conhece algum morador, porém cheia de bullies e gente sem-noção (esse é o WhatsApp). But I digress.

O que eu queria dizer é que nosotras fazemos parte de um grupo muito alto nível no WhatsApp, só com os poucos e bons. Nosso grupo não é uma pracinha de condomínio, mas uma calçada de vila, daquelas em que as vizinhas de longa data comentam sobre as coisas do dia enquanto jogam baldes de água ou esguicham a mangueira e esperam as crianças voltarem da escola.

E foi lá nesse grupo que eu busquei inspiração para lançar um esguicho de desejos de felicidade e coisas boas para mi sócia.

Nosotras

Essa foto está na minha parede (somos do tempo em que se imprimiam fotos…)

Que os 15 meses que faltam para terminar o ano você consiga fazer muita coisa feliz. Inclusive nós! Que abundem sorrisos, gols do Flamengo (esse desejo eu transmito sob protesto), Idris e Haddad. Que haja mais tranquilidade na sua vida. Que a mansão seja sempre habitada (entendedores entenderão). Que nunca falte purpurina nem bom humor, viagens pra descobrir o mundo, as melhores companhias, saúde e grana pra desfrutar tudo isso. Que seu ano seja doce como a festa de Cosme e Damião, que você nunca perca a capacidade de ver as coisas com seu humor peculiar, que você tenha muitos carnavais pela frente e que suas fantasias se realizem.

Que #elenão! Apenas “Heleninha” (entendedores entenderão 2, a missão)…

Em suma, que sua vida seja uma eterna primavera. E que nós, sempre, façamos parte dela.

-Monix-

 

 

 

 

Eu ♥ leitora

A foto está um pouco desfocada e não faz jus à beleza dessa moça – que é um mulherão da p*rra antes da expressão virar elogio e modinha. Companheira mothern, é das leitoras mais antigas e frequentes do boteco aqui. E ainda por cima sempre deixa pegadas –  para a noooosa alegria! Aí essa semana eu me deparei com essa foto, do nosso único encontro (presencial),  tirada no dia de uma efeméride rara e especialíssima. E me perguntei ‘wtf ainda não postei isso?!’ . Então taí a Simone, para agradecer a leitura fiel e o carinho dela, e para reeditar essa série que eu adoro e espero continuar, com o auxílio luxuoso de vocês . DSC_0735

Helê

Pop Frida

Por que Frida Kahlo virou um ícone contemporâneo, ninguém sabe explicar. Por que ela, por que agora? Como, afinal, nascem os ícones? (Hoje em dia, com memes e gifs, mas não só).

Tem a ver com a internet, parece claro, mas isso é apenas um fator para entender o fenômeno. De algum modo e a partir de certo momento ela virou um símbolo das mulheres, do feminismo, da esquerda, das mulheres feministas de esquerda, do latinamericanismo e outras tantas cositas mais. Razões há várias em sua trajetória, mas a questão é que parece que ninguém tinha notado isso até uns 15 anos atrás.

Diz uma matéria da Folha de S. Paulo que uma pintura dela encalhou na Sotheby’s em 1985 e foi leiloada por 3 milhões de dólares 10 anos depois. Mas uma aumento na cotação no seletivo mercado da arte não parece ter relação com o mundo pop – nem sempre, não necessariamente. E quando me perguntaram outro dia o porquê da recém conquistada popularidade da Madrinha, eu não soube responder.

Os indícios dessa popularização estão aí e vão desde a quantidade de Fridas no carnaval do Rio aos incontáveis produtos que ela estampa – entre eles,  uma controversa versão da Barbie. Frida tá hype, tá pop, como diria o Olodum. Uma versão feminina do Che – dizem aqueles que não resistem a usar um homem para definir uma mulher (como na matéria da Folha). “A inventora da selfie”, disse a acadêmica que fez uma tese que investiga a imagem pós-moderna da pintora – cujo hermético resumo não respondeu minhas indagações (mas pode ser ignorância minha).

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O fato é que a gente entrou de gaiata nessa onda quando ainda era marola, e estabelecemos com ela uma relação de carinho e admiração. Por isso ela foi tema de vários posts, e levou em peregrinação até o MoMA, em ocasiões diferentes, essas duas mulheres que pegaram de empréstimo seu nome e criaram para si novas identidades (e talvez alguns super poderes).

Na verdade, o que faz da Lisa, Mona, e do Che esse símbolo tão replicado que se presta a qualquer coisa, até aos neozistas alemães? Não sei se chegaremos a descobrir um dia. Talvez o grande diferencial para nós é que o ícone Frida Kahlo a gente viu nascer e, muito, muito, muito modestamente, contribuímos para formar.

Frida Helê

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