Valei-me meu São Jorge Guerreiro!

VACINA!

Helê

Cinzas

Passei os dias mais tristes da pandemia neste último fim de semana, num banzo abissal. Uma ausência imperiosa, esmagadora, o silêncio ensurdecedor da rua. Suspirei pelos cantos como quem perdeu um amor. De vez em quando olhava pela janela pra ver se ele por acaso iria voltar. Temi que fosse exagero, mas um amigo, também feito no carnaval como eu, me disse que olhar para suas fantasias era como encontrar peças de roupa do ex esquecidas no armário. E suspiramos juntos, embora separados.

Não se trata propriamente de sentir falta da ilusão, porque pra mim o carnaval é de um realidade inconteste. Também não sinto falta do escapismo, como dizem alguns: eu escapo* o ano todo para que no carnaval eu possa estar e ser, plenamente.

Carnaval de Olinda, 2021. Foto de Ivanildo Machado.

Para atravessar esse feriado, esse deserto de folia, alegria e purpurina, recorri aos amigos, às lembranças e ao colo que Maria Bethânia deu ao Brasil em sua live transmitida no sábado de carnaval. Verdade, vacina, respeito e misericórdia exigiu a rainha, que nos vacinou com beleza e esperança, assegurando que a primavera virá, mesmo que esqueçamos seu nome. Dormi naquela noite aninhada na fé em Bethânia e em suas palavras.

12 de Fevereiro de 2021
O dia em que os nossos tambores não rufaram. Estamos em silêncio, não apenas por causa do carnaval, mas também por todos que perderam as suas vidas para o Covid-19! @OlodumOficial

Os outros intermináveis dias atravessei como foi possível. A minha alegria, que todo ano atravessava o mar e circulava sem âncora pela cidade, virou um refluxo, um travo. Não poder estar com os amigos celebrando o fato singelo e necessário de estar com eles me abateu demais. Ouvi repetidas vezes nesses dias: “Até eu, que não sou de carnaval, estou sentindo…”, o que só comprova a dimensão e potência do carnaval, que atinge mesmo aqueles que não se dão conta disso.

Meu coração ficou em desalinho, como disse Monarco; não fiquei feliz, como Bel Marques declarou. Mas fiquei satisfeita ao perceber que aqueles que amam o carnaval de verdade, que compreendem sua função e importância – mais na pele que intelectualmente -, esses comungaram dessa tristeza coletiva, sem tentativas de burlar a proibição. Porque quem ama o carnaval entende que não adianta uma festa pra mim ou para os meus: ou salvam-se todos ou não há carnaval possível.

Monarco vacinado na Praça da Apoteose no sábado de carnaval

Então vamos nos salvar, gente. Pela arte, pela fé, pela militância, pelo amor, como for possível. Salvemo-nos todos, bravamente; vamos nos manter vivos, a mais desafiadora e eficiente forma de resistência. Estaremos aqui quando o carnaval chegar – porque ele, assim como a primavera, também voltará.

Helê

*Ao falar sobre escapar a Rádio Cabeça começou a tocar “Feliz por um triz”, de Gil:
“Mal escapo à fome
Mal escapo aos tiros
Mal escapo aos homens
Mal escapo ao vírus
Passam raspando
Tirando até meu verniz”

 

 

Notas sobre um carnaval teórico

Você sabem que eu não sou a pessoa mais animada do bloco quando chega o carnaval.

Mas sou uma carnavalesca teórica. Acho essa festa a coisa mais potente que nosso povo já criou. Adoro a ideia de carnaval, embora não a ponto de ir. (Quer dizer, às vezes eu até vou.)

Um registro meio tremido de uma vez que fui…
… e vários outros direto do baú da Helê, minha guardiã da folia.

***

Nos últimos anos tenho me sentido cada vez mais exilada no meu próprio país. Não sei se o povo brasileiro se transformou em alguma coisa horrível com a qual não me identifico, ou se ele sempre foi isso aí mesmo e a elite intelectual à qual pertencemos criou uma fantasia sofisticada de Brasil na qual acreditamos. Só sei que tem sido difícil me sentir parte dessa nacionalidade. Mas o carnaval sempre me lembrava que sou sim brasileira, que tem algo no Brasil-que-toca-bateria que também reverbera aqui dentro.

***

Eu adoro os blocos, mas tenho um carinho especial pelo desfile da Sapucaí. Acho aquilo um espetáculo extraordinário, sem igual no mundo.

Ver o vídeo da Alcione cantando sozinha na avenida me derrubou. Mesmo sabendo que é propaganda pra vender mais cerveja, não importa. Chorei demais quando me dei conta do tamanho dessa ausência, desse silêncio forçado que na verdade já começou mas que vai ser mais palpável a partir de hoje.

***

Sei que a Helê está sofrendo, nossa Frida carnavalesca de coração, corpo e alma. Ela e outras amigas queridas que vivem o carnaval intensamente. Fico pensando que se eu estou nesse estado de espírito, elas não devem nem conseguir colocar em palavras o que significa um ano sem folia. Talvez isso explique porque é que a Frida menos animada foi quem conseguiu escrever sobre isso.

***

Hoje eu assisti uma live da prefeitura do Rio sobre os números da Covid na cidade. Em determinado momento o prefeito pediu para dar um recado (ele queria dizer que estão fiscalizando bailes e festas não autorizadas e que não pode ter aglomeração de nenhum tipo). A gente sabe que Dudu é do balacobaco, que ama carnaval, provavelmente tanto quanto minhas amigas foliãs. Ele começou dizendo mais ou menos o seguinte: “é um ano difícil pra quem gosta de carnaval. Imaginem para mim, que passei quatro anos esperando para dar a chave da cidade ao Rei Momo… O sujeito que veio antes de mim fez tudo pra acabar com o carnaval, e logo no meu primeiro ano, tive que cancelar a festa.”

Se tá ruim pro Dudu, se tá ruim pra Helê, tá ruim pra todos nós. Dá vontade de sair por aí implorando a todo mundo: pelo amor de Dadá, faça esse sacrifício valer a pena, fica em casa e se cuida. Bora curtir esse (espero que) único carnaval teórico de verdade, para que no ano que vem a gente possa se acabar de alegria. Quem sabe até eu me junto à empolgação? Vai ser histórico.

-Monix-

Notas sobre o réveillon de Copacabana

Estou chegando de uma rápida caminhada de reconhecimento pela Atlântica, na altura do Copacabana Palace. Pouca gente na rua. Nem todos de máscara. Bastante policiamento. A chuva forte que caiu deve ter contribuído pra deixar o pessoal em casa. Muitas vagas disponíveis, uma visão inédita. O metrô fechou às oito em ponto. Quiosques e restaurantes funcionando discretamente, com pouca gente, sem música nem nada, todo mundo sentado em mesas separadas. Tinha gente entrando e saindo de prédios com travessas de comida na mão, esperando Uber na calçada… Acho que as festas em casa vão ser o maior problema. Mas aglomeração na rua não creio que tenha mesmo não.

Escrevi esse textinho ontem, antes da meia-noite. Já passei muitas viradas de ano em Copacabana e dessa vez me senti bastante dividida entre a intenção de me manter dentro de casa respeitando o isolamento social (estou temendo muito pelo janeiro que enfrentaremos) e a curiosidade de ver esse bairro, conhecido internacionalmente pelos réveillons lotados, nesse momento excepcional. Acabei chegando a esse meio-termo possível: uma caminhada de reconhecimento, para ver uma inédita Copacabana semi-deserta, algumas horas antes da virada. E depois a ceia em casa, ao som da live de Natal do Caetano.

***

Um pouco mais cedo, ainda à tarde, conversava por telefone com um amigo que cresceu no Leme. Ele, com sua memória extraordinária, contou que se lembra das viradas de ano de antes das queimas de fogos: depois da meia-noite ia até a praia com os pais, a mãe jogava flores ao mar, ele via grupos de pessoas fazendo suas homenagens para Iemanjá. Até que em 1980 o hotel que na época se chamava Méridien (hoje Hilton) estourou uma cascata de fogos de artifício às duas da manhã. No ano seguinte, a atração passou a acontecer à meia-noite. Outros hotéis também faziam suas próprias queimas de fogos. Foi só nos anos 1990 que a prefeitura centralizou o espetáculo pirotécnico — àquela altura, o número de pessoas que comparecia à festa já beirava o milhão.

Imagem
A cascata do Méridien, em 1982
(fonte: Rio Antigo no Twitter)

***

Na passagem do ano 2000 para 2001 eu fui a Copacabana para saudar o novo milênio (tá, eu sei que oficialmente começou no ano seguinte, me deixem). Um ano depois eu estava em um trabalho temporário, cobrindo férias na sucursal carioca do SBT. Comecei no dia 1º de janeiro de 2001 às sete da manhã. Ao chegar lá, a primeira matéria que precisei editar foi sobre o acidente acontecido na festa de Copacabana: a queima de fogos oficial (promovida pela prefeitura) era disparada da areia. Por conta dessa tragédia, desde então o show pirotécnico acontece em balsas no mar. Nunca mais o impacto visual foi o mesmo, mas é claro que a segurança é mais importante que a pirotecnia.

***

Eu amo fogos de artifício. Adoro a festa popular que acontece todos os anos nas areias de Copacabana. Sei que para os animais da região o estrondo é ruim. Que para os idosos o barulho e o tumulto são um problema. Que para os moradores do bairro é uma loucura ficar quase 24 horas com seu direito de ir e vir muito comprometido — os acessos ao bairro ficam fechados, as vagas de calçada são um sonho impossível, o metrô funciona em regime especial, os ônibus idem. Ontem deve ter sido um dia bom para quem sofre com a maior festa de rua da cidade. Eu confesso que senti falta da mega aglomeração. Só resta esperar a vacina e a volta dos abraços, das multidões, das ruas lotadas em Copacabana na virada do ano.

-Monix-

Pastilhas* eleitorais

O mais legal dessa eleição pra mim foi voltar a votar numa escola. Passei as últimas eleições todas votando num banco. Eu ficava muito incomodada porque, né, eu sou da geração que voltou a votar pra presidente da república depois da ditadura, festa da democracia, tanani tananã. Votar no Itaú era o maior anti-clímax, o Capetalismo parecia que tava rindo de mim escondido atrás do caixa.

***

Votar em banco: mó caído, como diria minha filha. Que votou comigo ainda na barriga, em 2002 – vocês sabem em quem (Lulalá!) -, neste mesmo colégio de domingo. Que depois veio a ser o dela, durante vários anos. Fomos lá novamente juntas, como diferentes nostalgias.

***

Por que isso foi o mais legal da eleição? Bom, Rildejanêro, né, mores? Entre a igreja evangélica e a milícia, ou pior, atordoada pela associação entre eles, lá vai a esquerda de novo fazer conta retroativa e considerar que “se tivéssemos nos unidos…” Odeio roteiro repetitivo.

**

E o carma, hein, bitches? Zoaram os ianques até enjoar e nossos resultados atrasaram…duas horas, se muito. O que eu achei impressionante foi a galera às 18h fazendo análise. De boca de urna. Do Datacu. Olha, vôticontá. Por que insistir feito criança birrenta? Ao invés de mandar um “Ó, vamos ali tomar um café e daqui a pouco a gente volta quando tiver o que comentar” – esse é meu sonho de jornalismo. A síndrome da lacração, de dizer logo, primeiro, apressadamente, ainda vai nos levar…ôpa, chegamos lá.

***

Ah, sim, tem as pequenas alegriazinhas: ver o Tarcísio, um professor, o vereador mais votado, com mais votos que o filho do coiso. A eleição de uma expressiva bancada do PSOL, a segunda maior, se não me engano. Eleger uma vereadora negra comprometida – bom mandato, Tainá de Paula! Impossível não pensar : eu espero que, dessa vez, não matem meu voto.

País de maricas: minha terra, minha gente

Helê

*Porque Drops, vocês sabe, só da Fal, primeira e única

Resenha momesca

O carnaval, como se sabe, tem um período flexível, variando de folião pra folião (o calendário oficial só vale para autoridades incompetentes e para os que não gostam mas se locupletam). O meu começou em janeiro quando fui ao Palácio do Samba com P.A. para ela matar as saudades da Verde e Rosa e sair às três da manhã com cara de “Mas já?!”.

 

Outro ponto alto foi minha estreia dançando no Tambores de Olokun, essa embaixada informal de Pernambuco no Rio que rende homenagem aos ancestrais, aos orixás e às nações do Maracatu de Baque Virado do Recife. Uma experiência plural que nem cabe neste post, um começo que parece retorno. “Na beira da praia eu vi que o mar não recuou/ no reino de Yemanjá, estrela do mar é flor“.

 

 

O prêmio de Revelação do carnaval vai para o bloco Terreirada Cearense, para o qual fui achando que seria bom mas foi sensacional. Música da melhor qualidade e um colorido espetáculo que trouxe para a Quinta da Boa Vista minhas raízes nordestinas. O Prêmio Personalidade foi a d. Fofa cujo nome não sei, mas tinha 84 anos e pulou na chuva com a gente na Gamboa, saquinho de confete em punho. Depois do bloco dar a volta no quarteirão, perguntava esperançosa: “Será que vai dar mais uma?”

 

A Imagem do Carnaval já está estabelecido que foi a a Mangueira e Leandro Vieira que nos deram. Mas confesso que me emocionei com Elza Deusa Soares (a quem homenageei no Boitatá) e com o enredo/desfile da Viradouro – o campeonato ficou em boas mãos.

Beth Carvalho foi uma ausência sentida, seja no desfile da Manga ou no Cacique de Ramos. Mas também de presença e encontros se faz um carnaval: elegi o Melhor Reencontro o meu com o Escravos da Mauá, de quem posso me separar por um tempo, mas me recebe de braços abertos – um amor sempre correspondido. Parceiro de todos os dias, Claudio Luiz protagonizou a categoria Melhor Coincidência: nos encontramos de preto e vermelho na terça sem ter combinado antes. E ainda pedimos a um rapaz para tirar uma foto nossa e ele estava vestido de…diabo.

 

Bem amigos, encerro aqui esse brevíssimo registro, feito mais para mim e minha memória suíça como um queijo, que depois de algum tempo fica cheia de furos. Como a Ressaca de Carnaval do Olokun foi adiada por causa da chuva, acabou mas ainda tem. Espero rodar a saia mais uma vez antes de guardar a purpurina e a fantasia. Feliz ano novo pra todo munda!

Helê

PS: Melhor Nome de bloco: “Quem me viu, mentiu”. Levarei pra vida.

 

 

Vou beijar-te agora

Se você escreve publicamente, digamos, para um blogue, saiba que tudo que você disser poderá ser usado… a seu favor (pelo menos aqui, nesse nesse boteco família que eu e mi sócia fundamos e mantemos, servindo bem para servir sempre. ;-) ).

Nesta semana, G. me lembrou que estava chegando a época do ano em que a alegria é a regra e revogam-se todas as disposições em contrário, uma lei que eu mesma escrevi aqui há alguns carnavais atrás. Confesso que não lembrava; vivemos tempos difíceis e dias de incerteza e angústia.

Mas os amigos/leitores estão aí para nos lembrar do que escrevemos e no que acreditamos: na alegria, no carnaval, na amizade e que vai passar. Como tudo, como passa o bloco pela rua transformando estranho em amigo, solidão em companhia, realidade em fantasia. Então dá licença que eu vou ganhar a rua, abraçar o carnaval e esperar que ele me beije de volta.

Sem esquecer o conselho de Elke Maravilha: “Não tenha juízo e não se comporte, mas se cuide!”

Bom carnaval pra geral!

Helê

75 carioquices

Curiosamente a história desse post super carioca começa com uma Frida indo ao encontro da outra… fora do Rio. Enquanto Monix estava no ônibus rumo ao litoral norte de São Paulo, onde a Helê já havia chegado poucos dias antes, recebemos por WhatsApp, da nossa amiga paulista/carioca honorária J. uma lista de 75 carioquices que, por sua vez, J. tinha visto na página da Cora Rónai.

Era uma lista divertida, mas quando começamos a analisá-la com mais atenção (uma na praia, a outra no ônibus, viva a tecnologia etc.), percebemos que estava meio turística demais, e embora contemplasse lugares de várias partes da cidade, sempre se poderia equilibrar um pouco mais as zonas norte e sul.

Decidimos então fazer a nossa própria versão dessa lista de carioquices para comemorar São Sebastião, santo padroeiro dessa cidade que amamos apesar de tantos (a)pesares. As adaptações foram feitas a quatro mãos com colaborações preciosas dos nossos fridinhos e da Supreme Dedeia, que não podia deixar de dar seus palpites.

Vale dizer que optamos pela tradição – no caso, a nossa. A lista final contempla, portanto, lugares que nós achamos essenciais para qualquer um que queira se dizer carioca da gema. Mas fiquem à vontade para contribuir com suas carioquices do coração. Afinal, se tem uma coisa que essa cidade nos proporciona, é a possibilidade infinita de fazer listas de coisas incríveis.

Poderíamos, por exemplo, fazer uma talvez tão extensa quanto esta só sobre bares, botecos e restaurantes tradicionais. Aqui entraram apenas aqueles que são mais do que gastronomia e viraram mesmo pontos de referência do que o Rio de Janeiro é/foi/deveria ser.

(Conta aí quantos itens você já viu/fez/visitou e no final a gente te conta quem é você segundo o IFC – Índice Fridas de Carioquice.)

 

  1. Confeitaria Colombo
  2. Feira do Lavradio
  3. Jardim Botânico
  4. Quadra de escola de samba (ensaio ou feijoada)
  5. Cachoeira do Horto/Paineiras
  6. Fazer compras no Saara no verão
  7. Pôr do sol no Arpoador (bater palma é opcional, no verão é obrigatório)
  8. Pista Claudio Coutinho
  9. Teatro Municipal
  10. Aterro do Flamengo
  11. Cine Odeon Roxy (tradicional, de rua e resiste)
  12. Levar visita ao Cristo Redentor
  13. Grumari
  14. Baile charme no Viaduto de Madureira
  15. Lapa à noite
  16. Feira de São Cristóvão
  17. Mercadão de Madureira
  18. Mirante Dona Marta
  19. Quinta da Boa Vista (descer a grama no papelão ganha ponto extra)
  20. Trilha da Pedra Bonita/da Gávea
  21.  Bondinho do Pão de Açúcar  
  22.  Esfiha do Árabe do Largo do Machado
  23. Viajar nos trens Andar de trem
  24. Futebol no Maracanã (show não vale)
  25. Escadaria Selarón
  26.  Vista Chinesa
  27. Cobal do Humaitá
  28.  MAM (dentro ou fora)
  29. Mate/Biscoito Globo
  30. Volta na Lagoa Rodrigo de Freitas
  31.  Trem do Samba
  32. Biblioteca Nacional
  33.  CCBB
  34.   Baixos Botafogo/Gávea/Leblon
  35.  Pedra do Sal
  36.  Mureta da Urca
  37.  Floresta da Tijuca
  38.   Bosque da Barra Ilha da Gigóia
  39.  Terreirão do Samba
  40. Circo Voador/Fundição Progresso
  41. Boulevard Olímpico (incluindo os museus e outras atrações recentes)
  42. Santa Teresa
  43. Batata de Marechal Hermes
  44. Cordão Desfile do Bola Preta
  45. Réveillon em Copacabana
  46. Praia da Reserva/Poxto nove (atenção para a pronúncia carioca)
  47. Feira livre Choro na feira de Laranjeiras
  48. Paquetá
  49. Praça Paris
  50. Forte de Copacabana
  51. Parque Lage
  52. Igreja da Penha
  53.  Passear de pedalinho (na Lagoa ou Quinta da Boa Vista)
  54. Candelária (visita ou militância)
  55. Andar de bondinho por Santa Teresa
  56.  Voar de Asa Delta e/ou parapente Visitar a pista de salto
  57. Museu da República ou os jardins do museu
  58. Carnaval na Marquês de Sapucaí (assistir ou desfilar)
  59.  Árvore de Natal da Lagoa
  60.  Desfilar em bloco de rua e ter histórias pra contar Suvaco de Cristo, no Simpatia é quase amor ou na Banda de Ipanema (no Jurássico, quando era bom)
  61. Forte do Leme
  62. Pastel na feira, qualquer uma (para muitos, com caldo de cana)
  63. Outeiro da Glória
  64. Praça Saens Peña
  65. Samba do Trabalhador no Clube Renascença
  66. Ir à igreja e comer uma feijoada no dia de São Jorge
  67. Pegar/distribuir doces de Cosme e Damião
  68. Passar pela Central do Brasil
  69. Visitar o Parque de Madureira
  70. Água de coco/Açaí
  71. Sanduíche no Cervantes
  72. Empada do Salete
  73. Roda de samba na Rua do Ouvidor
  74. Lamas, pelo conjunto da obra
  75. Ir ao banco e ao shopping de chinelo

Se você fez até 25 pontos: fique em/vá para São Paulo. Na boa.

Se você fez entre 26 e 50 pontos: Venha nos feriados, mas nem se esforce em fingir o sotaque.

Se você fez entre 51 e 70 pontos: Mermão, tu é tem potencial!…

Se você fez entre 71 e 75 pontos: Cara, arrebentô! Tu é carioca merrrmo!

Feliz Dia do padroeiro pra geral!

AOS PEDAÇOS: Colagem de Vik Muniz

Aix Duaix Fridaix

O adeus a uma tradição

Tudo começou um tempo atrás, quando durante um conversa com meu filho e sobrinhos me dei conta de que eles nunca conheceram algumas paradas obrigatórias da gastronomia tradicional do Rio de Janeiro (leia-se: restaurantes que já foram importantes outrora, mantém um cardápio nostálgico, a estrutura física super deixa a desejar e o serviço é uma porcaria – ou seja, welcome to Rio).

Um desses tesouros da nostalgia gastronômica de que falávamos era o Bar Luiz, na rua da Carioca. Ficou a promessa de que os levaria para conhecer o famoso bife à milanesa com salada de batatas e o imperdível strudel com creme.

Aí veio a notícia – que não chegou a ser uma surpresa: sábado será o último dia de funcionamento do Bar Luiz. Depois de 132 anos, é hora de dar tchau.

Daí foi aquela correria: ajustes nas agendas de todo mundo, etc, pois não podíamos perder a última chance. Ontem chegaram notícias de filas enormes. Claro. Mesmo assim não desanimamos. Os adolescentes precisavam conhecem o lendário Bar Luiz.

No meio do caminho tinha uma fila

Na chegada o cenário não era muito animador. A turma do início da fila estava esperando há cerca de uma hora. Mas quem nunca teve um golpe de sorte na vida? Eis que chega o gerente perguntando: qual é o primeiro grupo de mais de quatro pessoas? Acabou de vagar uma mesa maior e é melhor acomodar um grupo do mesmo tamanho.

Adivinha? Éramos cinco (quase um romance).

Bem, lá dentro as coisas estavam um pouco confusas. A milanesa já tinha acabado, fomos de rosbife. O barulho ensurdecedor de sempre nos impediu de entender totalmente o que o garçom dizia, mas basicamente o Bar teve que recrutar 10 garçons do Otto para ajudar no serviço.

E assim contabilizamos mais uma baixa nesse momento decadance sans elegance

Na verdade, dentre as coisas que o garçom disse, entendi trechos incongruentes como “Bar Otto”, “Tijuca”, “não conheço o cardápio, por favor informe o número”, “fechar”, “15 dias”, “reabrir”. Talvez isso signifique alguma coisa, talvez não. Fica aqui o registro de que eu talvez tenha perdido um excelente furo jornalístico por pura inabilidade social na conversa com garçons.

Bem, o strudel com creme também ficou só na nossa memória e na fantasia dos meninos – todas as sobremesas já tinham acabado. Para não perder a viagem, fomos comer uns docinhos na Confeitaria Colombo.

É triste se despedir de uma tradição. O Bar Luiz era caro, o serviço demorado, o ambiente barulhento, mas nós somos cariocas e gostamos desse charme meio decadente, meio soberbo, que só o Centro da cidade pode nos proporcionar. A rua da Carioca é uma lamentável metáfora de tudo o que vem acontecendo com a cidade nos últimos anos. Talvez ela sempre tenha sido, na verdade.

-Monix-

Perdida em Copacabana

Minha casa está em obras e por conta disso vou passar as próximas semanas na casa do namorido, na sempre louca Copacabana. (Não é a primeira vez que passo um tempo aqui, mas antes a situação era meio caótica e não valeu como experiência de “moradora do bairro”).

É engraçado como cada bairro tem sua cultura. Aqui tudo funciona em outro ritmo. Em geral, mais acelerado.

Mas aí no sábado resolvi fazer a unha. Fui procurar um salão aqui perto (há vários) que tivesse hora disponível, pois sábado é o dia mundial de fazer mão, pé e cabelo, certo? Bem. Um salão fechado. O segundo, idem. Mais outro. Continuei andando. Atravessei a rua, agora vai! Fechado também. Quase chegando no Leme, encontro finalmente um salão aberto, franquia de uma marca conhecida. Consegui a manicure, ótimo. Conversa vai, conversa vem, comentei: vem cá, as mulheres de Copacabana não frequentam salão aos sábados não? Até chegar aqui passei por vários, todos fechados! E a manicure, sem querer afrontar a cliente, lembrou sutilmente: será que não é porque hoje é feriado? FUÉM FUÉN FUÉN…

É isso que dá ser a louca do feriadão.

***

Saindo do salão, fui pegar um ônibus, meio perdida, como sempre. (Para quem não é do Rio, explico: nosso prefeito anterior fez várias mudanças na numeração das linhas, extinguiu algumas, criou outras. Além disso, distribuiu as paradas de ônibus em pontos específicos. Tudo isso dificultou muito o processo de saber que ônibus vai para onde quando não se está no dia a dia de determinado lugar e tudo o que resta são as lembranças de números de linhas que não existem mais.) Minha cara de ponto de interrogação deve ter chamado a atenção do pessoal à minha volta, porque um rapaz se ofereceu para me ajudar a decidir que ônibus pegar.

Agradeci, nem prestei muita atenção (antipatia mode on).

Daí o moço me pergunta: você está de preto por acaso ou é aquilo que estou pensando?

Era.

Só aí observei a figura: carregava dois violões e estava com uma camiseta colante, obviamente também preta.

Foi gancho para uma conversa meio sem pé nem cabeça que envolveu teorias da conspiração sobre a facada e menções a Edir Macedo que até agora não sei se eram contra, a favor ou muito pelo contrário.

Pena que o ônibus chegou e com isso estou até agora sem entender contra o que meu companheiro manifestante protestava.

***

Copacabana é isso aí. Cá estarei pelas próximas semanas.

-Monix-

%d bloggers like this: