Fé, rituais e liturgias

Eu tenho esse hábito: sempre que preciso, peço à d. Mamãe pra incluir alguém nas orações dela (como fiz esta semana, com o coração apertado). Embora eu também reze – na maioria das vezes, de maneiras não-ortodoxas – recorrer à minha mãe me parece uma providência necessária e efetiva, como se estivesse recorrendo a uma instância superior (exatamente o que a mãe é, ora bolas)

Não sei exatamente quando nem como começou, mas vem de longe. Lembro vagamente de pedir na adolescência por amigos que iam fazer uma prova; mais tarde passaram a almejar empregos ou alugar um apê. Com o tempo as requisições foram ficando mais graves, urgentes, próximas. Passei a pedir sorte num exame ou tratamento, primeiro para os pais de amigos, depois para os próprios. (Como se pode imaginar, dona Mamãe andou sobrecarregada nos últimos meses).

Minha mãe recebe os pedidos e reza. E continua rezando, até que eu a libere; às vezes esqueço e ela também. Meses depois, pergunta: E fulano, conseguiu o emprego? Terminou o tratamento? Ela pode esquecer de me perguntar, de rezar, nunca; segue capricornianamente disciplinada e fiel. Houve uma época em que participava de um grupo espírita que aceitava pedido de reza, mas pediam nome completo, até o número do quarto do paciente. Eu achava meio burocratas esses espíritos, dava as informações que tinha para minha mãe e pronto, minha fé sempre foi na fé dela; o resto eram coadjuvantes (bem-vindos, claro, nesse departamento a gente não dispensa ajuda).

Mas é que existe algo de especial nesse nosso ritual, essa liturgia inventada, no ato de pedir pra mãe rezar por alguém – que na maioria da vezes ela não conhece, mas por quem intercede com fervor, indiscriminadamente. É a primeira coisa que penso em fazer quando um amigo está necessitado; para os mais íntimos chego a tranquilizar: Pode deixar, já pedi pra minha mãe rezar. Como se. Mas pra mim sim, pelo menos temporariamente, restabelece o equilíbio das coisas.

(Claro que agora me ocorre a lembrança de Nossa Senhora, a mãe de todos. Certeza que toda mãe tem sim, em função do cargo, uma preferencial com o Todo Poderoso, como me ensinou não a Bíblia ou a igraja católica, mas o Ariano Suassuna e a Fernandona) .

Eu, já mãe e ainda filha, acredito em muitas forças. Acredito em Deus, deusas, energias, vibrações, na minha mãe e em sua fé. E nesse fio de amor que e gente estica entre o sagrado e quem a gente quer bem.

#ForçaZé!

Helê

Valei-me meu São Jorge Guerreiro!

VACINA!

Helê

Yemanjá é a rainha do mar

Depois de evocar Netuno na semana passada e usar nossa ligação com o mar como mote para a nossa newsletter (ainda não recebe?! Clique aqui!), vamos saudar a Senhora dos Mares, nossa sempre mãe Iemanjá! Salve Iemanjá!

Daniel Minter

Helê

Valei-me São Jorge!

“Guerreio é no lombo do meu cavalo
Bala vem mas eu não caio, armadura é a proteção”

Que Jorge guarde todos nós!

Viva São Jorge Guerreiro!

 

Helê

Salve Yemanjá!

Daqui

Odô Yá!

Pra dona do mar nos abençoar (reza)
Pro amor florescer, pro bem imperar (reza)
Reza pra quem não crê
Reza pra conquistar
Reza pra agradecer o dia que vai chegar
Reza pra quem tem fé nas lendas que vêm de lá
Reza pra proteger tudo nesse lugar

Reza – Pretinho da Serrinha

***

Nesse dois de fevereiro, além de saudar Yemanjá, que tal aproveitar para conhecer mais sobre uma página infeliz da nossa história? Totalmente por acaso eu esbarrei nessa bela matéria do Uol, assinada por Carlos Madeiro, sobre um ataque acontecido em 1912: Terreiros atacados, religiosa espancada: o dia sangrento que o país ignora. Poucas horas depois, vi que mestre Simas tuitou sobre o assunto – e ele é sempre referência de responsa nessas questões . Esse episódio do Quebra de 1912 (ou Quebra de Xangô) me fez pensar: 1) na violência atávica da nossa sociedade; 2) que lugares como Maceió nunca aparecem como locus importante para a cultura afro-brasileira, mas desconhecemos a que preço a história foi apagada; e 3) a perseguição aos cultos de origem africana – que se intensifica a cada dia e que Luiz Antônio Simas denomina com propriedade de terrorismo religioso -, vem de longuíssima data. Defender o direito de manifestação dessas religiões, denunciar ataques e intimidações é dever de todos nós brasileiros.

Helê

PS: Leia também matéria sobre o Xangô Rezado Alto, cortejo realizado para lembrar o Quebra e fortalecer as tradições religiosas de matriz africana. 

 

Eu estou feliz porque sou da sua Companhia

Helê

Salve São Sebastião


Saint Sebastian Healed by Angels,
Pieter Paul Rubens 

Brasil
Tira as flechas do peito do meu Padroeiro
Que São Sebastião do Rio de Janeiro
Ainda pode se salvar

Saudades da Guanabara, Moacyr Luz

Helê

Valei-me, meu São Jorge!

“Sim, vou na igreja festejar meu protetor
E agradecer por eu ser mais um vencedor
Nas lutas nas batalhas”

Obrigada, Guerreiro!

Que me ponha onde haja.

Helê

Odô, Ya!

(Yemanja Odoya by Júlia Rodrigues)

Saúdo a Rainha do Mar em duas representações porque sua beleza e generosidade não cabem num risco só. Ôdo, Yá, conceda tuas bençãos!

Helê

(PS: Pretendo escrever um post laico antes do dia de São Jorge; vamos acompanhar).

Salve São Sebastião!

“No Brasil, diz a tradição, que no dia da festa do padroeiro, em 1565, ocorreu a batalha final que expulsou os franceses que ocupavam a cidade do Rio de Janeiro, quando São Sebastião foi visto de espada na mão entre os portugueses, mamelucos e índios, lutando contra os invasores franceses calvinistas.”

Tião, tamo precisando dessa força aí, heim? Chega junto – e pode vir como você está que é verão, tá quente à vera.

 

Helê

 

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