Histórias negras

Comecei meu sábado meio desanimada (aliás, a semana toda tinha sido assim) e resolvi ticar alguns itens da minha lista na Netflix. (Parênteses: uma vez eu li em algum lugar que a Netflix tinha contratado o Adam Sandler – faz tempo, isso, né? – pra fazer alguns filmes para a plataforma. Isso porque eles perceberam que as pessoas incluem vários filmes interessantes, filmes de arte, filmes dramáticos, etc, na lista, mas o que de fato é assistido são as comédias leves. Tipo assim: eu quero ver filmes significativos, mas não agora. Enfim. Fim do parênteses.)

Nessa linha dos “filmes significativos mas não agora” minha lista incluía uma sugestão do algoritmo, um filme chamado Lionheart. É o primeiro filme nigeriano com distribuição mundial pela Netflix. Eu já tinha ouvido falar na chamada Nollywood, a prolífica indústria cinematográfica da Nigéria, mas nunca tinha tido a oportunidade de assistir uma de suas produções. Fico feliz por minha primeira experiência já ser de cara um filme de que gostei tanto. Fica aí o agradecimento à Netflix por suas contribuições ao globalismo cultural (disclaimer para eventuais paraquedistas de palavra-chave: não existe globalismo cultural e eu estou sendo irônica, talkey?).

Assistir um filme nigeriano é por si só uma experiência impactante. Se nós aqui deste país pseudo-ocidental, em que predominam produtos culturais estrelados por gente branca, comemoramos o elenco predominantemente negro em um filme de super-herói, imagine um filme cujo elenco inteiro é de pessoas negras. E elas não vivem em uma realidade fantástica, um país mítico, um mundo de super poderes. Elas são pessoas comuns, algumas ricas, outras mais ricas ainda. O filme tem uma trama corporativa – uma empresa de ônibus que corre o risco de fechar ou ser comprada por um empresário inescrupuloso. E aí vem a cereja do bolo: a protagonista, a heroína que chega para salvar o dia, é uma mulher. Quer dizer, por sua trama, Lionheart é um filme que poderia se passar em Chicago, estrelado por homens brancos norte-americanos, mas não: ele é um filme muito nigeriano, ele mostra questões étnicas, questões sociais, mostra uma estética diferente da que estamos acostumados a ver, mas além disso ele conta uma história bem contada, protagonizada por pessoas que normalmente nós só vemos como exóticas – ou não vemos at all.

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O sábado começou bem, e resolvi continuar no clima da maratona de filmes. Há poucos dias tive acesso a alguns lançamentos recentes, digamos assim, por meios não-oficiais. Vi Judy, com a Renne Zellweger (sei lá como escreve) e achei no máximo passável. Aí resolvi encerrar com Harriet, que tinha chamado minha atenção quando recebeu duas indicações ao Oscar.

A história de Harriet Tubman é, por si só, impressionante. Ela nasceu escravizada, fugiu, conseguiu atravessar 160 quilômetros a pé, desde uma fazenda em Maryland até a Filadélfia, onde já não havia escravidão. Não satisfeita em conquistar a própria liberdade, ela se uniu a uma organização de negros abolicionistas e fez inúmeras viagens, correndo riscos altíssimos, para resgatar seus pais, irmãos, amigos e muitas outras pessoas escravizadas. Segundo consta nos registros históricos, Harriet foi responsável pela libertação de mais de 300 pessoas – ela as resgatava nas fazendas e guiava por trilhas secretas que ficaram conhecidas como “a ferrovia subterrânea”, ligando os estados sulistas ao norte dos EUA e ao Canadá.

É claro que uma vida como essa tem tudo para dar um ótimo filme. E deu. Mas o aspecto mais interessante é que em Harriet (o filme) nós vemos de fato uma história de protagonismo negro. Não há um branco heroico que aparece no final para salvar todo mundo ou para “endossar” a luta dos negros. No filme, os brancos são coadjuvantes – ou vilões. É uma perspectiva importante, mas mais do que isso, é um filme bom. E não há nada mais pedagógico do que uma história bem contada.

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Não escolhi ver esse dois filmes em modo combo de propósito, mas lá pela metade de Harriet me dei conta de que estava tendo um sábado mais ou menos temático. Foi bastante inspirador.

Monix (há! pensou que era a Helê? Te peguei.)

PS: Jão das Neves

Eu não li os livros, mas talvez Jon Snow tenha sido o personagem que mais sofreu com a transposição para a tela e a popularidade da série. Sua ressuscitação foi um baque na trama do qual muitos não se recuperaram: houve quem deixasse de ver a série ali; muitos outros simplesmente pegaram ranço, mas gente, a culpa não foi dele.

“Ainnn, mas no fim das contas não adiantou de nada ele ser Targeryan…” Porque no fim das contas importa mais o que você faz com o que tem do que de onde você vem.

“Ainn, porque o arco do personagem o levou para o mesmo lugar onde começou…”. Primeiro começo a implicar com “arco do personagem” porque ninguém consegue comentar mais nenhuma série/livro/samba enredo sem usar essa expressão (não se aplica a você , Sócia). Segundo: o tal arco não é onde você chega, mas a trajetória que você faz. E por fim, Jaime Lennister também terminou onde começou, nos braços da Cersei. Só que ele era mais bonito, viril e contraditório. E dele o povo não pegou ranço.

Eu só queria reforçar um ponto das mui sagazes observações de mi sócia: eu gostei muito do final do Jão. After all, foi ele que “break the wheel”, pelo menos a roda do próprio destino, ao escolher se unir àqueles chamados tanto de ‘selvagens’ quanto de ‘homens livres’ – o que eu sempre achei bem desconcertante.

Helê

Cuidado, spoilers

Nos últimos oito anos – mais ou menos, porque teve gente que chegou antes, gente que chegou depois – nós acompanhamos juntas a saga dos sete reinos de Westeros em busca de uma certa harmonia (a paz nunca existe, mas vale cada minuto da busca). Então, nosotras não poderíamos deixar de registar aqui algumas impressões sobre o final desse épico, nem que seja para lembrarmos, um dia, de como estávamos nos sentindo dois dias depois do fim da série que conseguiu, quando ninguém mais apostava nisso (exceto em eventos esportivos e coberturas jornalísticas) reunir o mundo inteiro na frente de uma tela, ao mesmo tempo.

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A Monix não liga para spoilers, a Helê fica brava quando leva um. Então, no espírito da conciliação, fizemos este post com um grande nariz-de-cera, assim quem quiser lê, quem não quiser vai fazer outra coisa e volta depois de assistir tudo.

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Antes de mais nada, a gente precisa dizer que de modo geral gostamos do final. Então se você está buscando um lugar para resmungar coletivamente, sorry, não é aqui ;)

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Acho que já enrolamos bem, né? Então vamos ao que interessa.

Impressões mui loquazes da Monix:

  • Começando pelo episódio anterior, eu tinha ficado meio chatiada com o final do Jaime Lannister, mas olhando em retrospecto, fez sentido. Eu achava que a história do Jaime era uma jornada em busca da honra, e que a tinham “estragado” mandando-o de volta para a Cersei. Se pelo menos ele tivesse ido matá-la, mas nem isso. Mas depois fiquei pensando que esse final foi bem roots. As Crônicas de Gelo e Fogo do George R. R. Martin não são sobre arcos de personagens, são sobre o fato de a vida não fazer sentido. As vidas acabam como e quando têm que acabar. E aí simplesmente o Jaime tentou superar a Cersei, mas não deu. Na hora que ele percebe que ela vai morrer – porque é claro que aquele exército vai ganhar -, e que nunca vai se render… ele precisa voltar. Achei bonito o jeito com a Brienne contou a história dele no Livro Branco da Guarda Real. (Só não gostei porque ficou registrado que o Tyrion mandou matar o Joffrey. Queria que ela passasse um Liquid Paper em cima. Mas pensando bem, a Brienne não sabe que a mandante do crime foi a Olenna Tyrell. Todos os que sabem estão mortos.)
  • Falando mais em geral, tem um monte de furos nos roteiros dessa temporada. Várias coisas estão ali só para a história poder seguir, mas não fazem sentido. Por exemplo, ontem vi em uma live da Omelete um comentário sobre o Sam: ele estava em Winterfell, a Gilly grávida, tinha abandonado a Patrulha da Noite, tinha abandonado a Cidadela. Daí de repente o cara me aparece na reunião dos “grandes lordes” de Westeros. Fazendo o quê lá? Representando a Casa Tarly? Tá, que seja. Aí meia dúzia de cenas depois ele vira arquimeistre! Mas e a Gilly? E os bebê tudo? Meistre pode ter filho? Fora que ele nem terminou o curso. Ficou parecendo o ministério de um certo presidente que nomeia gente que não tem experiência nenhuma só porque é amigo do amigo.
  • Sobre o novo rei, tenho que admitir que foi surpreendente (embora eu já tivesse lido teorias a respeito, achava um chute totalmente fora de cogitação). Minha primeira sensação não foi boa. Ele passou a temporada inteira dizendo que não era mais o Bran Stark. “I’m not him”, eu acho, era a frase. Aí de repente ele é indicado para o trono como Bran Stark e responde: por que você acha que eu vim até aqui? Estranho. Mas tá bem, entendi que a ideia era ter um rei neutro e deixar o conselho governar. No fim das contas, me incomodou menos do que eu pensei quando li as teorias de fãs. Talvez porque no fim das contas Bran, the Broken é um nome ótimo para o rei que vai reconstruir o reino. Gostei também do Podrick ser o empurrador do trono. Mas na prática ele não vai governar. Aquele conselho é que vai cuidar das paradas e ele vai ficar wargando por aí. Foi bacana também o rei passar a ser escolhido por um conselho, e não mais por direito hereditário. Já inventaram as eleições indiretas em Westeros. ;)
  • Sobre o final trágico de Jon e Danaerys, estava na cara que ele ia ter que matá-la. Sendo assim, gostei que ela não ficou louca, apenas intensificou características de personalidade que sempre teve. Aquela estética nazi do início do episódio eu amei. Aliás, toda a parte visual foi incrível.
    Tirando o fato de não ter sentido nenhum ela estar sozinha na sala do trono, achei bacana o Jon dando um oi pro Drogon e entrando pra levar um papo com a mamãe. Mas no geral, o Jon foi totalmente filho do Ned Stark (adotivo, eu sei) nesse final. Relutando em enxergar o que tem que ser feito, escravo da honra e zero pragmatismo político. Mas quando finalmente ele vê que a Danaerys é aquilo mesmo, que Targaryens são fogo e sangue, ele entende que quem dá a sentença tem que segurar a espada.
    Tenho que dizer que amei o Drogon queimando o trono. Tá, é um dragão filósofo, com raciocínio simbólico, mas é daí? Foi uma simbologia poderosa. E a única cena que vibrei.
  • (Eu gostei que nessa temporada final eles voltaram a dar importância para as tramas políticas. Aquela guerrinha contra os zumbis estava enchendo o saco.)
  • Quanto ao final do Jon, eu interpretei de uma forma positiva. Acho que talvez seja o único que teve um destino realmente grandioso (e feliz, na medida do possível).
    Eu não acho que ele foi para o exílio. Acho que ele foi ser o rei-pra-lá-da-muralha. O novo Mance Rayder. O Jon nunca ia ser feliz no trono, nem no Sul, nem em Porto Real. Ele é um filho do Norte. E acho que o momento que ele viveu algo mais próximo da felicidade foi quando estava com os selvagens.
    Achei genial terminar o episódio com ele atravessando a muralha e ignorando a ordem de ir para a Patrulha. Que mané patrulha? Não tem mais inimigos do lado de lá. Vai ficar fazendo nada o resto da vida? Melhor não. Foi embora com o povo livre e deu uma banana para os sete reinos.
  • Adorei o final das irmãs Stark. Sansa fez por merecer. Vai entrar para a história com a primeira rainha do Norte, aquela que conquistou a independência de novo para os nortenhos. Não se ajoelhou e se livrou dos dragões com a arma mais feminina possível (#estereotipodegenero): a fofoca. E a Arya, minha queridinha, meu xodó desde o primeiro livro, virou Américo Vespúcio e vai provar que o planeta é redondo. Uma alma de viking.
  • Senti falta de explicações melhores sobre o que aconteceu com os castelos. Por exemplo: o Tyrion agora é o Lorde de Rochedo Casterly? O Rob Arryn é o Lorde do Ninho da Águia, senhor dos lordes do Vale? Por que o sor Royce estava ao lado dele? Como conselheiro ou como vassalo? E o Sam é meistre ou é Lorde Tarly, afinal? O Edmure voltou para Corerrio? Ainda existe a Casa Frey? Talvez essas questões na série não tenham tanta importância, acho que é mais uma coisa dos livros.

Impressões breves da Helê:

  • O que mais me chamou atenção foi a redenção da História — e da literatura, por extensão. As Humanas foram redimidas! No discurso do Tyrion (“nada mais poderoso que a História, nada nos liga mais que a História”), na escolha do Bran, na cena da Brienne alterando a Wikepedia deles, opa, o registro da história do Jaime. Senti a alma lavada nesse aspecto.
  • Gostei que o episódio deslegitimou a teoria da loucura da Dany.
  • Também vi furos, mas overall, achei tudo muito coerente. A dor é mesmo pelo fim. A internet ama odiar. E procurar copo de Starbucks.

As Duas Fridas

Ler para aprender

Lembrando da época em que os memes nasciam (e prosperavam) nos blogs (blog? whaaat?, pergunta um incauto que lê isso no Facebook), imaginamos uma lista de livros “Ler para”, livros de ficção que, além da qualidade literária, podem ser usados com um objetivo bem específico, como se didáticos fossem. A Helê teve essa ideia quando identificou claramente dois que serviriam a este papel – número suficiente para iniciar uma lista, principalmente com a colaboração das leitoras e leitores (can I get an amem here?). Se te ocorrer um livro que se enquadre na definição, indique nos comentários, sifazfavoire.

Livros da Helê

Para compreender a formação do Brasil: Um defeito de cor, Ana Maria Gonçalves

Tenho uma dívida enorme com esse livro e com a Ana porque nunca falei dele aqui no blog. Não que isso vá fazer alguma diferença para ele ou para ela, mas é que eu me sinto em falta, já que escrevi sobre outros que me causaram menos comoção. Demorei muito a ler, fiquei achando que perdi o timing do post. Mas quando tive a ideia desta lista, nenhum outro poderia encabeçá-la. Porque eu indico aos amigos dizendo que pode substituir sem perda Raízes do Brasil, Casa Grande e Senzala, e quetais (como se eu tivesse lido todos esses, abafa). Mas é disso que trata esse romance épico, narrativa cheia de sangue, suor e lágrimas sobre a fundação dessa bagaça do ponto de vista de uma mulher africana escravizada, tornada brasileira pela liberdade alcançada para voltar de onde não se retorna. Clássico incontestável, a história de Kehinde me antecede e me acompanha, e pela primeira vez na vida olhei para África com um sentimento de pertencimento. Tive a oportunidade de dizer isso à Ana, numa cachaçaria na Lapa, muitos anos atrás, onde ela me ensinou a comer pimenta biquinho. Ou seja, uma mulher que vi duas vezes na vida e que só me trouxe ensinamentos valiosos.

Para entender a (não) elite carioca: Leite Derramado, Chico Buarque
Também li muito depois de todo mundo, e foi até aqui o livro dele que mais gostei. Na verdade já tinha simpatia e curiosidade pelo livro por causa da canção que o originou, “O velho Francisco”, dolorosa e delicada. Mas aquilo que parece uma biografia desafortunada na letra da música ganha contornos mais amplos nas páginas; salta aos olhos uma elite que já nasce decadente, cuja riqueza não se produziu em bens como terra e indústrias, mas principalmente nas relações mais ou menos espúrias com o Estado e com quem mais pudesse apresentar benefícios. Uma elite deslumbrada e sem poder, que só tardiamente se dá conta da sua desimportância.

Livros da Monix

Para entender a passagem do Brasil rural para o Brasil que se quer urbano: O Tempo e o Vento, Érico Veríssimo

Aprendi a amar Érico Veríssimo (além de tantas outras coisas) graças à Fal. É uma saga de fôlego, mas fundamental. Através de várias gerações da família Terra/Cambará a gente acompanha o surgimento das primeiras povoações, ainda na época da colônia, as guerras, revoluções e outros (e)ventos que foram, ao longo de décadas e séculos, ajudando a moldar isso que hoje chamamos de Brasil. Mas também espiamos pela fresta da porta da História, e ficamos sabendo um pouco de como viviam as pessoas comuns, como eram criados os filhos, como se nascia e morria no Brasil de antigamente. O Tempo e o Vento é o Rio Grande do Sul, mas é o país inteiro.

Para conhecer onde e quando tudo começou: Onde Vais, Isabel, de Maria Helena Ventura

É um livro difícil: de encontrar e de ler. Parece ter sido escrito de forma que a gente mergulhe na alma medieval – toda a musicalidade, todo o ritmo do livro nos levam a um lugar diferente. Essa é a beleza da história da Rainha Santa Isabel de Portugal, que nos ensina sobre a fundação da cidade de Coimbra, sobre a vida na corte do século XIII, sobre uma época em que a religião ocupava o lugar que hoje damos à ciência, sobre tecnologias que não enxergamos como tal. A lição mais interessante que tirei dessa leitura foi sobre o visionário Dom Dinis, rei de Portugal e marido de Isabel. É ele que prepara o Portugal do futuro, da expansão marítima, que conquistará os oceanos e colonizará nosso Brasil. Uma das coisas que Portugal deve a Dom Dinis é a plantação de imensos bosques de pinheiros, para que a madeira fosse utilizada na construção dos navios que se lançaram para o além-mar. A história de Isabel tem ainda um toque de realismo fantástico avant la lettre, com a bela lenda do milagre das rosas. Como entender o Brasil sem, antes, passar por Portugal?

Outros livros que são aulas: O Nome da Rosa; Anarquistas Graças a Deus; a trilogia Os Subterrâneos da Liberdade; A Casa dos Espíritos e Inés de minha alma, de Isabel Allende, para conhecer o Chile e essa América que é nossa mas não parece; enfim, são muitos… conta para nós qual é o seu.

As Duas Fridas

Impressões olímpicas

Parecia até que a gente estava viajando – foi assim que minha cunhada definiu nosso deslumbramento ao chegarmos no primeiro domingo no Parque Olímpico da Barra, para ver a esgrima.

Não sou uma grande fã de esportes, mas gosto de grandes eventos, e sempre digo que esta é a verdadeira vocação do Rio. O dia a dia aqui é complicado (e tem sido cada vez pior), mas nas ocasiões de gala a gente para tudo e recebe os visitantes com a melhor louça e a toalha de linho na mesa. Por isso, já desde o ano passado, quando se abriram as vendas dos ingressos, comecei a preparar uma programação olímpica. Não poderia perder o maior evento do mundo acontecendo no quintal da minha casa.

E o primeiro deles foi mesmo no meu quintal: a prova de ciclismo de estrada, no sábado, incluía três voltas na minha rua. Assim, ainda nem bem recuperada do impacto da lindíssima cerimônia de abertura que vi pela TV, na manhã seguinte já estava tomada pela energia dos incríveis homens que pedalam mais de 200 km numa velocidade estonteante.

Mas um dos pontos positivos dos Jogos foi a distribuição dos locais de competição por vários pontos da cidade. Sendo assim, tive oportunidade de conferir de perto outros lugares, inclusive alguns que não costumo frequentar, e esportes diferentes, que nunca passam por aqui. Fui ver vôlei de praia em Copacabana; rúgbi em Deodoro; tênis de mesa no Riocentro; canoagem no Estádio de Remo da lagoa mais linda do mundo; atletismo no Engenhão; ginástica artística na Barra de novo. Passei no boulevard para dar uma conferida na tocha e na já famosa Orla Conde. Por duas semanas, fui turista na minha cidade e gostei.

Os Jogos Olímpicos reúnem os melhores seres humanos do mundo do ponto de vista físico. Mas também trazem para a cidade-sede centenas de milhares de visitantes – é impossível calcular quantos exatamente, porque muitos turistas domésticos ficam em casas de parentes e amigos, mas chegaram a falar em 1 milhão de turistas estrangeiros. A grandiosidade do evento preocupava por causa de coisas como o deslocamento desse povo todo, a capacidade da cidade de hospedar e alimentar todo mundo, etc. Não preciso dizer que deu tudo certo pois disso a imprensa já falou e ainda falará.

Já sobre a sensação de estar neste lugar, neste momento, sinto muito mas quem não viveu nunca saberá.

-Monix-

PS: E cá entre nós, estávamos precisando de um intervalo de euforia antes de retornar à depressão que nos aguarda na ressaca pós-olímpica. Que a energia positiva nos ajude a enfrentar a realidade.

A vida começando agora

Abrir as comemorações do aniversário de 40+ (quem está contando?) com a realização de um sonho adolescente não é algo que aconteça todo dia.

Mas a Helê consegue essas coisas. Porque alguém com a maravilhosa energia que essa mulher tem só poderia atrair as melhores coisas para si e para quem está ao redor.

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E foi assim que nós nos vimos de repente numa noite mágica, que revisitou o tal sonho adolescente de ir ao Rock in Rio (não deixem de ler o post em que contamos essa história).

Mais uma vez, este ano não conseguiremos comemorar juntas, pelos motivos de sempre. Mas já tivemos nossa celebração particular – com as melhores companhias, e com direito a show pirotécnico no final. :)

Feliz aniversário, sócia! Que seu espírito, como o do Mr. Rod Stewart, permaneça forever young!

-Monix-

PS: Geide, we’re gonna miss you forever…

Retrospectiva de um ano estranho

2013 foi um ano montanha-russa: muitas coisas aconteceram – boas, ruins, sempre intensas, de um jeito que chego a este dezembro com o corpo tão exausto quanto a cabeça.

Apesar de ter a sensação de não ter tido tempo para amigos, filho, família, namorado, enfim, apesar de pensar que deixei todo mundo meio na mão, olhando minhas anotações percebo que fiz um bocado de coisas legais e as melhores eu quero contar pra vocês. As coisas chatas e/ou estressantes eu não conto, porque já passaram ou vão passar, e sou dessas que prefere ver o copo meio cheio etc.

Filmes
Qual é o nome do bebê
Argo
No
Faroeste Caboclo
Antes da Meia-Noite
Tese sobre um homicídio
Gravidade
Blue Jasmine

Teatro Musical
A Família Addams
Tim Maia – Vale Tudo

Viagens
Berlim e Portugal
Le Canton
Portobello Eco Resort
Club Med Rio das Pedras

Livros
Ensaios de Amor
Are You My Mother? (li em inglês, mas pouco depois foi lançada a edição brasileira)

TV
Decora (o programa é antigo, mas só este ano me descobri uma amante da decoração)

Exposição
Stanley Kubrick no MIS/SP

Festival
Rock in Rio

Também fui à ópera, encontrei amigos novos e antigos, comi bem, cozinhei receitas de Jamie Oliver com meu filho, arrumei minha casa com a incrível ajuda do Cláudio Luiz, fiz muitas coisas legais no meu trabalho, dei um curso bacana sobre cultura digital e descobri neste um tema no qual gostaria de me especializar. Foi um ano intenso, como eu disse. Estou pronta para o próximo.

-Monix-

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