Amigas de fé

Dizem que mulheres não são boas amigas.

Outro dia minha amiga* Carol lembrou deste assunto, lá no Facebook (nossa praça pública virtual, onde tudo acontece nesses dias que correm). O bordão é antigo, clichê que se reforça a cada piadinha, charge, reportagem (?) de revista feminina, propaganda: homens são amigos de verdade; mulheres só conseguem competir entre si. Para ilustrar o estereótipo, recorro a uma anedota que é quase uma parábola:

Dois casais de amigos se encontram casualmente. Os homens se dirigem um ao outro com as costumeiras ofensas que não passam de elogios disfarçados:

“E aí, viado? Tá mais gordo, hein?”

“E você, quando vai ser a inauguração do aeroporto de mosquito?”

Ao passo que as mulheres se cumprimentam com elogios protocolares:

“Querida, quanto tempo… para você, parece que o tempo não passa!”

“Você também está ótima! Cada vez mais elegante!”

Quando se afastam, o marido comenta: “Fulano é gente boa demais, me amarro nesse cara.” E a mulher responde: “você reparou com a Fulana engordou? Que horror, será que é problema de tiroide?”

 

Assim são os relacionamentos entre homens+homens e mulheres+mulheres, segundo o senso comum. Não me arrisco a formular uma hipótese (necessidade de controle patriarcal? distúrbios de auto-estima de toda uma população feminina? inveja do pênis ao contrário?), prefiro simplesmente discordar.

Ao longo da minha vida conquistei alguns amigos de fé, mesmo, tipo irmãos camaradas. Muitos deles são homens; a maioria, mulheres. Quando olho pelo retrovisor e lembro dos momentos difíceis da minha vida, minhas amigas estão sempre lá, segurando minha mão e ajudando a fazer a travessia. Nos momentos de sucesso e grandes conquistas, também – nada da inveja, competição, despeito. Apenas a alegria verdadeira compartilhada comigo. Gosto de pensar que também tenho sido uma amiga assim, que está presente quando é necessário dar apoio e também quando só o que se quer é alguém para aplaudir e curtir uma boa notícia.

Não acho que eu tenha tido mais sorte que ninguém. Pode ser que para algumas mulheres seja mais difícil encontrar amigas em quem confiar. Mas me parece que a história da vida privada é feita de solidariedade feminina – sem a qual custo a acreditar que seria possível sobreviver em épocas mais difíceis para o “sexo frágil” de então.

Meninas que se casavam cedíssimo e não tinham ideia de como cuidar da própria saúde após o início da vida sexual. Essas mesmas meninas que eram mães em idades em que hoje ainda se brinca de boneca (metaforicamente ou não). Mulheres que precisavam conhecer ervas que curassem, óleos que embelezassem, comidas que alimentassem. Mulheres que teciam e costuravam, as próprias roupas e as de toda a família. Todos esses conhecimentos – e muitos outros – eram transmitidos por essa rede de solidariedade, que existe até hoje, mas que tomou outras formas, talvez menos visíveis.

Não aceito mais esse clichê. Não posso – não seria justo com minhas inúmeras e maravilhosas amigas.

 

-Monix-

 

*E assim já começo o post desmontando a tese: minha amiga Carol é uma boa amiga. 🙂

 

 

 

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Qualquer maneira de amor

Helê

Bom finde!

(via A kid’s story)

Helê

Parabéns, Mô

Sim, foi ontem o tal dia do amigo, mas só hoje outro precioso — que temos o prazer de compartilhar, Claudioluiz — me deu o mote, avisando que é aniversário do tricolor das Laranjeiras.

Então vou aproveitar a deixa desse nosso amigo botafoguense para parabenizar você, Sociamada, cuja fluminice remonta aos ancestrais e foi devidamente legada para seu descendente. Provando meu proverbial senso democrático, felicitando também a Dedeia se não ela me mata,  e para tirar aquelas bebidas daqui que eu já não guentava mais: parabéns pelo aniversário do seu time –  que sendo o dele, é um pouco meu também, e muito nosso:

G.R.B.C. Me chama que eu vou

O documento já estava pronto, aguardando o melhor momento de publicação. E eis que hoje, por volta das 15hs, inicia-se o verão –  o oficial, porque o real já vigora por estas plagas, que nós cariocas somos meio desobedientes e não seguimos o calendário com a rigidez esperada. Então publique-se aqui a fundação do Me Chama, esperando que ele aqueça o coração da Manu quando a distância aumentar e a temperatura cair.

O Grêmio Recreativo Bloco Carnavalesco Me chama que eu vou saúda o povo e pede passagem, fazendo aqui sua ata de fundação, declaração de princípios e de amor incondicional à sua musa inspiradora, Manoela Mafra Vianna. Ela, a Manu que topa todas e se envia com igual entusiasmo pra Madureira e pro Leblon, circula com a mesma desenvoltura pela Pedra do Sal e pelo Baixo Gávea, sempre disposta tanto a uma noitada quanto a uma corrida – basta chamar e ter a sorte de ser um de seus muitos amigos. Amante derramada da cidade, recebe esta que é a maior homenagem que o Rio e os  cariocas podem oferecer, que é ser a razão de um bloco carnavalesco.

O Me chama – que todo bloco bom tem codinome – nasceu numa conversa no posto 9, foi batizado num cervejal na Lapa e sacramentado num sambinha no Democráticos. Inspira-se  no (e pede benção ao) Parasitas Garbosos, obscura agremiação de Santa Teresa, e dele reproduz a função e o objetivo, qual seja: acompanhar os demais blocos, rodas de samba, pagodes, ensaios e desfiles. Seus integrantes podem, eventualmente, usar fantasia semelhante, mas não se trata de regra rígida. Bebem destilados e fermentados, e podem até (que Deus perdoe!) não beber. Gostar de samba é mais importante que propriamente sambar, mas deles espera-se que gostem sobretudo de brincar o carnaval. Recomenda-se que os membros empenhem-se com fervor e diligência no cultivo da melhor cepa do bom humor carioca; nosso padroeiro é o Profeta Gentileza, com certeza. Fundamental ser gente boa, essa característica indescritível porém inequívoca para todo carioca sangue bom.

Possuindo as características acima descritas e conhecendo a Manu, sua inscrição será analisada pela diretoria do Bloco – cujos critérios, subjetivos e variáveis, são passíveis de argumentação quando bem fundamentada num papo regado a cerveja gelada e sorrisos.  O documento ora publicado apenas oficializa o Me chama, gerado espontaneamente pela simpatia ecumênica, democrática e festiva com que a Manu foi reunindo e interligando amigos pelaí, sempre fortalecendo geral, tudo junto e misturado. Esses amigos, agora sob a bandeira do Me chama, vão dar o máximo de si para disfarçar essa saudade madrasta que a nossa musa vai deixar, se bandeando pro outro lado do oceano. Mas já sabe, Manu: se a saudade apertar muito, Me Chama que eu vou!

Me Chama em dois momentos: ainda em gestação e no dia da fundação.

Trilha sonora

Alguém me avisou, Caetano, Gil, Gal e Bethânia

Me chama que eu vou, Sidney Magal

Avisa lá, Olodum

Atrás do trio elétrico, Caetano Veloso


GRES MCQV

Presidente de Honra & Musa: Manoela Vianna

Diretora Musical: Helena Costa

Diretora de Carnaval: Patrícia Pereira

Diretora de Harmonia: Andrea Carvalho

Diretora de Evolução: Sabrina Stocco

Diretora de Percussão: Katia Simões

Diretora de Roquenrol: Daniela Yabeta

Diretora Jurídica: Beatriz Vianna (Titiz)

PS: Estão abertas as inscrições para a marcha/samba do bloco, bem como para a escolha de seu símbolo.

Helê

Falling for Fal

Bom, vocês já sabem porque, como diz o outro, só se fala em outra coisa: o lançamento do livro da Fal foi um acontecimento, desses que ocorrem poucas vezes, só mesmo quando Júpiter entra em conjunção com Vênus e Marte toma um porre com Saturno. Sim, choveu purpurina, mas também pingos de amor, como diz Paulo Diniz naquela canção antiga. Porque a Fal, disse alguém, é um entroncamento de gente bacana e do bem. A sonoridade da palavra não é boa, mas a imagem é eficiente porque Fal consegue fazer orbitar em volta de si pessoas as mais ímpares, mas que encontram nela uma referência e uma fonte de energia. Todos os caminhos levam à Fal, minha gente, e o evento de anteontem foi uma espécie de peregrinação, reunindo gente de várias partes do país, de várias galáxias do ciberespaço. O verdadeiro Baticum, só tô lhe contando que é pra lhe dar água na boca. Fomos todos a Meca e voltamos abastecidos, satisfeitos, pacificados.

Assim sendo, foi uma noite de encontros. Havia uma alegria quase táctil, intensa e simples: alegria por estar ali. A possibilidade de poder expressar ao vivo, a cores e em 3D o carinho que sentimos uns pelos outros deixou a todos nós radiantes, andando uns dedinhos acima do chão – claro que o vinho ajudou, mas não o culpem por tudo. Já se sabe que é possível estabelecer relações importantes e verdadeiras via internet, mas há sempre um déficit de aperto e chamego que, com o tempo, acumula-se perigosamente. O lançamento de “Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite” foi a oportunidade ansiada de abrir a porteira e promover farta distribuição bitocas, abraços, cheiros, olho-no-olho, lagriminhas danadas de felicidade. E quando alguém me pediu pra escrever algo pra Fal em meio àquela adorável balbúrdia, de supetão e sem parar pra pensar muito, recorri a ele – porque só McCartney salva –  e era muito apropriado lembrar que “And, in the end, the love you take/ Is equal to the love you make.” Take it all with you, Fal.

Eu e Ela

Eu e Ela

Atualização: mais fotos no Chatô das Fridas.

***

Pra mim foi assim como um fim de semana extra, fora de época. Não bastasse o acima descrito, eu ainda hospedei-me com a Renata e a Vera – esta que escapou por pouco de ser abduzida para o Rio e aqui ficar até que a Fal a resgatasse em outubro. Que ela era divertida, inteligente, amável e tantos outros etcs eu já sabia, mas e-mail e comentário não tem sotaque, e tudo isso com aquele jeitim mineiro de falar é demais da conta, gente!

Mas não é só isso: eu encontrei a Moniquinha e a Seal – porque conhecer eu já conhecia, né – revi a Giu, a Dani K, a Adri, a gloriosa Grazi e a Flá, que ganhou o troféu Mothern da noite, aparecendo lá depois da função de mãe (jantar, dever, escovar dentes, cama) e ainda foi pra prorrogação com a gente.

E tem mais: falei com o Zé, meu querido Zé, soube que ele está feliz e fiquei bem contenta. Falei também com o Giba, impagável como quando escreve, imitando o sotaque carioca e combinado umas brejas pra próxima vez (cervas, Giba, cervas!).

E, last but never least, chegando ao Rio eu fui ver Meu Rei. Venci uma preguiça sabotadora (que estou aprendendo a identificar) e me mandei pra livraria atrás de um autógrafo, uma foto e de sentir de novo aquele frio na barriga, as palavras saindo trôpegas e a felicidade de estar diante de alguém que eu admiro longa e fielmente. Foi o último pedaço de dois dias fantásticos, saboreado com vagar e prazer. E fui pra casa comme il faut: feliz feito pinto no lixo.

Ele e eu

Ele e eu

Helê

PS: E o Mengão de volta ao G4?! Formô.

Recado para la Otra

Monix: eu vi Nunca te vi, sempre te amei (84 Charing Cross Road ), comovi-me bastante e acho que há algum sentido em ter esperado 21anos para ver esse filme. Porque eu, como você, leio sinais, mesmo os ininteligíveis, e não consigo crer que tenha sido por acaso que logo você, minha sócia nesse escrever para fora e para outros, recebendo comentários e presentes de “desconhecidos” tão próximos quanto queridos… não, não pode ser coincidência que, de certa forma, você tenha me contado essa história. Talvez eu esteja viajando muitíssimo, mas encontrei similaridade entre aquela história e a nossa lida aqui. Pensei na cachaça que a Meg mandou pra mim, na bolsa que a Beth te deu, na canção que enviei certa vez para o Adriano, e tantas pessoas para quem demos e recebemos e sequer pudemos ver, mas que encontramos através das palavras e da disposição para o encontro, talvez a principal força motriz da blogosfera.

Obrigada, Só. Pelo conjunto da obra.

Helê

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