Leap of faith

(Via Picsy)

Vejo a foto e na Rádio Cabeça começa a tocar  imediatamente uma canção ensolarada e cheia de boas vibrações:

“Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos”

(Tudo Novo de novo, Moska)

Provavelmente porque a canção serviu de tema para uma série que retatava um casal no segundo casamento, achava que a canção adequava-se a essa situação específica. Mas, ouvindo bem, vale para qualquer casamento, porque fazer tudo novo de novo é um dos muitos mistérios de qualquer relação saudável e prazeirosa. Desconfio eu.

Este post é dedicado a Paula Grassini & Príncipe, casal adorável cujo amor inspira quem deles se aproxima

Helê

Advertisement

Estados civis

Casamento não é para fracos. Nada pessoal, sem ofensas – nem mesmo à instituição, que eu até acho válida. Apenas uma frase de efeito para sublinhar a complexidade da condição de casado (ou “comprometido”, termo que soa obsoleto mas que considero muito  preciso). Um alerta para os incautos que ainda acreditam em felizes para sempre. Você nunca vai ser feliz para sempre, baby: nem quando casar, nem quando tiver filho, nem quando separar, nem mesmo, suspeito eu, quando acertar na loteria sozinho. Leva tempo para a gente compreender isso, e quanto mais cedo entende, mais chances tem de ser feliz. Mas nunca para sempre, prestenção.

✽ ✽ ✽

A solteirice, por outro lado, destina-se a amadores: é mais bem aproveitada quando provisória, e não compulsória. Porque independente do seu grau de interessância, a Lei Geral da Física Sexual estabelece que a quantidade de opções decai com o passar do tempo, salvo raríssimas exceções. Há dificuldades específicas para quem volta a ser solteiro depois de um tempo fora de combate. Equivale a voltar para uma festa que estava ótima e perceber que tudo mudou enquanto você esteve fora: a decoração, os convidados, o DJ e até (ou sobretudo) você. Que começa, inclusive, a questionar se a festa estava tão boa assim quando você saiu.

(via observando)

Helê

Justly married*

Minha sócia enviou o link de um excelente post da Lola sobre a direita americana e o casamento gay. Também informou sobre as articulações em Portugal, que vota na próxima sexta, dia 10, uma lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo (ia escrever “entre iguais”, mas só se fossem gêmeos univitelinos, né? ;-) As armadilhas da linguagem…).

É meio óbvio, ou melhor, simplista o que me vem à cabeça. Filosofia de botequim barata, talvez, mas é mais forte que eu: toda vez que eu vejo esses grupos inflamados berrando contra o casamento gay eu tenho vontade de me aproximar dizer: “Calma gente, vai ser permitido mas não obrigatório, tá? E é pra quem quiser, vocês podem continuar no armário, na boa”. Porque não consigo entender de outra maneira essa sanha se não como auto-repressão dos instintos. Precisa ser pecado e precisa ser proibido, ou de que outra maneira a pessoa refrearia as suas tendências homo? O inferno tem que ser os outros, ou eu não me salvo.

*Trocadilho com a expressão ‘Just married’ (recém casados) que pode ser traduzido por ‘casados justamente’, ‘com justiça’. Pesquisando no Google vi que já tem um filme com esse nome, cuja logo é essa que ilustra o post.

Helê

***

Update: Caso a lei seja aprovada, teremos que abandonar aquela imagem de um Portugal conservador e carola que carregamos conosco. Lá será o país do aborto permitido e do casamento civil. Tipo assim, quase uma Holanda.

-Monix-

O segredo do sucesso

Uma amiga perguntou, para um grupo de outras amigas, “qual o segredo do sucesso de um casamento?”
Depende, né. Do que você considera sucesso, é claro.
Eu acho que um casamento (ou qualquer relacionamento) é bem sucedido enquanto funciona para os dois. Quando a gente se relaciona com alguém por muito tempo, sendo casados ou não, acaba assumindo “papéis”.

(Por exemplo: a mulher que faz tudo, que ocupa todos os espaços, que resolve todos os pepinos + o marido acomodado, que quer tudo a tempo e a hora, que não se coça e ainda reclama. OU: a dondoca que só quer saber de compras, que não lava um copo porque a empregada tá aí pra isso, que passa o dia no salão e no xópim + o marido provedor, durão, que adora ter uma mulher linda e fútil para exibir por aí. São estereótipos, é claro, mas o fato é que a gente vai assumindo um papel, com o tempo, seja ele qual for.)

Quanto mais o tempo passa, mais arraigados vão ficando esses “padrões” do relacionamento, e mais difícil é romper com eles.

Para mim, o “segredo do sucesso” (se é que existe isso) é a gente perceber que não quer mais ficar presa naquele estereótipo – que, não se engane, a gente mesma ajudou a criar e colaborou imensamente para reforçar – e tentar sair dele de uma maneira “negociada”, dentro do possível. Aí é que entra a verdadeira dureza da vida a dois, porque negociar mudanças, ainda mais quanto a relação está muito consolidada, não é nada fácil. Mas às vezes dá certo. É claro que, no processo, haverá perdas e danos, porque, como diz o ditado, não dá pra fazer a omelete sem quebrar os ovos. Mas muitos casais que eu conheço passaram por processos como esse e se reinventaram. É um trabalho constante, mas, mesmo assim, possível.

Em outros casos, a mudança transforma aquele par num não-par. Como se costuma dizer: cada um mudou para um lado, e aí só resta o desencontro. Nesse caso, a saída mais honrosa, na minha opinião, é se dar conta disso e perceber que foi bom enquanto durou.

Às vezes ficamos tomados pelo momento e não enxergamos que a mudança irá provocar resultados lá na frente, e que, bons ou ruins, vamos conseguir lidar com eles e transformar o que quer que aconteça em parte da nossa história.

Monix, em momento Não Dois, Não Um

Uma mulher sem um homem é como um peixe sem bicicleta.

Vi a frase num imã e apaixonei na hora. Entre outras coisas porque me fez rir e eu, como reza a canção, respeito muito minhas risadas. Pensei em dar pra um casal de amigas, muito queridas, mas logo percebi que não era o caso, não exatamente. Não havia ali uma defesa da homossexualidade, mas um brevíssimo libelo contra o paternalismo e a dependência (uma via de mão dupla, inclusive, porque a frase continua verdadeira se trocarmos os substantivos de posição). O fato é que o lado feminista falou mais forte, eu comprei o imã e o colei, feliz e faceira, na geladeira lá de casa. Na manhã seguinte, ao entrar na cozinha eu encontro meu marido ao lado da geladeira, quase pregado como um outro imã. Só que a frase era: ”Quer dizer que eu não tenho utilidade nenhuma?” Tentei argumentar, apelando pros princípios liberais e libertários dele – que não são poucos – mas não houve jeito. Ele tomou a questão como pessoal e, para o bem do casamento, eu retirei o artefato da geladeira.
Mas não me dei por vencida e decidi testar se a atenção do meu cônjuge era igualmente dirigida para afagos tanto quanto para supostas provocações. E na semana seguinte a geladeira passou a ostentar um verso de Caetano: “Seu corpo combina com meu jeito“. Esperei dias, e diante do silêncio, tive que mostrar:
– Você não viu o imã que comprei pra você?
E ele, sorrindo surpreso: – Não, era pra mim?
E eu, sorrindo possessa: – Não, claro que não, evidente que era pra empregada, oras!


Helena Costa

%d bloggers like this: