Partiu

Fecha o parêntesis. Manda descer a vida que tava em suspenso. Confirma a consulta de terça. Interrompemos nossa transmissão por alguns instantes. Programação normal. Mais quatro anos de espera – nos quais há uma copa do mundo pra organizar, estádios pra construir, não falta o que fazer.

Fiquei frustrada, sim, mas foi o máximo que me permiti. Minha primeira copa inteligível foi a de 1982 –  laranjito, voa canarinho, Júnior e Paolo Rossi, compreende? Isso forma o caráter do cerumano, marca a vida da pessoa prasempremente, diria Odorico. Nunca mais consegui torcer pra seleção da mesma forma. E depois disso teve, não necessariamente nessa ordem: Cannigia, Era Dunga, era Dunga 2 – a revanche, Lazaroni, Romário cortado, Ronaldo babando, Ronaldo arrasando – nooosssa, agora eu mesma entendi porque é que eu fiquei assim tão cool com o resultado do jogo de hoje. Estrada, mes amis, e quilôôômetros rodados.

Lamentei mais por Ghana.

Helê

Mamma África

Ainda no espírito deste post, uma coisa que acho interessante nessa Copa da África do Sul é que com a maior visibilidade das seleções africanas tende a diminuir o irritante hábito* de tratar o imenso continente como se fosse um país, como se fosse homogêneo, como se fosse um vasto território ocupado por negros subdesenvolvidos.

A África, como é óbvio no caso de um território tão extenso, compreende na verdade várias Áfricas. Inclui da Charlize Theron à Cesária Évora; das mulheres de burca no Egito e no Marrocos à Graça Machel.

O jogo entre Uruguai e Gana ainda não terminou – faltam poucos minutos para o fim de uma prorrogração emocionante – mas independentemente de o país africano continuar ou não na competição, acho que o saldo foi, afinal, positivo.

Quanto ao Brasil… vamos ter que torcer por uma seleção mais qualificada em 2014. Que seja nossa chance de riscar da história a maldição do Maracanã!

-Monix-

* (Eu vivo fazendo isso.)

Bafana Brasil

  • Dunga X Globo?  Contra o monopólio sempre, mas a favor da grosseria e do destempero… Sei não, pra mim é o caso típico de ter que escolher o lado bom de uma briga podre. Não me apetece.
  • Gamei no jogador da Costa do Marfim, ou melhor, no nome dele: Yaya Touré. Parece assim um cantor de pagodê. Coisa mais fófis.

  • O mimimi contra as vuvuzelas me irritou mais que as próprias, na boa.
  • Olha, com o crilouro eu já me acostumei há tempos, graças ao Ivo Meireles. Mas japa louro eu ainda acho muito esquisito, cara.
  • Vamocombiná que patolada é mais antigo que o futebol. O que me surpreendeu na imagem foi maleta do Messi –  quem diria, hein? E eu que não dava nada pelo menino!

  • Alguém me diz por favor porque o Grobonline criou uma coluna com o inacreditável nome de ‘grama na calcinha’? Por que falou em mulher automaticamente falou em calcinha, sutiã, corpo, sexo? Canseira, viu? Coisa mais atrasada isso, sô.
  • Destaque da primeira fase da Copa: times africanos e suas camisas justíssimas. Delícias, nham, nham!
A seleção de Gana de branco, e jogadores de diferentes países africanos com o uniforme continental feito pelo patrocinador.

Jogadores de diferentes países africanos com o uniforme continental feito pelo patrocinador, e abaixo, a seleção de Gana.

  • Eu que, como se sabe, adooogo uma bobagi, tô me divertindo com  o Barbeiarobinho e rolei de rir com a musa da baixaria Katylene. A resenha que ela fez da Cuópa tá imperdível.
  • Agora são os gajos, ó pá. Será que a gente almoça vacalhau com binho, Sócia 😉 ?!

Helê

Vibração

Por incrível que pareça, em quase 20 anos de carreira hoje será a primeira vez que sairei mais cedo do trabalho, no Centro, para assistir a um jogo do Brasil.

Na Copa de 1994, estava recém-formada e fui contratada na semana em que os campeões estavam de volta ao Brasil. No meu segundo (ou terceiro?) dia de trabalho, fui toda animada para a rua receber a comitiva dos tetracampeões (só quem viveu aquela Copa sabe o que significou vencer depois de 24 anos esperando uma seleção campeã). O atraso foi homérico. Eu estava com a garganta inflamadíssima. Trabalhava no dia seguinte (emprego novo, recém-formada, não se esqueçam disso). Resultado: à uma da manhã peguei um táxi e fui para casa. No dia seguinte todos comentavam que ficaram até sei lá que horas da madrugada, viram o sol nascer, beberam até cair e tal e coisa, e eu só lamentava não ter visto Romário e companhia. Segundo maior trauma no que diz respeito a eventos históricos, perdendo apenas para a proibição paterna ao Rock in Rio primeira edição.

Em 1998, trabalhava em TV e fiquei de plantão no Rio, para as indefectíveis matérias sobre esquema de trânsito, Alzirão, comemorações na rua etc. Vi quase todos os jogos comendo pipoca na redação com os coleguinhas.

Em 2002, estava grávida e de repouso absoluto por recomendação médica. Não podia sofrer nenhum tipo de emoção forte sob risco de precipitar um parto prematuro. Tá bom pra vocês? Super combina com Copa do Mundo, né? Tentei não acompanhar os jogos, na madrugada (Japão e Coreia, lembram?), mas foi pior: o silêncio torturante me deixava ansiosíssima para saber o que (não) estava acontecendo. Assisti à Copa deitada na cama, muitas vezes cochilando entre um lance e outro.

Em 2006, estava em Cuba. Ficava sabendo dos resultados por um turista italiano do meu grupo, que torcia deseperadamente contra o Brasil, mas, coitado, remava contra a maré: todos em Cuba eram canarinho desde pequenos. Voltei para o Brasil pouco antes do jogo fatídico de nossa eliminação.

Sendo assim, me preparo para daqui a pouco sair à rua e ver o que nunca vi: a cidade se preparando para a festa máxima da nacionalidade brasileira.

E viva o Brasil.

-Monix-

Bafana, Bafana!

Então é isso, começou!

*

La Outra abriu os trabalhos e iniciou as Opniões Não Solicitadas sobre a nossa segunda Copa do Mundo – sim queridos, eu, vocês, nós duas, já temos uma passado, meu amor…

*

Como a Sócia já salientou (adoro usar essa palavra, sempre penso em saliência, of claro!) essa é uma excelente oportunidade para conhecer o Outro. Que, como outras coisas nessa vida, fica mais divertido com filho pequeno. A gente repara como passa certos valores – e aprende outros tantos também.

Eu e a pequena ficamos escolhendo por quem torcer. França  e Uruguai? Uruguai, filha, são nossos vizinhos. México e África do Sul? Os negões, claro – foi mal, Khalo, mas a diáspora fala mais alto. Grita. E dança.

Aí chegamos a Coreia do Sul e Grécia. Por quem torcer? A menina resolve:

Não é na Coreia do Sul que mora a Pucca, mãe? Então! Coreia, claro.

Óbvio, né, gente?!

Helê

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