A bandeira da Copa

Seis ativistas e uma ideia simples e genial para denunciar a homofobia em um país onde você pode ser preso se portar a bandeira LGBT. Coragem e criatividade contra a ignorância e a truculência. Para mim, uma das imagens marcantes dessa Copa da Rússia.

Leia mais sobre a iniciativa no site The Hidden Flag.

Helê

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Perdón, hermanos

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A madrinha agora torce pelo Brasil 🙂
(enviado pelo Christian Morais, nosso fiel leitor)

Chato mesmo ter que derrotar o México, que tem um carinho enorme pelo nosso futebol desde o tricampeonato conquistado lá…mas faz parte. Vamos em frente, que é vem a Bélgica!

Helê

 

Pastilhas Garota* – da Copa

  • hortelaChegamos à metade da Copa do Mundo, fim da fase de grupos e nós tá como? Achando ruim que hoje não vai ter jogo.
  • Ah, também estou absolutamente enojada de todos os comerciais. Eu não sei que estratégia publicitária é esta que repete à exaustão as peças a ponto de você ficar com raiva do anunciante. Só vejo tevê com o controle na mão, pra tirar o som do aparelho nos intervalos.
  • Várias trajetórias sofridas ganharam destaque nesta primeira fase, como a de Alireza Beiranvand, goleiro do Irã, que fugiu de casa para jogar futebol, o belga Romelu Lukaku, que escreveu sobre a pobreza da infância, ou o Luka Modrik, croata que foi refugiado de guerra. O circo da Copa adora um drama, é verdade, mas parece que foi preciso achar outros heróis quando as grandes estrelas parecem glamorizadas e distantes demais. E vacilando na hora de confirmar o status de super-heróis…

  • Assisti ao primeiro jogo do Brasil em casa, sozinha. Frio, preguiça e a irresistível possibilidade de fazer algo que nunca tinha feito antes. A primeira grande vantagem é se livrar do Galvão, essa anta onipresente. Não fiquei tensa. Nem contente com o gol – essas emoções passam de um a outro como corrente elétrica. Isolada e desconectada desse time que eu mal conheço, foi só mais um jogo.
  • Durante a partida cheguei à janela e ouvi o silêncio mais profundo desde que moro aqui, há mais de dois anos. Domingo à tarde numa movimentada rua da Tijuca parecia madrugada. Impressionante
  • Ao segundo jogo assisti com um galera divertidíssima. O time jogou melhor, mas nada de gol. Abri uma cerveja aos 42 do segundo tempo porque o Brasil, como se sabe, me obriga a beber. Logo depois saiu o gol. Conforme queríamos demostrar.
  • No terceiro jogo estive com outra turma bacana, e o Brasil jogou melhor. Assim, está estabelecida a superstição desta Copa: nunca assistir um jogo da mesma maneira que o anterior.
  • Gente, e Eckateremburgo? É uma cidade ou uma batucada? Toda vez que alguém fala na tv “Agora, direto de Eckateremburgo:” eu espero: “Grupo Fundo de Quintal!!!”
  • Resultado de imagem para troca de passes sportv grafiteLogo no início da Copa dei de cara com o jogador Grafite na bancada de um programa esportivo. Achei que era um convidado, mas ele é comentarista fixo. A simples imagem dele tela causa um impacto: ao ver um negro retinto na tela, imediatamente nota-se a raridade dessa imagem. Uma presença que evoca ausências.
  • No dia seguinte, o ex-árbitro Paulo César Oliveira foi convidado. Dois pretos! Pensei maquiavelicamante: “Até o o final da Copa tomaremos a bancada inteira! Huahahahahaha!” (risada de vilão)
  • Sinto uma sensação boa (e rara) quando me vejo na tela. Algo entre o conforto e a acolhida, numa definição imprecisa.
  • Já são muitas as imagens para colecionar – emocionantes, engraçadas, bizarras. A comemoração do primeiro gol do Panamá em Copas, torcedores da Colômbia consolando um menino polonês, o belga que foi comemorar o gol e se deu uma bolada na cabeça, o zagueiro senegalês descansando na trave enquanto sofria um gol. Entre os mais divertidos estão os que celebram a repentina amizade entre mexicanos e sul-coreanos:

  • Resultado de imagem para mexicanos na embaixada da coreiaE o vídeo impagável dos mexicanos fazendo o Consul da Coréia tomar um shot de tequila com o coro “Coreano, hermano, ja eres mexicano!” O cara foi carregado nos braços!
  • Também muito bacana esse momento captado ao final do jogo Panamá x Bélgica (assista sem som, porque a narração melodramática é desnecessária) :
  • Entre os melhores momentos está, óbvio, a reação da repórter Júlia Guimarães ao assédio de um torcedor (sim, de novo e sempre).
  • Bateu uma schadenfreude com a eliminação da Alemanha (ainda mais que a palavra é deles). Segurei um pouco a onda porque nosso jogo era logo depois, karma is a bitch e tal. Os primeiros memes que recebi eram inclusive ingênuos, com Minions. Mas depois da classificação brasileira, a zoeira foi impiedosa:

  • E eu havia decidido não falar sobre o menino Neyma porque, né? Não precisa, já tem gente demais falando. Mas eu não vou parar de rir nunca com esse vídeo do roda o pião:

  • Nem só de zoeira vive a Copa, mas também de lances belos e plásticos como esta foto de Eugênio Sávio

Lance do gol de Paulinho na partida contra a Sérvia

  • Sobre pão e circo (ainda isso?), devo dizer que estou buscando a alienação deliberadamente, aboletada na arquibancada – mas a lona é transparente. Acompanho a copa sem esquecer das atrocidades do governo russo, um dos piores no tocante aos direitos humanos, em especial contra a comunidade LGBT. Sei que já se passaram mais de três meses sem saber QUEM MATOU E QUEM MANDOU MATAR Marielle Franco. E não pude deixar de chorar quando a polícia assassinou o menino Vinícius na Maré, a caminho da escola. Sem o circo eu não sou capaz de dar contar conta da realidade.

Helê

*Porque Drops só a Fal distribui (e são os melhores).

R.E.S.P.E.C.T

Já escrevi mentalmente várias anotações sobre a copa da Rússia mas esse vídeo de ontem não pode esperar: tem que ser exibido muitas e muitas vezes. Nele, a jornalista Júlia Guimarães se defende do assédio de um passante e revida, falando por si e por todas as mulheres:

 

 

A postura dela é absolutamente impecável; embora irritada e abalada com a postura do macho, Júlia retruca sem ofender (o que nem acho imprescindível, apenas impressionante que tenha conseguido). E ainda educa o cidadão – caso ele tenha a capacidade de aproveitar o ensinamento.

Na lenta  evolução das relações entre gêneros e no combate permanente ao machismo, depois de denunciar e expor talvez tenha chegado a hora de reagir e revidar. Ainda que isso me cause conflitos, dada minha índole pacifista e o caráter excessivamente belicoso que vivemos. Mas a imagem de uma mulher que além de se defender, também ataca –  armada apenas de inteligência e presença de espírito – tem um poder inegável.

É este tipo de imagem que precisa viralizar para denunciar o assédio – e não o assédio em si, captado em vídeos idiotas de brasileiros que insistem em nos envergonhar.

Aretha Franklin já mandou essa letra – inclusive soletrou – mas ainda é preciso ouvir a Júlia dizer o que queremos: respeito.

Helê

#vaiterAlzirão

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Nem tudo está perdido: dois dias antes do início da Copa foi confirmada a realização de eventos na rua Alzira Brandão. Eu, que além de tijucana (por adoção) prezo pela tradição (cof, cof), gostei da notícia porque o Rio tem essa vocação para festa e para a rua. Agora sim, pode começar a Copa do Mundo.

Helê

Pastilhas* da copa

Estava achando todo mundo desanimado, mas me lembrando que achei isso em outras copas do mundo e na hora H apareceram as decorações, camisas, bandeiras. Até que minha filha me disse que não vai ter Alzirão. Se você não está ligando o nome à pessoa, essa é a mais antiga festa de rua organizada para acompanhar as copas no Rio de Janeiro, uma tradição de 78 anos. Então eu tive certeza que os preparativos e a animação para esta copa atingiram os níveis mais baixos, seja pela crise econômica ou pelas sequelas do 7×1.

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Além disso, embora pareça ter acontecido há 50 anos, a última copa foi aqui, né, aquele clima de festa, invasão de argentinos na Lapa, alemães assistindo jogo com a gente no Alzirão, Podolski parça postando no Instagram em português. Depois disso, e com a humilhante eliminação do Brasil, fica difícil se empolgar. Mesmo 50 anos depois.

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Vendo o último amistoso da seleção eu me perguntei se o bom futebol apresentado pode reverter esse quadro. Não creio: o vexame é ainda muito recente, há remanescentes atuando e estamos todos muito desconfiados – pra não dizer putos. Não por acaso, o mascote é o canarinho pistola.

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Fora a associação da camisa verdeamarela com a massa acéfala que nos trouxe a esse 2018 desesperançado e desesperador.

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Rodrigo Lasmar é médico da seleção. Que é, como deduziram os leitores da minha idade, filho de Neylor Lasmar, que foi médico da seleção em copas passadas. A CBF é a uma capitania hereditária, não é mesmo? (E a medicina também).

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Brasil x Áustria foi o primeiro jogo do Brasil que assisti desde aquela vergonha patética. Preciso aprender o nome dos jogadores, a copa tá aí nos calcanhares, e eu não posso perder os memes!

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Assisti a entrevista do Tite e percebi que estava gostando. Muito. Aí me dei conta do motivo: falta a arrogância, a empáfia e a deselegância de Dungas, Zagalos, Scolaris e quetais. Taí uma evolução gigantesca e bem-vinda.

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As viúvas da Itália (70% das mulheres que conheço) ficaram chorando a não-classificação dos bambinos. Eu quase perdi o sono com a lesão Salah – que, graças à Alá, está se recuperando.

#objetificaçãoagentevêporaqui.

 

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Enquanto a copa não chega, só há uma alternativa: segue o líder.

Helê

*Pastilhas porque, como até Pelé sabe, Drops só da Fal.

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