Voltar a caber – parte 1

Sexta-feira passada saí com uma calça que não entrava em mim há três anos.

Isso mesmo, foi usada pela última vez no lançamento carioca do livro Mothern, em 2005.

Se continuar assim vou recuperar várias peças guardadas na seção Gordo Esperança do meu armário – aquela em que fica tudo que guardo na esperança de emagrecer.

Helê

A primeira corrida a gente não esquece

Domingo passado  vivi essa experiência fantástica que é correr pela primeira vez uma corrida oficial, com direito a número na camisa, chip no tênis, linha de chegada e tudo o mais. E olha, é realmente emocionante, tudo: o frisson antes da prova, a diversidade de atletas, a incerteza da sua própria capacidade, o tesão da conquista.  Que no meu caso  era correr durante toda a prova, sem caminhar. Só isso, para o meu corpinho balzaca original de fábrica, iniciante e vários quilos acima do ideal, já seria o máximo. E foi.  Quando vi a placa indicando que faltavam 300m, e pude avistar o portal de chegada, eu percebi que ia conseguir. Aí me emocionei, deu um bolo enorme na garganta e eu quase não consigo respirar! Tive que ser meu próprio Bernardinho : “Não chora, criatura, não agora, concentra!”. Deu certo e eu cruzei a linha de chegada esbaforida, mas felicíssima comigo mesma e com meu feito.

Nunca achei que poderia correr, sempre tive pouca capacidade respiratória (fumei por 15 anos). Mas caminhava desde sempre, desde que descobri que era uma atividade física mas também um tempo pra estar comigo mesma. Então comecei a correr, primeiro distâncias curtas – até ali aquela árvore, agora até aquele carro – sem nenhuma orientação, e em pouco tempo eu corria durante 30, 40 minutos, na rua (Maracanã included). Mas aí veio a gravidez, a tireóide escangalhou e o mofo deu na farinha. Agora, setecentos anos depois, eu consigo algo que pensava não estar mais ao meu alcance, e essa é uma conquista inestimável. Além de ser uma experiência absolutamente nova, algo que eu nunca fiz antes na vida – e não é à toda que a tal propaganda virou um ícone, porque acertou na veia: a primeira vez tem um sabor único e especial (que a gente prova cada vez menos com o passar do tempo).

Pois essa foi a minha estréia no circuito das corridas de rua – por uma dessas ‘coincidências’, um circuito para mulheres que leva o nome do planeta que rege Libra, meu signo, no mês do meu aniversário, algumas semanas antes de trocar de pele e celebrar. Excelente maneira de se despedir da velha idade e saudar a versão 3.9 que se aproxima.

http://o2porminuto.uol.com.br/

Créditos: Louise Chin e Ignacio Aronovich

Evento CIRCUITO VÊNUS – RJ – 2ª ETAPA
Tempo Final 00:35:52.90
Modalidade 5K
Classificação Total 851
Classificação por Categoria 154
Pace Médio 00:07:11
Vel Media Total 8,36

Helê

PS: Sem falar no cenário, viu? Que correr no Aterro do Flamengo, tendo a Baía de Guanabara, o Pão de Açúcar e o Cristo ao fundo,  é um looosho!

PS2: No site da New Balance tem uma animação sobre corrida que é sensacional, “Amor e ódio”. Sabe aquelas introduções de site que a gente sempre pula? Se vc se interessa por corrida, veja. E este link nem é patrocinado (quem me dera!)

Meu próximo filme

Sócia, genial o post dos filmes aterradores para mulheres  – tanto que ganhamos até nota dez, viu só?

Vou aproveitar a carona do tema para avisar pra geral o que já te contei em particular: depois de uma demorada e dedicada arrumação no meu guarda-roupas, o próximo filme que pretendo protagonizar é:

 “VOLTAR A CABER“.

Inscrições abertas para os testes de elenco. ;-)

Helê

Conselho

(Da série Bis é Bão)

Digamos que, hipoteticamente, você, querida leitora, está acima do peso. Não importa quanto nem porquê; imaginemos apenas que este indesejado excesso acumule-se em seu abdômen de tal modo que, dependendo da roupa, da cor usada, do ângulo de visão ou da imperícia de quem olha, você possa parecer grávida (ainda que ligieramente). Se esse desafortunadamente for o seu caso e alguma alma gentil oferecer lugar no metrô ou no ônibus, não vacile: sente-se. Isso, sente-se. Não se sinta derrotada, não fulmine o vivente com o olhar e nunca, jamais, recuse. Eu sei, eu sei que sua mãe ensinou você a não mentir. E também a não se aproveitar da bondade alheia. Sim, eu sei que é feio. Mas vai por mim: aceitar é melhor pra todos, ou é o mal menor. Porque se você recusa, segue-se uma cascata de eventos desagradáveis:

1) a alma caridosa insiste (porque almas dessa espécie sempre insistem);
2) você recusa de novo;
3) a criatura percebe que você não está grávida, mas gorda, fica passada e se desculpa;
4) você constata que está gorda, aceita as desculpas com ódia, e fica passada;
5) pelo menos mais uma pessoa vê tudo, percebe que você está gorda e que o outro, querendo ser gentil, deu o maior fora;
6) vocês três (se forem só 3 os envolvidos, a melhor das hipóteses) passam o restante do trajeto evitando se olhar, passados;
7) você continua em pé.

É só uma hipótese, mas vai por mim: senta. Sorri, senta e enfia a cara no jornal, fecha o olho ouvindo o mp3 ou faz que tá cochilando – pra não ter que desenvolver a mentira (vai que é daquelas donas ”simpáticas” que resolve saber detalhes da gravidez?) Eu sei o que a sua mãe falou, a minha também disse o mesmo. Mas nesse caso, a sinceridade só faz deixar todo mundo vexado, com a melhor das intenções e a pior das conclusões. Senta. Dos males, o mais discreto.

Helena Costa

Este post foi publicado no blogger em julho de 2005. Versão revista e melhorada.

Acadêmicas

Seguindo o conselho da La Outra, matriculei-me em uma das melhores, se não na melhor cadimia do bairro. Segundo ela, se o sofrimento é inevitável, que seja vivido com o máximo de conforto, se possível com algum luxo (ou algo assim). Monix tinha razão: faz toda diferença não ter que esperar a vez na esteira ou exercitar-se em aparelhos descascados e defasados. Já são muitos meses de freqüência assídua. Se não consegui emagrecer, pelo menos venci o sedentarismo – o que não é pouco.

***

Logo de cara tive uma excelente impressão da cadimia: fui atendida por uma professora negra. E logo percebi que ela não é a única. Só então me dei conta que em todas as outras academias em que estive (e não foram poucas) eu nunca havia tido nenhum professor negro – a não ser na capoeira. E numa aula de…lambaeróbica. Pano rápido. Abafa o caso.

***

Academia, não sei se vocês sabem,  mudou muito. Não é mais lugar de gatinhas e gatões em que você, gorda ou gordo, se esconde numa camisa extra larga, torcendo pra que ninguém bote reparo em você. Ou pelo menos não é mais isso, por uma razão simples: os velhinhos da terceira idade, que invadiram o pedaço e mudaram o clima. Pra melhor, eu diria.

**

E olha, cadimia é o último lugar do mundo onde eu procuraria uma paquera, se quisesse uma. Porque lá eu não posso exibir minhas idéias bem torneadas, meu raciocínio definido,  minhas piadas saradas ou meu gingado balanceado. Mesmo assim, eu simplesmente não consigo entender essa onda segregacionista de academia só pra mulheres. Porque, eu já disse a vocês: eu não tô na pista, mas adoro assistir a corrida.

 

Helê

Das coisas que a gente (não) faz para emagrecer

Quarta-feira, Novembro 14, 2007

Opção 1: a pessoa faz o pacote semestral na academia, freqüenta três meses (arredondando) e ainda se pergunta: ué, mas eu tinha que ir?
Opção 2: a outra pessoa paga 30 reais para receber por e-mail cardápios diários com uma dieta balanceada caloricamente. A única providência tomada é criar uma pasta no programa de e-mail, para arquivar as mensagens.

Baseado em fatos reais.

Las Dos Hipócritas

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