A propósito

“Respeite seus pais. Eles fizeram o Ensino Médio sem Google nem Wikipedia” (tradução livre, leve e solta)

Como diria a diva Aretha Franklin, R-E–S- P-E-C-T!

Helê

Um Bansky

Eu sei que o Ricardinho vai vir aqui discordar, mas eu sinto o peso da idade, e nos momentos mais inesperados. Ao ver essa imagem, por exemplo: me identifico imediatamente com a senhorinha, gente. Quer dizer.

Helê

Resumindo

(Eventually)

Helê

Percepção

*Da série ‘E-mails que viraram posts’

Vou te contar um segredinho, daqui do Casa dos 40: volta e meia eu me deparo com fotos minhas antigas em que eu me acho muito bem, bonita, atraente, magra até. E sabe o que é doloroso, talvez mais até do que não me sentir assim agora? É constatar que eu era gostosa e não sabia, porque me lembro claramente que naquele momento da foto eu estava me achando gorda, feia, esquisita ou sabe lá o quê mais (e não estou falando da adolescência, período em que a gente se sente esquisito a maior parte do tempo) . E qual não foi a minha surpresa ao constatar que o fenômemo é coletivo: outro dia, numa mesa com várias mulheres da mesma faixa etária, todos ainda belas e desejáveis, todas elas disseram experimentar a mesma triste sensação: se olham em fotos de 10, 5, 3 anos atrás e percebem que estavam muito melhor do que achavam então.

Dá certa angústia, mas pode ser encarado de outra forma também: vai que eu tô gostosa agora e também não sei? Heim? Heim? Tá, #Pollyanafellings, eu sei, mas antes isso, que eu não tenho vocação pra tristeza . Envelhecer não é fácil, J., e pra mim começou nessa mesma época – quando eu passei a reparar nos mais jovens que eu. Mas em geral o desconforto, antes de ser físico,  tem a ver com projetos inacabados, sonhos negligencicados, falta de rumo. E, nesse contexto, não apenas a grama do vizinho parece mais verde, mas nosso passado também torna-se mais interessante de ser lembrado que foi de ser vivido.

(

(Via Tudo ao mesmo tempo agora)

Talvez eu aproveite algum pedaço desse e-mail para um post futuro. Com certeza aproveitarei pra mim mesma, porque algumas certezas só mantém a firmeza na forma de conselho prozoutros – tornam-se maleáveis demais quando  somos nós mesmos acometidos de insegurança. Porque já isse o Erhman, citado pelo Russo, “muitos temores nascem do cansaço e da solidão”. E alguns desejos também.

Parabéns, Geide, seja bem-vinda. A Casa dos Quarenta tem uma boa vista, excelentes companhias  e é mais ampla e acolhedora por dentro que por fora. Seja feliz e divirta-se. Aquele Abraço!

Helê

PS: O e-mail eu escrevi para um amigo, meses atrás. Durante a escrita percebi que poderia virar um post; acabei escolhendo hoje como um presentim para  a Geide,  que chega a Casa hoje.:-)

Um novo paradigma

“Segundo a OMS, o envelhecimento populacional impõe – por razões econômicas de Estado e por motivos psicológicos individuais e sociais – uma prorrogação da fase laboral ou um adiamento da aposentadoria. No entanto, as políticas públicas devem trabalhar a favor de um processo de convencimento e criar condições sociais e legais para a sociedade atingir essa meta sem fazer concessões às visões preconceituosas da figura do idoso. De acordo com a OMS, o novo paradigma a ser adotado desafia o ponto de vista tradicional de que aprender é função de crianças, trabalhar, dos adultos, e aposentar-se, dos idosos. [grifo meu]

“Viver muito: outras ideias sobre envelhecer bem no sec .21 ( e como isso afeta o seu futuro)”, Jorge Félix (Ed. LeYa)

(via Alessandro Martins)

Achei o conceito revolucionário, uma maneira absolutamente desafiadora de olhar para o mundo. Gostei.

Helê

In between

Estive numa festa, já faz uns anos, em que senti assim, in between. Era aniversário de uma pessoa muito querida que fazia 25 anos; então na festa tinha a galera dela, nesta faixa de idade, e os amigos da mãe dela, ali entre os cinquenta ou mais. De modo que eu fiquei in between – mais enturmada com a garotada, confesso.

No meio do papo com um surfista eu disse que antes de envelhecer queria aprender a surfar. Daí o interlocutor respondeu: “E eu quero fazer vôo livre antes dos 30!” Então me dei conta que, pra ele, eu já tinha envelhecido. Mas o mesmo cidadão me acudiu quando disse que na vida é preciso plantar uma árvore, ter um filho e publicar algo na internet. “Ué, mas não era escrever um livro?”, perguntei curiosa e já remoçada. Ao que ele respondeu: “Não, o que importa hoje é comunicar, e o mais rápido possível”.  Fingindo modéstia disse que tinha um blogue, e ele ratificou: “Então você está totalmente up to date!”.

Compreendi afinal que envelhecer é caminho sinuoso, nada linear ou previsível: a gente vira uma curva de repente se sente mais moderna e jovem do que duas ladeiras atrás; sai de um túnel e alguns anos se passaram. Interessante, emocionante, surpreendente.  Sigamos, pois.

most beautiful highway

Helê,

aproveitando um rascunho de 2 ou 3 anos atrás, que precisava mesmo desse tempo pra amadurecer e virar post.

Aging

Helê

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