Filho não é a mesma coisa que criança

O síndico da blogosfera já dizia que gostar de crianças é diferente de querer ter filhos. Ao que nós podemos contrapor: por sua, vez, querer ter filhos não necessariamente é a mesma coisa que gostar de crianças.

Pensem com a gente: bebês crescem, viram crianças, depois pré-adolescentes e adolescentes. Num estalar de dedos (o tempo voa, minha gente), seu bebê é um adulto. A infância provavelmente representará a menor parte do relacionamento de uma mãe (ou pai) com seu(s) filho(s). Todos nós somos adultos e quase todos temos pai e mãe, não é? Se a gente pensar bem, são 10 anos de infância, mais uns 8 de adolescência e o resto da vida – estamos falando de um período de 50 anos antes de passarmos desta para a melhor? – para conviver com nossos filhos em idade adulta.

Ter filhos tem a ver com gerar, criar, amar. Ter filhos não necessariamente tem a ver com gostar de criança, ter jeito para brincadeiras, criatividade para festinhas, disposição para acordar de madrugada, paciência para montar quebra-cabeças, memória para decorar o nome de todos os alienígenas do Ben 10, ou saco pra assistir Hanna Montana. Pode ter a ver, mas não necessariamente.

Há coisas mais importantes que tudo isso: saber encontrar o equilíbrio entre a autoridade necessária e o autoritarismo indesejável; ter responsabilidade para identificar o que é melhor para seu filho; ter maturidade para ser aquela chata que não deixa nada, sem medo de não ganhar o troféu de popularidade (mãe é pra isso, também); ter sensibilidade para perceber os sinais que as crianças nos enviam; conseguir viver nossas próprias vidas sem abrir mão de estar presente na vida deles.

E o mais legal de tudo isso é que de repente a gente se pega até curtindo a produção da festinha, a brincadeira de boneca/herói, a montagem do quebra-cabeças.

Duas Fridas

%d bloggers like this: