Haiti – Um post perdido

Como vocês verão, perdi completamente o táimin do post abaixo, que foi escrito após do terremoto no Haiti, em janeiro deste ano. Ao encontrá-lo hoje, achei que está bem-feitinho e seria uma pena não publicá-lo. Além do mais, o vídeo é realmente marcante, sério candidato a figurar entre as imagens do ano. E esse post  fora de hora talvez nos faça pensar em como estão as coisas por lá, agora que as manchetes dos jornais ocupam-se de outros dramas e desventuras.

Haiti

Eu devo confessar para vocês, como já fiz para outros amigos próximos, meio envergonhada, que procurei me manter à margem das notícias sobre o terremoto no Haiti. Para me preservar. Olhava assim por cima, lia as primeiras páginas de jornal na banca, ouvia as chamadas do telejornal mas não queria saber detalhes. Porque é o tipo de coisa tristíssima demais, o coração pesa, a garganta dá um nó e a gente se sente impotente demais da conta. E a partir de um certo momento na vida a gente aprende a se preservar, grazadeus, principalmente daquilo que não podemos mudar.

Mas nos tempos atuais, em que a informação chega sem que precise ser requisitada, ficar alheio torna-se um desafio e tem suas limitações. Acabei por ler sobre a tragédia e, claro, comover-me profundamente com ela. Juntei roupas com minha filha pra fazer uma doação, na renitente tarefa de fazer do limão uma limonada e dar uma noção de solidariedade para a Pequena (que acha que Haiti não deveria ser nome de um país, mas de uma bebida, e seus apreciadores seriam então os haitianos. Ah, as crianças…)

Bom, se é pra deixar a emoção fluir, então que seja com uma imagem positiva, de esperança e alegria. Desde já catalogada entre as melhores imagens do ano está o menino resgatado dos escombros  oito dias após o terremoto. O gesto dele, de abrir os braços e sorrir vitorioso e feliz depois de ficar tanto tempo soterrado me emociona até a raiz dos cabelos, e eu chorei todas as vezes em que vi o vídeo. Mas esse choro eu consigo suportar, é um sorriso líquido, que não cabe na boca e tem que transbordar pelos olhos, porque no coração não cabe  tamanha esperança e alegria.


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