A mídia subiu no telhado (de novo)


Gente, o papa foi eleito para Academia Brasileira de Letras e eu não soube?

Essa manchete, publicada no sábado de manhã — antes, portanto, da confirmação oficial da morte de João Paulo II — já adiantava o espetáculo exagerado da mídia que viria a seguir. Eu não sou católica, admito — embora tenha reservas de cristianismo indeléveis na minha formação. Mas mesmo considerando a extensão e influência da igreja católica aqui e no mundo eu não consigo entender porque tanto espaço e tempo dedicados à morte de um homem idoso e seriamente doente há anos; internado há semanas. Também não consigo enxergar tanta excepcionalidade numa suposta ”trajetória dedicada à paz” – como se essa não fosse um missão papal em si. Sim, foi um longo papado, 26 anos, mas desde quando longevidade é sinônimo de qualidade? E porque foi longo, porque nos últimos anos de vida foi executado com esforço e sacrifíco físico ele torna-se automaticamente um santo ?

Além disso, há algo de muito incômodo — para dizer o mínimo — nesse longo ritual fúnebre exibido à exautão pelas tevês de todo o mundo. Sobre isso o Guilherme Fiúza escreveu muito bem no texto ‘O papa empalhado’. Embora não concorde totalmente com o texto, ele aponta interessantes razões para a minha estranheza diante dos ritos e vale a leitura – se me permitem a dica.

Helena Costa

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