Soul cake

Para não dizer que não falei de natal, deixo aqui este vídeo com a canção que dá nome ao post, uma das minhas (poucas) tradições natalinas. Deixo para ouvir apenas nessa época, fica guardada junto com a árvore e pisca-pisca durante o resto do ano:

Conheci por acaso: zapeando pela tevê como sempre faço, me apaixonei à primeira ouvida – o que raras vezes acontece. Claro que a rouca voz do Sting, o arranjo elaborado, o concerto dentro da catedral, a alegria com que os músicos a executam, tudo isso contribuiu. Mas eu segui vendo o especial e nenhuma outra música me tocou tanto. Diz a Wikipedia que trata-se de uma canção cujas origens remontam ao século 19, registrando tradições ainda mais antigas, provavelmente surgidas na Idade Média, em diferentes partes da Europa. Era costume oferecer um tipo de bolinho (os soul cakes) aos mais pobres em certas datas, como o natal.

Algo me comove nesta canção, não sei ao certo se  a melodia,  se a humildade da letra — que pede qualquer coisa que possa alegrar (“Any good thing to make us all merry”) e agradece pedindo bençãos à quem concede (“We’ll wish you ten times more.“). Ou esse violino, tão irish quanto country e nordestino. Ou ainda o registro pungente da miséria e da caridade, que se perpetuam no tempo e no espaço assim como a criatividade de usar a música para realizar algo que, sem ela, seria apenas sofrimento. Talvez seja tudo isso junto, e mais coisas que a gente não explica mesmo.

Ofereço a canção como um soul cake para quem me lê; que essa seja (mais) uma noite feliz.

Helê

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“New Shoes” by Gerald Waller, Austria 1946

Menino de seis anos, vivendo em um orfanato na Áustria, após a 2ª Guerra Mundial, abraça um novo par de sapatos dado pela Cruz Vermelha. Foto publicada na revista Life.

(Do Flickr via Pinterest)

Seja um par de sapatos, o eletrônico de última geração ou a valiosa oportunidade de estar aqui agora: aceite e agradeça.

E tenha uma noite feliz.

Helê

Milagre de Natal

Ao contrário do que vinha acontecendo, digamos… na última década, este ano até estou animada para o Natal. Fiz uma decoração discreta e simpática em casa, já estou começando a entrar no clima de retrospectiva 2012/perspectivas 2013 e nem estou mudando de calçada quando aparece uma guirlanda.

O motivo para isso é muito simples, e ao mesmo tempo complicadíssimo: este ano, graças a uma ideia brilhante do meu irmão (não é o da carteira, é outro) minha família não irá trocar presentes. Nem amigo oculto vamos fazer. Só para as crianças serão presentadas, e é claro que isso é problema do Papai Noel, e não nosso. 😉

Resolvi tudo em 20 minutos no Submarino e pronto. Não vou entrar em lojas lotadas, não vou ficar na fila do estacionamento do  shopping, não vou precisar fazer uma lista com nomes e presentes comprados (apenas para ir acrescentando novos nomes e ficar agoniada com a quantidade de campos em branco aumentando). Este ano, o Natal é só alegria. Graças ao gênio do meu irmão, (quase) todas as obrigações chatas foram eliminadas, e vamos apenas usufruir da companhia uns dos outros, como deve ser.

Crianças, tentem fazer isso em casa.

-Monix-

 

 

Sábado, Dezembro 22, 2007

Já é Natal? Quase, né? Ainda tenho umas últimas comprinhas a fazer (sempre falta uma coisa ou outra de última hora), o espírito natalino ainda não baixou em mim, segunda-feira tenho que cumprir tabela no trabalho (até a uma da tarde), mas agora é a contagem regressiva.
Tive Natais deliciosos na infância. É uma memória que sempre vou carregar comigo. De um lado, uma família cheia de primos da mesma idade. Ensaiávamos autos de Natal para apresentar para os pais, tios e avós, comíamos uma ceia meio sem gosto (minha avó paterna não era uma pessoa culinária), íamos à Missa do Galo à meia-noite (tempos mais seguros, aqueles), ganhávamos poucos presentes, porque o importante era estar juntos e celebrar o sentido religioso da data, numa família rigorosamente católica.
No dia 25, Papai Noel passava lá em casa, deixando sempre muitos presentes, alguns deles feitos pela minha mãe, o que na época não me incomodava. É lindo perceber como é feita a crença das crianças: elas (que nós já fomos, um dia) acreditam no que querem, com o coração e não com o raciocínio.
Depois, a maratona continuava, na casa da minha avó materna, onde rezávamos o Pai Nosso em um círculo, com a família toda de mãos dadas, e o mais novo dos primos depositava o menino Jesus na majedoura do presépio, já preparado e esperando apenas o grande homenageado do dia. Lá, a comida era farta e deliciosa. Os presentes, também muitos. E a tarde se encerrava com minha tia-avó, que mora num apartamento imenso em Copacabana, onde recebíamos a bênção de minha bisavó e encontrávamos primos distantes, parentes de diversos graus, todos reunidos em torno da matriarca da família.
Só me dei conta de que era de fato adulta quando Natal passou a ser sinônimo de estresse, correria, listas intermináveis de presentes impossíveis de comprar a tempo, indefectíveis amigos-ocultos, incompatibilidade de agendas natalinas – pais separados, avós, sogros… Deixei de ir à casa da tia-avó, a bisavó já morrera e o evento não caberia no meu cronograma de 48 horas de festejos obrigatórios.
Foi quando meu filho nasceu que o Natal voltou a ter encantos que estavam quase esquecidos. A cada ano que passa ele se encanta mais com os preparativos, os enfeites da casa, o calendário do advento (uma das tradições familiares que consegui recuperar), a cartinha para o Papai Noel… Daqui a alguns anos, que passarão mais rápido do que devem, ele não acreditará mais no bom velhinho e o Natal novamente será uma época de estresses vários, mercantilismo, obrigações sociais inescapáveis.
Mas enquanto eu tiver o privilégio de ver a festa através do olhar de uma criança – minha criança interior renascida nos olhos do meu filho – pretendo aproveitar cada momento.

Feliz Natal para vocês também.

-Monix-

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