Pais

Alguns créditos:
– Somali girl taking shelter under her father as they queue for a meal at the dadaab refugee camp in eastern Kenya. (Salvo de nbcnews)
Will Smith & Jaden Smith
– Barba: Izismile
– Kobe Bryant &  Daughter  (camisa amrela)(Salvo de expressionsofsisca.tumblr.com)
– Actor Brian White holding his adorable daughter. (Salvo de blackcelebkids.com)
– Robert Downey Jr. and his son (kikisloane.tumblr)

Helê

Anúncios

Sob o sol de Libra

.
fe4a4d263dd559b5b9bc397c6e9edbd6 (Encontrado em choklatte-shoppe-4u.tumblr.com)


Sobre esse lugar in between, privilegiado e  kinda angustiante, der ser mãe e filha e de estar mais ou menos no meio da vida. A proto adolescente, como sempre falando 17 assuntos por minuto,  comenta, naquela zona nebulosa e brilhante entre o sério e o divertido, que  uma das maravilhas de crescer vai ser não ter que contar pros pais que tirou nota baixa. Porque,  tipo, se não conseguir, assim, entregar um relatório no trabalho, quando eu for adulta, qualquer coisa assim, não vou  precisar contar pra pai e mãe, que é tipo, uma parada mega tensa!. E concluiu com a seguinte frase: “Porque é muito ruim precisar da aprovação de pai e mãe, cara!!!”

Entendi o que ela disse com o coração, que chegou a pesar, dividido feito uma laranja. Minha reação foi pegá-la no colo – ou o mais próximo disso que ainda consigo -, e responder como filha, como quem entrega um segredo: “O problema é que a gente passa a vida toda esperando a aprovação dos pais”. Ela arregalhou os olhos: “Sééério???” E seguiu direta e reta, como de costume: “E você procura aprovação do seu pai até hoje?!?!” Desviei como quem esquiva de um golpe de capoeira e completei a resposta anterior, agora como mãe, fazendo um cafuné: “Acontece que vocês são muito bobinhos que não sabem que a gente sempre aprova vocês em tudo!”. Risadas, carinhos  e logo 27 novos assuntos inundaram a sala. Embora eu siga até agora librianamente dividida e tocada por essa conversa despretensiosa de uma segunda-feira idem.

544037f32cacfc5d8735380c27c3e26f

(por valeriahernan em Flickr)

Helê

E se fosse a mãe?

As fotos de Dave Engledow rapidamente tornaram-se populares na internet  e – num movimento cada vez mais comum -, acabaram virando notícia também na mídia tradicional. Tudo porque o fotógrafo  criou uma série em que aparece como  “o melhor pai do mundo”, só que não: em todas as fotos ele está com a filha Alice em situações perigosas ou, no mínimo,  inadequadas.

Achei as fotos divertiíssimas, e  logo que vi pensei: “Só podia ser um pai”. Tenho a impressão que eles tendem a ter um humor muito próprio no exercício da paternidade, um ‘relax’ que as mães não experimentam na mesma medida. Essas afirmações contém, claro, o perigo de todas as generalizações e, sim, estão previstas as proverbiais exceções. Mas, na boa, você imagina uma mãe nessas poses?

Bem, se alguma pensar em fazê-lo eu desaconselho, por muito menos outras foram queimadas na fogueira da internet. Li comentários raivosos sobre a mãe que fotografava a filha dormindo em diferentes cenários. A maternidade continua sendo território livre em que todo mundo se sente completamente à vontade para dar palpite não-solicitado. Fosse uma mãe a fotógrafa e ela seria processada por negligência num clique.

Mas preciso admitir que o inferno não são os outros, apenas: nós mães tendemos a ser reverentes demais, preocupadas com a opinião alheia, tensas (olha a generalização de novo aí, gente! Chora cavaco!) .

Voltando aos pais: reconheço que o desprendimento que identifico neles tem relação com a cobrança menor (e, consequentemente, um reconhecimento excessivo: já viu como são admirados quando desempenham a heroica tarefa de… trocar uma fralda?).  Talvez eles simplesmente possam ser mais leves porque não sentem a mesma pressão que as mulheres. (Não que estejam livres de tensões e preocupações, isso faz parte da descrição do cargo.)

Meu ponto é o seguinte: paternidade e maternidade diferem em vários aspectos, há um jeito masculino e um feminino de ‘parenting‘ (palavra inglesa que eu adoro e designa essa tarefa hercúlea, fascinante e única que é criar filhotes humanos). Não há melhor ou pior, mas suspeito que sairemos todos ganhando se pudermos observar os modos do outro com curiosidade, respeito e a mente aberta para adotar novas práticas e abandonar antigos vícios. Pode ser bacana para nós, mães, exercitar mais esse lado irreverente e relax. Eu, pelo menos, tento.

Helê

A propósito

“Respeite seus pais. Eles fizeram o Ensino Médio sem Google nem Wikipedia” (tradução livre, leve e solta)

Como diria a diva Aretha Franklin, R-E–S- P-E-C-T!

Helê

%d bloggers like this: