Atento e forte

(incluirei a autoria assim que descobrir Cristiano Siqueira @crisvector; via Cláudio Luiz)

Helê

PS: Obrigada, Manu, que me ajudou a achar o autor.

 

Anúncios

Missing Obama

Olhando meus arquivos senti uma saudade enorme das fotos do Baraque – e, evidentemente, de sua elegância, gentileza, habilidade e inteligência, para dizer pouco. Tudo que falta amplamente a seu sucessor, aquele que eu não gosto nem de citar o nome. Mesmo compreendendo que os Estados Unidos não são Nova York ou a Califórnia apenas, entendendo que parte substancial do eleitorado é mesmo conservadora e tal e coisa, ainda hoje eu  me sinto afrontada quando me deparo com o empresário laranja na presidência. Fico envergonhada e surpresa. Ainda acho inacreditável que a América tenha eleito alguém tão escandalosamente despreparado, artificial, raso. Além de ser de um mau gosto imperdoável em tudo, roupa, cabelo, bronzeado, ideias… Não que estejamos em situação melhor aqui em Pindorama, mas podemos sempre lembrar que aqui foi golpe – foi muito golpe, golpe à beça.
Enfim, deixa eu aproveitar meu blogue pra matar a minha saudade fazendo uma reedição das Obama’s pictures.

PS: Há duas semanas, quando visitou alguns países na África, Obama fez um post no FB indicando leituras importante para conhecer melhor o continente, confira aqui. Entre elas, Americanah, da talentosa e querida Chimamanda.

 

  

 

 

 

 

A bandeira da Copa

Seis ativistas e uma ideia simples e genial para denunciar a homofobia em um país onde você pode ser preso se portar a bandeira LGBT. Coragem e criatividade contra a ignorância e a truculência. Para mim, uma das imagens marcantes dessa Copa da Rússia.

Leia mais sobre a iniciativa no site The Hidden Flag.

Helê

Um país sufocado

600px-Flag_of_Biafra.svg_

Quando eu era criança, nas décadas de 70, 80, Biafra era sinônimo de fome e pobreza. Servia de apelido para qualquer magricela, em referência aos meninos negros esquálidos  que víamos na TV, lá na distante e triste África.

Depois Biafra passou a ser apenas um cantor de relativo sucesso (que ganhou o apelido exatamente pela magreza, apesar de branco e de classe média). Biafra lugar, onde quer que fosse, sumiu do noticiário – como sumirá a Síria daqui a algum tempo, como sumiu a Somália, o Haiti…

Reencontrei o lugar por acaso, lendo “Meio do Sol Amarelo”, da Chimamanda  Adichie*, de quem quero ler tudo o que puder depois do empolgante “Americanah”.  Nesse premiado segundo romance, aprendi que Biafra foi uma tentativa separatista de uma região da Nigéria, uma guerra tão curta quanto terrível, que em menos de três anos matou mais de um milhão de pessoas, civis incluídos. Um sonho de nação igbo (uma das muitas etnias nigerianas) violentamente sufocado.

Mas isso eu poderia ter lido em qualquer livro de História, ou só na Wikipedia se tivesse preguiça. É preciso ler Chimamanda para entender que a Nigéria – e por extensão, a África – não é uma terra fadada à desgraça e à pobreza por maldade divina ou falta de sorte. É um país em busca de caminhos, identidades, pactos sociais, como qualquer outro no mundo. Um grupo de personagens ricamente construído estabelece uma trama de relacionamentos com os quais nós rapidamente nos identificamos, em maior ou menor medida. De um modo muito sutil e mais eficiente que discursos militantes, a autora vai minando estereótipos e ideias pré-concebidas, nos aproximando daquela realidade, em que terminamos por nos reconhecer. Estão lá as crianças famélicas, no pior momento da guerra, mas fazem parte de um vasto mosaico que constitui aquela história, também composta por uma elite econômica, por camponeses, pela classe média nigeriana e pela intelectualidade acadêmica. Uma sociedade complexa e múltipla, um espectro bem mais amplo do que qualquer menção à África evoca, ainda hoje.

8fd49151b6a27b865642d90d8d198bbb

Terminei a leitura novamente impressionada com o talento de Chimamanda, com o quão pouco sabermos sobre a África e seus países, e impactada com a crueldade da guerra, sua imensa capacidade desumanizadora e desagregadora, as chagas e cicatrizes que grava nas pessoas e nas sociedades. Ia quase me permitindo um suspiro de alívio ao pensar que desse mal não padecemos no Brasil. Mas fui interrompida por uma mensagem de what’s app que pedia notícias de uma amiga que é professora no Complexo da Maré.

O suspiro virou soluço.

Helê

PS: Escrevi esse post às vésperas do carnaval. Achei que não ornava com a atmosfera e guardei pra depois.

Agora, escrevendo sob intervenção militar, combina muito mais do que eu gostaria.

*Chimamanda forma hoje a santíssima trindade das minhas autoras preferidas, junto com Elena Ferrante e Isabel Allende. Bem, tem a Fal, mas ela é hors concurs. Ah, e a Lionel Shriver tá correndo por fora, com grandes chances de transformar a tríade em quadratura. 🙂

 

Resistência

Em tempos de crise uns choram, outros vendem lenço.

Outros tantos resistem, de muitas maneiras:

– O Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMA, trocou algumas de obras de seu acervo por trabalhos de artistas dos sete países afetados pela ordem executiva do presidente Trump referente à imigração. Trabalhos de artistas como Picasso e Matisse deram lugar a outros de Ibrahim El-Salahi e Parviz Tanavoli, por exemplo, acompanhados de um texto do Museu, explicitando suas intenções: “This work is by an artist from a nation whose citizens are being denied entry into the United States, according to a presidential executive order issued on January 27, 2017. This is one of several such artworks from the Museum’s collection installed throughout the fifth-floor galleries to affirm the ideals of welcome and freedom as vital to this Museum, as they are to the United States.
(Com informações do Hypeallergic, via Canal Meio)

in2371_16_cccr-720x469

Parviz Tanavoli, “The Prophet” (1964) (photo by Robert Gerhardt)

– Uma mesquita no Texas sofreu um incêndio, de causas ainda não esclarecidas, no dia 28 de janeiro – apenas algumas horas depois da ordem de Trump, que neste momento em que escrevo, está suspensa por um juiz federal. Uma petição on line para a reconstrução do templo atingiu o valor necessário em menos de três dias. E a ajuda veio também de outras formas:
Some people have offered to perform carpentry work, lend their trucking services and knit new prayer rugs, while churches and a synagogue have offered space to Muslim members to pray and hold meetings, according to Dr. Hashmi and the fund-raising page.
“Jewish community members walked into my home and gave me a key to the synagogue,” he said. “Churches came and prayed with us, and people brought cash and checks.” (New York Times)

mw-860

 (Mohammad Khursheed/Reuters)

É isso, gente, é preciso estar atento e forte. De novo e sempre.
Só quero saber do que pode dar certo.

tumblr_oklshaujpz1sndk4zo1_540
 (Dylan Miner, Métis)

Helê, querendo resistir mas sem saber direito como.

tumblr_n1d27dCHva1r4zr2vo2_r1_500

(headlikeanorange: (Joshua VP)

Tem a crise. Ok, é real, taí. E tem o mimimi da crise. E a reiteração da crise, over and over, quase uma campanha para assegurar que estamos, de fato e irremediavelmente, na crise. Eu, que há muito perdi o hábito de assistir a telejornais , vi outro dia o início do Bom dia Brasil e era algo como “Cresce o desemprego. Diminuem as vagas na indústria automobilística. A ameaça chega também ao setor público”. Em outras palavras: não tá fácil pra ninguém, tá ruim pra todo mundo e a tendência é piorar. Uma conhecida contou de uma matéria sobre o Dia das Crianças em que uma delas falava… da crise. Parece data comemorativa no Facebook, todo mundo falando do mesmo assunto, e sempre mais do mesmo. Que. Sa.co. Pô, se eu estiver num barco que está fundando não vou ficar repetindo “Tá afundando! tá afundando! tá afundado! “. Vou pedir ajuda ou ficar quieta, que muito ajuda quem não atrapalha. Por tudo isso estou ouvindo Supertramp, o disco* “Crisis? What crisis?”.

Era isso, só um desabafo.

81Y0kvZEVaL._SL1422_

*#medeixaqueeusoudessetempo

Helê

Uma cidade maravilhosa, de fato

tumblr_nrmde0rmuz1qaruxco1_500

Eu quero viver em uma cidade onde o medo não tenha lugar nem poder

(visual-poetry: »i want to live in a city where…« by martin firrell (+)

Helê

%d bloggers like this: