Verde

Eu tinha prometido mudar de assunto, mas lendo esse post da Lúcia Malla que trata das mudanças climáticas (e ela explica o porquê de preferir este termo ao mais popular ‘aquecimento global’) não pude deixar de pensar em mais algumas coisas que observei em Portugal.

– A mudança climática, numa região geográfica que sempre teve as estações do ano muito bem definidas, já é visível. Só à medida em que outubro avançava é que a temperatura arrefeceu (olha aí mais uma diferença de vocabulário!). Todos comentavam sobre a nossa “sorte” em pegar dias de calor (moderado para os nossos padrões tropicais, mas ainda assim calor), que cedia só à noite ou quando ventava. Aliás, pegamos ventanias fortíssimas, que segundo nos informaram também não são comuns, pelo menos não com tanta intensidade.

– Talvez por isso mesmo, a preocupação com o meio ambiente é visível em diversas situações. Há fortes campanhas para economia de recursos, desde água e eletricidade a sacolas de supermercado. Vi um outdoor estimulando o consumo de água da torneira, bancado pela companhia fornecedora de água, provavelmente preocupada com o aumento do consumo de água mineral – algo como se a Lindóia fosse concorrente da Cedae, vai dizer. Os supermercados vendem por 10 cêntimos uma bolsa grande, de plástico resistente, para que as pessoas carreguem suas compras sem usar dezenas de saquinhos plásticos. Quando a bolsa grande arrebentar, é só levar e trocar por outra, sem pagar mais nada. Há também campanhas incentivando o uso de transportes coletivos, especialmente o trem (cuja rede é bastante abrangente, e embora tenham fama de pouco pontuais, não nos deixaram na mão nenhuma vez), com foco na questão da redução de gases poluentes.

– O Oceanário de Lisboa, um moderníssimo aquário construído no Parque das Nações, em uma área da cidade totalmente revitalizada para a Expo 98, cujo tema foram os oceanos como patrimônio para o futuro, é, no fundo, um grande monumento à sua preservação. Além dos turistas, a mensagem atinge estudantes de várias idades (quando eu estava lá houve a visita de uma turminha de pequeninos com no máximo 5 anos, uns fofos), famílias, lisboetas em férias, portugueses de outras regiões do país.

– Por fim, me chamou a atenção a enorme quantidade de aerogeradores (acabei de aprender esta palavra!) que existem à beira das estradas, nas muitas encostas que cortam o país, aproveitando o vento para produzir energia limpa. Se Barack Obama e sua proposta de mudança não conseguir convencer os americanos a melhorar seus hábitos ambientais, pelo menos podemos contar com a boa vontade do continente europeu para fazer sua parte – ou pelo menos me pareceu assim.

E nós, o que estamos fazendo?

Monix, a verde

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Diário d’além-mar – parte final

– O que mais dificulta a compreensão nem é o sotaque, é o vocabulário. Em Portugal fechado é encerrado, estacionamento é parque, pedágio é portada, cardápio é ementa, chope é imperial, celular é telemóvel. Isso sem falar nos indefectíveis eléctrico, autocarro, comboio.  Para treinar, só com muito José Saramago, Miguel de Souza Tavares, Inês Pedrosa e outros.

– Por falar em literatura, livros e CDs são caros. Só vale a pena comprar o que realmente não chegou ao Brasil, como o novo fado dos Deolinda ou os romances históricos da Maria Helena Ventura. DVDs não são compatíveis com a região do Brasil, portanto só compre se tiver um aparelho desbloqueado.

– Quem tiver tempo de pegar a estrada rumo ao norte do país pode anotar duas dicas preciosas. A primeira são as ruínas de Conímbriga, muito interessantes por mostrarem uma cidade romana com toda sua dinâmica urbana: casas, termas, o fórum, o anfiteatro… Tudo muito bem preservado e acompanhado por um museu cujo acervo inclui apenas objetos encontrados no sítio arqueológico. A outra é a aldeia de Gondramaz, na região das Aldeias de Xisto. Uma preciosidade encarapitada na serra da Lousã, com casas e ruas de pedra e, principalmente, muita paz e tranqüilidade. No final da aldeia há um restaurante que oferece hospedagem em esquema de turismo rural. Vale a pena fazer um rápido desvio caso se esteja indo a Coimbra, para um almoço numa típica aldeia portuguesa. Ou até um pernoite em plena serra. Mas não vá sem reserva, pois as instalações são pequenas, o esquema é bem caseiro e o atendimento é limitado a alguns dias da semana.

– Por fim, uma informação importante e útil para quem vai à Europa: os países membros do Espaço Schengen, com o qual o Brasil tem acordo, não exigem visto prévio, mas é necessário provar que tem meios de subsistência por um período máximo de três meses, além de seguro saúde por todo o período da viagem. A má notícia é que como não há análise prévia, o viajante pode ser recusado na entrada do país e ter que voltar para casa (mas quem cumpre esses requisitos geralmente é aceito). A boa notícia é que uma vez concedido o visto, é possível circular livremente pelos outros países, quase como se estivesse fazendo uma viagem doméstica.

Tô de volta, pessoas. Agora prometo que mudo de assunto. (Ou não!)

-Monix-

Dicas d’além-mar parte 3

– Em Portugal, muitos museus e atrações turísticas têm entrada gratuita aos domingos pela manhã – alguns até meio-dia, outros até as duas da tarde. Vale a pena se informar e aproveitar. Por outro lado, segunda-feira é dia de museus fechados. Mas nem todos. Há alguns que fecham às terças, como por exemplo o Palácio Nacional de Sintra. É importante dar uma olhada em um guia de viagens atualizado ou pesquisar na internet, ou, ainda, perguntar nos centros de apoio ao turista, para não dar com a cara na porta. Os horários de abertura e fechamento também variam, é bom ficar atento. (Em Coimbra perdemos o Convento de Santa Clara por 10 minutos!)

– Algumas atrações oferecem ingressos combinados. Para conhecer os conventos de Alcobaça, Batalha e Tomar (os três são próximos e todos valem a visita, cada um com suas características próprias), é possível comprar um bilhete único, com prazo de alguns dias para utilização, por 12 euros. Em Sintra, é possível escolher dentre as principais atrações (Parque e Palácio da Pena, Monserrate, Castelo dos Mouros, Mosteiro dos Capuchos) e comprar bilhetes combinados com prazo de dois dias.

– Aliás, Sintra vale uma visita mais demorada, talvez até passando a noite por lá. Uma dica preciosa: o circuito da Pena, que fica numa encosta, é atendido por uma linha de ônibus (434), o que evita a longa caminhada ladeira acima.

– Momento “Dufas Também é Cultura”: você sabe a difenrença entre castelo e palácio?

-Monix-

Diário d’além-mar parte 2

– Há cantos de Portugal que só se pode conhecer de carro. Quem tiver tempo para isso, deve reservar uns dias para a estrada. Mas antes planeje bem o itinerário (ou se perca, que também é coisa boa de se fazer viajando). As estradas têm uma sinalização bastante irregular, e de repente o motorista se vê sem saber bem para que lado seguir. À parte isso, são rodovias bem cuidadas, mesmo as vias secundárias – e provavelmente por causa disso mesmo, as portagens (pedágios) são caras. Funciona assim: na entrada da rodovia há uma cabine para retirar o bilhete, emitido por uma maquineta (cuidado para não entrar nas cabines sinalizadas de verde, estas são para portadores de passes especiais). Na saída da rodovia, há cabines com funcionários, onde é calculado o valor devido em função da distância percorrida. Um sistema justo, mas dependendo do quanto o cidadão rodar, pode sair caro.

– Muito cuidado com os caminhoneiros. Nós que estamos acostumados com os amigos de fé irmãos camaradas, que dão passagem sinalizam e ajudam a enfrentar as dificuldades das estradas brasileiras, não estamos preparados para os motoristas de caminhão de Portugal.

– A rede de comboios (trens) atende boa parte da Grande Lisboa e é bem eficiente. Mas aqui, definitivamente, não é a Inglaterra. Os trens atrasam.

Depois conto mais.

-Monix-

Diário d’além-mar

– O Castelo de São Jorge foi visto debaixo de chuva. Meia Lisboa ficou alagada, mas estávamos protegidos tanto das águas quanto dos ataques dos mouros. Depois, comemos uma alheira na Alfama e o tempo firmou-se novamente. E toca a andar mais, Chiado, Bairro Alto, Convento do Carmo, ladeira acima, ladeira abaixo.

– Entreouvido no Elevador de Santa Justa: “o Elevador Lacerda é igualzinho. Brasileiro só sabe imitar os outros.” (E não é que os baianos tinham razão? É mesmo bem parecido.)

– O Padrão dos Descobrimentos é emocionante pelo que representa do espírito de conquista dos navegadores portugueses. Seguido a isto, ver os túmulos de Vasco da Gama e Luís de Camões no Mosteiro dos Jerónimos é de arrepiar.

– Os pastéis de Belém são de se comer a rezar. Aliás, de modo geral come-se bem nesta terra.

– Amanhã pegamos a estrada rumo ao norte. Mas não chegamos ao Porto, nosso ponto mais distante será Coimbra.

– Volto a dar notícias assim que puder.

Monix

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