Do processo de auto-exposição, ou “o trenzinho do meu ego”

Me perguntaram se não acho estranho escrever no blog, para pessoas que não conheço, não sei quem são, nem onde estão. Olha, na verdade eu nunca tinha pensado nisso, por incrível que pareça. Sou jornalista, e fui treinada para escrever com o objetivo de informar ao público, em tom neutro e objetivo, etc etc.
Quando comecei a namorar a possibilidade de criar um blog, o que me moveu foi a descoberta de um texto novo, que eu nem sabia que seria capaz de escrever. Escrevendo, passei a conhecer emoções e opiniões que, mesmo sendo minhas, eu nunca soube que estavam lá. Passei a observar coisas do cotidiano com outro olhar. Passei a elaborar meus pensamentos de outra maneira. E é até meio envergonhada que confesso: passei a viver meio obcecada com o próximo post.
É claro que é muito legal saber que já temos uma “audiência” fiel; que muita gente que não nos conhecia vem ao blog por links em outros blogues; que pessoas de vários cantos do mundo chegam até aqui; que mais que leitores, fizemos amigos por causa deste blogue. É bom demais ler os comentários, é bom demais receber e-mails, é bom demais saber que vocês estão aí. Mas a brincadeira começa aqui dentro, de mim para mim mesma.
Quem está chegando agora pode entender como tudo começou ou dar uma conferida na genial definição da Angela. Enquanto isso eu fico aqui pensando se existe alguém mais incoerente que eu nesse mundo. (A pessoa diz que escreve pra si mesma e passa três parágrafos conversando com leitores imaginários. Podem internar.)

– Monix –

Publicado originalmente em 12 de setembro de 2005

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