Metafísica na estrada

– Você viu o adesivo na traseira daquele carro?
– Não.
– “Peça a Deus e eles lhe atenderão”
– ELES?
– É.
– Eles quem?
– Deus.
– Deus é plural?
– Pelo visto, sim.
– Ah.

|-| Monix |-|

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Foi assim

La Frida convidou. Eu desmaiei. La Frida confirmou. Eu hesitei. La Frida, taurinamente, insistiu. Eu, librianamente, tergiversei. Mas era irresistível celebrar um encontro tecido com fios de acaso e sincronia. Fomos para o mundo nos encontrar, no emaranhado da grande rede — logo nós, ligadas por um túnel-artéria dessa cidade apaixonante. La Frida seduziu. Eu aceitei. E com cores, selei nosso compromisso, que ela muito bem resumiu assim: ”…de alegria em alegria a gente acaba fazendo uma felicidade bem grandona.”

Helena Costa

Sonho meu

Tenho sonhado muito. Sonhos difíceis de descrever.

Um leito hospitalar que vira meio de transporte e me leva numa viagem… A cama – onde eu dormi até casar – destruída pela minha mãe, e as gavetas debaixo da cama, onde eu guardava minhas memórias, estraçalhadas. E sempre a viagem, a pressão da viagem, alguém me cobrando alguma coisa que eu não consigo executar direito.
Depois fico pensando no que sonhei e entendo, mas não consigo explicar. Fico com a sensação de estar vivendo um processo, a tal “viagem”. Estou indo para algum lugar e não sei bem aonde quero chegar. Não quero ter que destruir meu passado para alcançar o futuro. Não preciso de ninguém me dizendo quando ir, nem como. Só sei que estou indo.
|-| Monix |-|

10:49 PM

Duas cariocas
Duas jornalistas
Duas mães
Duas cores
Duas vidas, unidas pelo acaso
Duas semelhanças
Duas diferenças

Duas Fridas

11:02 AM

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