Perdida em Copacabana

Minha casa está em obras e por conta disso vou passar as próximas semanas na casa do namorido, na sempre louca Copacabana. (Não é a primeira vez que passo um tempo aqui, mas antes a situação era meio caótica e não valeu como experiência de “moradora do bairro”).

É engraçado como cada bairro tem sua cultura. Aqui tudo funciona em outro ritmo. Em geral, mais acelerado.

Mas aí no sábado resolvi fazer a unha. Fui procurar um salão aqui perto (há vários) que tivesse hora disponível, pois sábado é o dia mundial de fazer mão, pé e cabelo, certo? Bem. Um salão fechado. O segundo, idem. Mais outro. Continuei andando. Atravessei a rua, agora vai! Fechado também. Quase chegando no Leme, encontro finalmente um salão aberto, franquia de uma marca conhecida. Consegui a manicure, ótimo. Conversa vai, conversa vem, comentei: vem cá, as mulheres de Copacabana não frequentam salão aos sábados não? Até chegar aqui passei por vários, todos fechados! E a manicure, sem querer afrontar a cliente, lembrou sutilmente: será que não é porque hoje é feriado? FUÉM FUÉN FUÉN…

É isso que dá ser a louca do feriadão.

***

Saindo do salão, fui pegar um ônibus, meio perdida, como sempre. (Para quem não é do Rio, explico: nosso prefeito anterior fez várias mudanças na numeração das linhas, extinguiu algumas, criou outras. Além disso, distribuiu as paradas de ônibus em pontos específicos. Tudo isso dificultou muito o processo de saber que ônibus vai para onde quando não se está no dia a dia de determinado lugar e tudo o que resta são as lembranças de números de linhas que não existem mais.) Minha cara de ponto de interrogação deve ter chamado a atenção do pessoal à minha volta, porque um rapaz se ofereceu para me ajudar a decidir que ônibus pegar.

Agradeci, nem prestei muita atenção (antipatia mode on).

Daí o moço me pergunta: você está de preto por acaso ou é aquilo que estou pensando?

Era.

Só aí observei a figura: carregava dois violões e estava com uma camiseta colante, obviamente também preta.

Foi gancho para uma conversa meio sem pé nem cabeça que envolveu teorias da conspiração sobre a facada e menções a Edir Macedo que até agora não sei se eram contra, a favor ou muito pelo contrário.

Pena que o ônibus chegou e com isso estou até agora sem entender contra o que meu companheiro manifestante protestava.

***

Copacabana é isso aí. Cá estarei pelas próximas semanas.

-Monix-

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Selfie

Meu coração não se cansa de ter esperança de um dia ser ter tudo o que quer. Ou cansa, mas segue querendo, mesmo cansado.

Estou no começo do meu desespero e só vejo dois caminhos, ou viro doida ou santa, disse a Adélia aos 42. Aos quase 50, já no segundo tempo da vida, estou bem no meio do desespero, entre grata e carente, entre confiante e amedrontada, surpresa e culpada: como foi que cheguei aqui? Era aqui mesmo que eu queria estar?

Muitas perguntas ainda; talvez sempre. Mas a certeza de que sou quem eu gostaria de ser.

Quanto a isso, nenhuma dúvida.

 

Helê, a um mês de completar 50 anos

 

Na rádio Cabeça a jovem Alanis Morrissete canta “Hands in my pocket”.

 

Imagem do site Africanart

Leão ❤

O sol deixa Leão hoje mas eu não poderia deixar de fazer esse carinho nas leoninas e leoninos fiéis ou aleatórios aqui do blogue. Afinal, eu sou a auto-intitulada Guardiã das Tradições Recentes. Um beijo para cada um; vamos juntos passar por Virgo aguardando chegada de Setembro, da Primavera e do meu aniversário! 😀

Helê, of claro

As voltas que o mundo dá

Mais ou menos 20 anos atrás eu estava nesse saguão coberto de mármores, naquele que foi talvez o momento mais surreal da minha vida (no quesito profissional, com certeza foi): a Assembleia que decidiu pela derradeira greve de funcionários da Rede Manchete, minha escola de jornalismo na prática, experiência que me marcou para sempre, para o bem ou para o mal. (Eu conto meus altos e baixos na profissão nesse post do Medium. É divertido, e ao mesmo tempo meio nostálgico.)

Ontem voltei naquele emblemático prédio da Bloch / Rede Manchete, em outras circunstâncias. O prédio é outro, eu também. 

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O grande “M” que reinou sobre a paisagem da Praia do Flamengo durante tantos anos…

Quem passava pela Zona Sul do Rio nos anos 1980/1990 há de se lembrar do grande “M” metálico que destacava o prédio da Rua do Russel, com suas elegantes linhas modernistas traçadas por Oscar Niemeyer (depois de conhecer por dentro os apartamentos da Asa Sul de Brasília e de trabalhar por quatro anos nesse prédio lindo e infernal, que nos obrigava a pegar elevador e escada para ir do 4º ao 3º andar, não me peçam para idolatrar esse gênio maluco que construía lindas esculturas para a gente viver dentro, mas isso é outra história).

A vida é engraçada.

Quando a gente é jovem, tudo parece urgente demais. Mas o tempo passa e aquilo que era tão dramático na época de repente vira só uma dobra de esquina no longo caminho que é nossa vida. 

Não tem “moral da história” nem nada não. Só queria dividir esse momento emocionante com vocês.

-Monix-

Divagações sobre o divã

A terapia segue desengavetando potências, rearrumando expectativas, tentando botar fora o que não me cabe mais, examinando crenças rotas, cerzindo o que ainda pode ser usado.

Uma espécie de Marie Kondo da cabeça.

Tenho a sensação clara que mudei de posição, saí de um lugar. Às vezes eu me sinto mesmo toda remexida por dentro, e as peças ficam em movimento constante. De vez em quando duas ou mais se encaixam e eu ‘Nuooossa, agora entendi!’

Mas é um processo de ritmo irregular, ainda que contínuo. Percebo que, muito lentamente, começo a gostar mais de mim.

Travis Bedel

Helê

Musa inspiradora

Quem lê nossa newsletter (ué, você não lê? Não sabe o que está perdendo, corre lá e assina) recebeu recentemente uma edição em que relembramos a origem do nome deste blogue. E essa história não pode ser contada sem lembrarmos da Nina, amiga da velha guarda do Mothern, nossa semente, onde tudo começou. Lá na época dos blogues-raiz eu já dizia, e cada vez acredito mais nisso: não existem amizades “virtuais”; aliás, é muito importante lembrar que o ambiente digital faz parte do mundo real. O que acontece aqui é percebido como real porque, adivinhem!, é real.

Aí que semana passada eu fui a Porto Alegre para um congresso, e não podia perder a chance de encontrar pessoalmente, pela primeira vez depois de 16 anos, essa amiga que foi muito importante em momentos decisivos da minha vida, e que eu nunca tinha abraçado antes. É difícil explicar, mas é assim mesmo: um vínculo que não conhece limitações de espaço nem tempo.

E novamente lembro de uma newsletter recente (é sério, a gente faz um blogue paralelo que chega direto no seu e-mail, se você não assinou, assine) em que falamos sobre nossas “caras metade”, ou seja, os melhores leitores do mundo: vocês. Então, acrescentando mais uma à nossa série “Eu ❤ Leitoras”, aquela em que as blogueiras é que pedem foto, fica aqui o registro desse encontro emocionante com a nossa musa inspiradora.

-Monix-

Eu e Nina, uma amizade que demorou 16 anos para se transformar em abraço

Educação, balbúrdia, vida

Eu não fui, nos anos da educação básica, uma aluna estudiosa. Fui, sim, interessada, participativa, curiosa. Mas não estudiosa.

Daí que quando me formei na graduação fiz uma pequena cerimônia de libertação, rasgando as folhas do fichário que usei na faculdade, os textos em xerox que já não seriam mais necessários, etc. E à la Scarlett O’Hara fiz uma promessa mais ou menos solene de que nunca mais passaria fom… ops, não era isso. A promessa era de que nunca mais na vida eu iria estudar.

Mas aos vinte e poucos anos a gente é mesmo besta, não é? E “nunca mais” lá é promessa que se faça?

Enfim. Veio a necessidade de me aperfeiçoar e fui fazer uma pós-graduação. A sensação de ser a “tia” da turma foi engraçada. Eu tinha a idade dos professores, estava pagando para estudar pela primeira vez na vida, para fazê-lo deixava meu filho pequeno em casa com uma babá… não estava lá só pra ter um certificado bonito. Eu queria aprender. E então me vi quebrando minha promessa solene. Estudei, e gostei.

Depois que terminei a pós, fui convidada a dar aulas. Ensinei, e gostei.

Nos últimos anos tem sido assim: às vezes eu estudo, às vezes eu ensino. Acabei de terminar o mestrado. Estudei muito, mais do que nunca na vida. Fui feliz.

Hoje dou a última aula de um curso de extensão na Uerj. Foram cinco (ou seis?) semanas em que frequentei, pela primeira vez, este heróico campus. Cheguei um pouco mais cedo e estou escrevendo este post sentada em um corredor por onde passam estudantes de todos os tipos e tamanhos: uma universidade é, sem falta, um ambiente efervescente, fervilhante, onde a energia da criação é tão intensa que quase pode ser tocada. A Uerj vive porque toda Universidade vive.

Tem balbúrdia, sim, seu ministro que não merece nem ser linkado. Porque a juventude é barulhenta, graças aos deuses. Barulhenta, colorida, entusiasmada, esperançosa e ligeiramente transgressora, como nós, do alto da nossa idade e experiência, muitas vezes não conseguimos mais ser.

Acho que foi isso que vim buscar quando quis voltar a esse lugar. E encontrei.

-Monix-

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