Almoço de domingo

Uma vez, mais de dez anos atrás, fui a São Paulo participar de um seminário e acabei passando o fim de semana na casa de amigos. No domingo fomos almoçar num restaurante que, segundo meu anfitrião, servia o melhor galeto da Vila Madalena, mas era importante que chegássemos cedo, para evitar a fila e uma possível longa espera por uma mesa. Achei aquilo muito estranho, coisa de paulista mesmo. Na época, não me passava pela cabeça que tantas pessoas optassem por ficar horas numa fila para… comer. Domingo, para mim, era dia de almoçar com a família, ou, simplesmente, preparar um prato especial, curtir minha casa, descansar.

Hoje em dia me pego fazendo o mesmo cálculo do meu amigo: se acordo depois das 10 horas, será que devo tomar café da manhã? Não seria melhor esperar até meio-dia e partir logo para o almoço? Ou tomo um café reforçado, vou ao cinema cedo e almoço lá pelas cinco ou seis da tarde? Tudo para evitar as malditas filas dos restaurantes no domingo.

Na minha infância, almoço de domingo era na casa da avó – acho que alternávamos, às vezes almoçávamos com uma e lanchávamos com a outra, e depois vice-versa. Não lembro bem qual era o esquema do rodízio, na verdade, mas tenho certeza que domingo era dia de vó. E de ver os primos, ouvir as conversas dos adultos, levar broncas, rir um bocado, implicar com os menores, comer uma comidinha gostosa e encerrar a semana me sentindo parte de um grupo.

É difícil manter essa rotina hoje em dia. Ninguém quer cozinhar no domingo – eu também não quero. (Às vezes até quero, viu? Mas enfim.) As famílias são confusas, as agendas são complicadas, cada um tem seus interesses e o espírito do tempo não nos permite mais sacrificar os desejos individuais em favor de manter uma tradição.

Não pretendo concluir se estamos em situação melhor ou pior – acho que, como o Salgueiro, é apenas diferente.

-Monix-

 

Ovos com estragão à la Jane Austen

A sra. B – obedeceu, batendo os [quatro] ovos levemente para misturar as gemas com as claras.

Seguindo as instruções de lady Cumberland, ela passou os ovos por uma peneira, para remover o filete e misturar melhor a clara e a gema sem gerar espuma, o que pode ser “tão desagradável”.

Mal tinha levado a tarefa a cabo, quando acrescentou o estragão, de que agora gostava. Não conseguia esconder seu entusiasmo pela combinação dos ovos com estragão e antecipou o momento feliz em que os veria juntos sobre a torrada.

Pegando metade da manteiga, a sra. B – passou na panela e declarou que se tratava do ingrediente mais dócil de todos.

Acrescentou o resto da manteiga em pedacinhos à mistura, junto com o sal e a pimenta,antes de cozinhar tudo em um fogo brando, mexendo sem parar, até o fundo da panela.

Assim que a liga pareceu se fortalecer, ela tirou o prato do fogo e continuou a mexer; o calor era suficiente para terminar o cozimento antes que os ovos ficassem secos demais.

A receita genial, à moda de Jane Austen, é um dos contos do livro “A Sopa de Kafka – uma história completa da literatura mundial”, que ganhei dos meus amigos Cláudio Luiz, Fal, Vera, Ana Paula, Dedeia, Renata e a sócia Helê, numa cesta com todos os ingredientes necessários e mais uma garrafa de prosecco para acompanhar o brnch – provavelmente o presente mais criativo que já ganhei.

O livro é sensacional. Imperdível e necessário para amantes da literatura e da gastronomia.

-Monix-

Banquete russo

O Dia dos Namorados já passou faz um tempinho, né? Mas eu queria escrever com calma e por isso segui meu lema de sempre: antes tarde do que mais tarde. 😉

Este ano, escapamos do troféu Casal Tupi-Guarani 2009 comemorando a data com um almoço em Teresópolis. O restaurante Dona Irene, especializado na culinária russa da época dos czares, oferece um verdadeiro banquete, com direito a entradinhas frias, depois bolinhos quentes com a famosa sopa borsch (à base de beterrabas), mais uns petiscos quentes, e finalmente o prato principal.

entradas russas

 

 

 

Foto daqui.

As entradinhas são um ótimo começo, e o segredo é o equilíbrio nos sabores: há desde o arenque defumado, de gosto forte, até os suaves canapés de pepinos, passando por patês, conservas, maioneses e ovos cozidos.

Os petiscos quentes são muito bem temperados, e as frituras, crocantes e sequinhas, na medida certa. A sopa combina bem com o clima da região serrana do Rio – que, se no verão é agradável, no inverno permite aos cariocas enregelados, como eu, tirar os casacos pesados do armário para dar sua voltinha anual.

O prato principal deve ser escolhido no ato da reserva (e o restaurante só aceita clientes com reserva). Tente fugir à tentação de pedir os óbvios estrogonofe e frango à Kiev – embora digam que o estrogonofe de lá é o melhor de todos etc e tal, e eu acredito que seja. Mas se é para cair de cabeça numa experiência russa, eu acho que vale a pena aproveitar para provar pratos diferentes. Deixe para comer o estrogonofe na Polonesa  e conheça delícias típicas como o varênique, da Ucrânia (“pequenos pastéis recheados de batatas e ervas, acompanhados de escalopinhos de filé mignon grelhados e cebolinhas empanadas”), ou o podjarka (“escalopinhos de filé mignon, escalopinhos de frango, champignons, molho de ervas, batata noisette, flambados na hora de servir”). Sim, você leu direito, este último leva carne e frango, assim, juntinhos.

Depois dessa orgia gastronômica, o freguês ainda tem direito a uma sobremesinha. Quem não for dirigir pode degustar a vodca da casa, que, dizem, é ótima. Eu preferi me poupar de problemas com as autoridades e fiquei na água sem gás.

É comida pra mais de uma semana. Mas dá para comer em duas ou três horas e reservar o resto do tempo para um belo passeio na serra. 🙂

-Monix-

Afrodite, Isabel Allende

“Arrependo-me dos pratos deliciosos rejeitados por vaidade, tanto como lamento as oportunidades de fazer amor que deixei passar para me dedicar a tarefas pendentes ou por virtude puritana”.

É ou não é um começo de livro arrebatador? E um tanto perigoso também. Eu pensei duas vezes antes de continuar – mais pelo excesso de peso que por minhas ‘virtudes putiranas’. Mas a tentação venceu – e está valendo a pena, o livro é uma delícia!

Helê

100 comidas e bebidas para provar antes de morrer

Como promessa é dívida (mas às vezes a gente deve, não nega e paga quando puder), aí vai a minha listinha de coisas para se provar nesta vida. Porque a vida é curta, mas pode ser bem temperada.

Bebidas

caipirinha, kir royal, Malibu com suco de abacaxi, marguerita, mojito, gemada com canela 

Brasileira

aipim frito, bobó de camarão, bolinho de aipim recheado de carne moída, camarão frito com alho, camarão na moranga, farofa de alho, feijoada, moqueca de camarão, torresmo

Carnes, peixes, aves

bife à milanesa, carpaccio, casquinha de siri, frango de padaria, ovo frito com gema mole, ovos pochê, peru de natal, rosbife, salpicão de frango, sanduíche de atum

Culinárias geográficas

babaganuj, balas de alga, batata rostie, bolinho de bacalhau, caviar, crepe de Nutella, esfiha de carne (aquela famosa do Largo do Machado), estrogonofe, fondue de queijo, frango xadrez, guacamole, iogurte grego (com mel), lasanha, pão ciabatta, pasta de amendoim, pizza marguerita, roast tuna, rolinhos primavera, sushi de salmon skin, temaki

Doces

ambrosia, churros, cocada, cuscuz, doce de leite, goiabada com queijo (ou variações: requeijão, creme de leite), leite condensado, musse de chocolate, ovos moles, pudim de leite, quindim, rabanada, salame de chocolate, sorvete do Mil Frutas

Frutas

banana frita com açúcar e canela, cerejas frescas, creme de abacate, damasco seco, fruta do conde, maçã assada, maçã do amor, manga, melancia, melão com presunto cru, vitamina de banana 

Pães e bolos

bolo branco quentinho, bolo de cenoura, brownie, pão de linguiça, pão de queijo, pão francês fresquinho com manteiga boa, petit gâteau

Petiscos

amendoim, biscoito Globo, castanha de caju, croquete de carne, pão de alho, patê com geléia de amora, pipoca, pistache, salame, sardela, sequilhos

Vegetais

batata frita (portuguesa), batatinhas assadas com casca, berinjela à milanesa, purê de batata baroa, quiabada, shiitake, sopa de cebola, sopa de ervilha, tomate cereja

-Monix-

100 coisas para comer antes de morrer

A Helê deve estar fazendo curso de torturadora, não sei bem, o fato é que ela me mandou essa listinha do demo com uma relação de 100 coisas para se comer antes de morrer. Eu até pensei em fazer uma versão brazuca, e talvez ainda faça, mas por enquanto a brincadeira que me animou mais foi fazer um checklist básico das coisas que já experimentei da lista e minhas impressões sobre cada uma delas. Para quem realmente curte comida, vale a pena ir na lista original e acompanhar os links, ver as fotos e ler as descrições de pratos e bebidas desconhecidas ou nunca dantes navegadas.

Steak tartare
Pois é. Comecei com o peixe cru do sushi, passei para o carpaccio, o quibe cru e terminei no steak tartare. Não é minha comida favorita, mas é bem interessante.

Fondue de queijo
Eu amo queijo, de todos os tipos, principalmente os bem fedorentos. Tem quem ache fondue de queijo enjoativo. Para mim é a própria visão do paraíso. Devo ter lido Asterix entre os Helvéticos muitas vezes na adolescência, só pode ser isso.

Borscht
Tomei a versão fria da sopa, uma vez. Não sou muito fá de beterraba, então não guardo lembranças muito ternas da iguaria.

Baba ghanoush
Já de berinjela eu sou mais que fã, nem sei, é o tipo da coisa que eu como várias vezes por semana. Aprendi a trocar a pastinha de homus dos restaurantes árabes por essa versão, muito menos calórica e também muito saborosa. A do Amir, em Copacabana, é particularmente deliciosa, ainda mais acompanhada do pão árabe quentinho e estufado, saindo do forno.

Sanduíche de pasta de amendoim com geléia
Essa eu fico devendo à vovó, que foi quem me apresentou a essa tentação. Nunca tinha dado a menor bola e pensava inclusive que era mais uma daquelas comidas sem graça de americano. Talvez fosse melhor ter ficado na ignorância, porque o troço é uma bomba calórica, mas agora é tarde demais.

Cachorro quente da carrocinha
A idéia aqui é experimentar os cachorros quentes de carrocinha americanos, é claro, porque no calor de 40º do Largo Carioca é difícil ter coragem de comer salsichas. Já provei os de Nova York (combinam bem com o clima geral da cidade, o pão é macio, mas não passa disso) e os de Washington (uma porcaria com pão esfarelento, não recomendo).

Sorvete de pistache
Ai. Sem comentários.

Foie gras
Tá, eu sei, essa é uma comida muito politicamente incorreta. Mas eu gosto. Pronto, falei. (Já provei daquele genérico do supermercado e do legítimo também. Os dois são bons, cada um com seu charme próprio.)

Feijão com arroz
Claro, né? Mas devo dizer que apesar de ser carioca (ou talvez por isso mesmo) não curto muito feijão preto, prefiro os de outras cores. E também prefiro arroz integral, o branco não tem quase sabor, não me agrada muito. Ah, e feijão com arroz brasileiro é uma coisa; oooutra, muito diferente, é o tal de moros y cristianos de Cuba, que na minha opinião é uma maçaroca mal temperada que ninguém merece.

Doce de leite
Sempre, sempre. Bem cremosinho. E o Júlio César que me desculpe, mas nesse quesito os argentinos são imbatíveis.

Baklava
Gostaria de provar um que fosse realmente bem feito. Os que provei costumam ser meio bate-entope. Gostosinhos, mas com a consistência de um bloco de cimento.

Chucrute
Provei só uma vez. Achei que ia detestar, mas não podia recusar porque seria falta de educação – estava hospedada na casa de parentes de um amigo, em Blumenau. Para minha surpresa, até que é gostoso. Não incluiria numa lista de melhores comidas do mundo, mas vá lá.

Umeboshi
É uma ameixa salgada, e que eu saiba é muito boa para regular as funções digestivas. Eu só comeria como remédio mesmo, não tem nada a ver com minha idéia de petisco.

Refeição Big Mac
Bom, claro que eu já comi, mas por mim é uma comida que poderia ser eliminada da face da terra; não faria a menor falta.

Churros
Olha, sinceramente, eu acho que devia ser proibido falar em churros, devia ser proibido vender churros, devia ser proibido existir churros no planeta das pessoas que precisam fazer dieta e não conseguem por causa dessas malditas carrocinhas tentadoras do capeta.

Gazpacho
Uma sopinha fria, leve, saborosa e que não mata a fome nem por 10 segundos, mas refresca e dá alegria ao estômago da gente.

Caviar e blini
É claro que eu adoro caviar, né? Vocês esperavam outra coisa?

Goulash
Eu tive um namorado cuja avó era alemã e fazia goulash como a gente faz estrogonofe, sempre que queria uma comidinha diferente. (Ela também tinha a maior variedade de receitas de torta de maçã já vista, mas isso é outra história.) O que aprendi a comer vinha acompanhado de batatas cozidas que a gente amassava com o garfo antes e cobria com o goulash quentinho. De comer rezando.

Flores
Minha única experiência nesse sentido foi num restaurante indiano chique que tem ali no Leblon. Uma das sobremesas era feita com pétalas de rosa e folha de prata. Claro que eu tinha que provar um troço desses.

Polenta
Tem a mais molinha e a frita, né? Não é minha comida favorita, mas se for pra escolher, prefiro a mole, recheada com carne moída.

A lista original tem umas coisas meio doidas, tipo crocodilo, insetos inteiros e cobra. Tô fora. Em compensação não inclui algumas coisas deliciosas, como sushi de salmon skin, roast tuna, brownie, petit gâteau, guacamole, farofa de alho, ovos moles, mojito e bolinho de bacalhau, isso só das que eu lembro de cabeça. É, talvez eu deva fazer a minha própria lista. Aguardem. Ou não.

-Monix-

O jantar chinês

Ontem tive uma experiência gastronômica que foi quase cinematográfica.

O restaurante, Mr. Lam, foi inaugurado pelo Eike Batista, o homem mais rico do Brasil. Nas horas vagas entre um empreendimento bilionário e outro, ele resolveu trazer seu ‘chef’ de estimação de NY até o Rio:

“Certa vez, em Nova York, Mr. Lam ficou intrigado com a repetida quantidade de ‘Chicken Satay’ que ia para mesa de um cliente e quis conhecê-lo. Foi o seu primeiro contato com o empresário Eike Batista: ‘Ele faz a melhor comida do mundo’, resume Eike que, há tempos, sonhava em trazer Mr.Lam para o Rio. As conversas começaram há alguns anos, mas só foram adiante depois de uma visita do chef à cidade: ‘Só daria certo se ele gostasse daqui’, conta Eike.”

O Mr. Lam foi construído na beira da Lagoa e é lindo de ver já pelo lado de fora: um quadrado quase mágico, todo iluminado, com vermelhos e amarelos se mostrando para quem passa. O ambiente é super luxuoso mas com elegância, sem exageros. Lá dentro tem dois guerreiros de terracota, peças de colecionador.

O bom desses restaurantes chiques é que os garçons são invisíveis. Aí, de repente, quando você começa a pensar em precisar deles, zupt! eis que se materializa um do seu lado, com a garrafa de água já enchendo seu copo meio vazio.

Pedimos o menu degustação+Crispy Duck. Era assim: primeiro quatro entradas, depois um prato à escolha e finalmente o pato crocante, para encerrar. Tudo para  ser comido à moda oriental, ou seja, muitas vezes com as mãos e sempre lentamente, calmamente, saboreando cada pedacinho tanto quanto cada momento da refeição.

As entradas:

“Sqwab
Uma das mais tradicionais criações de Mr. Lam, que há 40 anos surpreende seus clientes com esse prato. Você mesmo faz seus enroladinhos com cubos de frango finamente cortados e temperados, alface e molho escuro de Mr. Lam”


O garçom traz à mesa folhas de alface americana, um molho tipo teryaki, um franguinho cortado em pedaços mínimos, quase moído, com um tempero delicioso. Aí vem junto o…

“Gambie
Verdinhas, crocantes, sequinhas e acompanhadas de castanhas de caju doces e apimentadas”

Essa é uma couve fininha, frita no óleo, bem crocante (não é como a couve mineira refogada não, é tipo um chips de couve, só que em formato de batata palha). E as castanhas de caju são um caso à parte: tem gosto doce e picante ao mesmo tempo. Aí o garçom ensina a fazer o rolinho: uma folha de alface no prato. Um bocadinho de frango, um pouquinho de couve. E o molho por cima. Enrola e come, com as mãos. É de chorar de bom.

Mas não pensem que acabou, ainda tem mais duas entradas.

“Satay de Frango
Tradicionais “espetinhos” orientais de frango acompanhados do secretíssimo molho de Mr. Lam”

Esse é o tal que o Eike Batista pedia sem parar e chamou a atenção do Mr. Lam. Não é à toa. Se eu fosse bilionária também ia querer contratar o cozinheiro pra fazer isso pra mim todos os dias. O molho secretíssimo consiste em creme de leite misturado com pasta de amendoim (lembrei da Danicá!). Isso por cima do frango levemente apimentado é dos deuses. Não dá nem pra descrever de tão bom.

E pra arrematar as entradas, dois rolinhos primavera, coitadinhos, deliciosos mas ligeiramente ofuscados por essa orgia gastronômica – que, aliás, estava apenas começando.

Prato principal:

“Mr. Batista’s Prawns
Camarões com molho agridoce transparente de nove especiarias, levemente picante”

O molho agridoce na verdade é um empanado meio picante, delicioso. E a cobertura do empanado é transparente mesmo, quer dizer, além de gostoso o camarão é lindo. O acompanhamento é arroz colorido (que também vem com camarões, ainda que um pouco menores) e uma vagem francesa – aquela redondinha – super crocante.

Finalmente:

“Crispy Duck
Meio pato crocante servido com cebolinhas verdes e pepinos finamente fatiados, panquequinhas e molho. Faça você mesmo seus cones, para se deliciar com as mãos mesmo.”

Isso é uma comida divertida. É assim: vêm os garçons mostrando o pato preparado inteiro (quer dizer, o meio pato inteiro… vocês entenderam, né?). Aí eles avisam que vão desfiar o pato e já trazem de volta. Então eles mostram como fazer. Vem uma travessa de bambu coberta que se abre e revela uma pilha de pequenas panquecas cozidas no vapor. O garçom puxa uma panqueca finíssima com os hashis e põe no prato. No meio, um fiapo de molho escuro. Depois, as tirinhas de alho-poró e pepino que vêm numa travessinha à parte. Por fim, o pato desfiado. Enrola e come. Daí em diante, é por nossa conta. A verdade é que não dava mais para comer nada, mas ainda ficamos horas e horas enrolando panquequinhas e comendo mais pato.

Se algum dia eu voltar lá, nem precisa ser esse menu degustação completo, podemos pedir o simples. Ou não. Podemos ir num grupo de quatro e pedir o pato laqueado. 😉

Sobremesa: (ou vocês pensaram que íamos dispensar?)

“Mahjong de abacaxi
Abacaxi caramelizado a fogo e Tai Chi de caldas”

Eu nem vou tentar explicar isso. Vejam que coisa linda:

No final do jantar apareceu um dos cozinheiros, com chapéu de mestre-cuca e tudo, fazendo um tipo de malabarismo com uma massa nas mãos. Parecia mágica, com direito a uma mocinha assistente. De repente, começamos a olhar com mais atenção e notamos que a massa nas mãos do homem ia se fracionando em tiras, cada vez mais finas, sem que ele usasse nenhum tipo de faca ou molde! A cada virada, mais tirinhas! Até formar um incrível macarrão chinês.

Parecia um espetáculo de ilusionsimo, mas era culinária. Não é à toa que a abertura das Olimpíadas foi aquela coisa de louco, os caras treinam há milênios e em todas as áreas do conhecimento humano. 😉

Da próxima vez que vier ao Rio a Madame não pode perder.

-Monix-

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