Cortar o Tempo

Carlos Drummond de Andrade
Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no
limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e
entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra
vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra
diante vai ser diferente



As Fridas desejam um 2006 espetacular!

Da série Favoritos das Fridas

Feios que a gente adora:


Jean Reno, Monix


Kevin Spacey, Helê

Resoluções de Ano Novo

Sorrir mais e franzir a testa menos
Cuidar da saúde
Pagar as contas
Acertar as contas
Segurar as pontas
Ver mais filmes
Ler mais livros
Escrever mais
Botar uma persiana na sala
Chamar o marceneiro para fazer o aparador
Comer menos chocolate
Beber (muito) menos Coca Light
Deixar menos furos com os amigos
Só aceitar os compromissos que possa cumprir
Cuidar bem do meu carro (Trocar de carro?)
Viajar nas férias (imprescindível)
Fazer pelo menos um aporte para a previdência complementar
Mandar imprimir as fotos de 2005 que ficaram todas no HD do computador
Organizar os álbuns de fotos
Esvaziar as duas últimas caixas da mudança (as mais chatas, com contas antigas e recortes de jornal)
Manter a casa em ordem
Manter a vida em ordem

-Monix-

Pela primeira vez

Vi minha irmã ser mãe
Descasei
Aluguei um apartamento sem ouvir a opinião de ninguém
Admirei a Camilla Parker-Bowles
Montei uma bicicleta
Passei a noite de Natal totalmente sozinha (e até que foi legal)
Vendi meu cabelo
E mais umas três ou quatro coisas que não quero escrever aqui.

-Monix-

Pra todos

Pra quem vai comer rabanada
Pra quem está diet
Pra quem assiste a missa do galo
Pra quem é agnóstico
Pros amigos de longa data
Pra quem chegou sem querer pelo Google
Pra quem vai passar com a família
Pra quem vai dormir cedo

Pra todos que etcetera e tal …
…as Duas Fridas desejam um feliz Natal!

Da série Favoritos das Fridas

Nossas cenas favoritas

Os Incríveis

Edna Moda esculhambando a Mulher Elástica, que chorava feito mulherzinha quando descobriu que o marido mentia pra ela. A frase é sensacional: “Se organiza, mulher!”

Helê

Questão de Honra

Outra esculhambação que entrou para a história do cinema: o duelo verbal entre o coronel interpretado por Jack Nicholson e o advogado interpretado por Tom Cruise. “Você quer a verdade? Você não agüentaria a verdade”, lança o coronel.

Monix

Metapost

No que se refere ao politicamente correto eu permaneço, mais uma vez librianamente, no caminho do meio de Buda. Considero-o risível e sacaneável quando imposto como padrão, servindo de instrumento de patrulha. Mas também cumpre um papel importantíssimo, porque imagens são as armas mais poderosas a minar a auto estima de qualquer grupo socialmente fragilizado – e imagens são construídas também com palavras.

Quando escrevi sobre os pioneiros a alcançar o pico do Everest, eu ia recorrer à formula pronta: ”Sir Edmund Hillary, que com o sherpa Tenzyng Norgay…” Em princípio, nada errado. Mas dei-me conta de que não havia nenhuma necessidade de dizer a etnia de Tenzyng. Raros são os textos que dizem ”o neo-zelandês Hillary”. Então – plim! – caiu uma ficha: dizer o sherpa fulano, neste contexto, é quase um aviso ou desculpa por alguém como ele ter realizado tamanha façanha (mais ou menos como dizer ‘aquele é um negro lindo’ – dependendo do contexto, mais uma vez e sempre).

Após excluir a palavra sherpa saltou aos olhos o título de ‘sir’. Condecoração deveras importante para o Reino Unido, mas totalmente inócua para o resto dos mortais, e sobretudo, dispensável no texto. Excluí o ‘sir’ também, mas Hillary continuava aparecendo antes de Tenzyng. Entretanto aqui o politicamente correto foi ignorado em prol da clareza do texto, que só funcionava bem com os nomes nessa ordem. Além disso, invertê-los não seria uma atitude política mais relevante que a mensagem que pretendia passar com o texto em questão.

De qualquer forma, fiquei pensando sobre o PC (politicamente correto) como um a ferramenta, um detector de armadilhas e escaramuças em que se escondem preconceitos e falsas verdades. Quanta coisa escondida atrás de uma frase feita, heim? Ou então me interna, vai.


Tenzing Norgay e Edmund Hillary
logo após a escalada ao Everest, em 1953

Helê

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