Algumas coisas que você não sabe sobre mim …

ou…
Frases de impacto para uma conversa morna
ou…
Vidas passadas
  • Já dormi no Copacabana Palace
  • Voltei de carona da Bahia para o Rio de Janeiro
  • Namorei um estrangeiro
  • Ouvi o Dalai Lama – ao vivo
  • Fiz um comercial de televisão

Pedidos de detalhes sórdidos devem ser encaminhados à gerência através dos comentários, para análise e avaliação da possibilidade de resposta ;-).

Helê

A origem do meu feminismo – concurso de blogueiras

A Lola está organizando o concurso, que está agora na sua quarta etapa. Em cada uma delas os (e)leitores devem votar no post de sua preferência; os três mais votados de cada fase vão para a finalíssima, na próxima semana.

Nós estamos participando – embora, vergonhosamente, só agora tenhamos feito um post divulgando o concurso (shame on us!). Mas, fiéis a um de nossos mais caros valores, o “antes tarde que mais tarde ainda”, fica aqui nosso registro e a recomendação de que vocês conheçam as participantes e seus textos. Sempre vale a pena bater perna por novos blogues e conhecer outras palavras.

Duas Fridas

Muito obrigada, pessoas!

Para quem ligou, tuitou, mandou sms, msn, email, publicou no mural, deixou pegadas aqui  – uêba, muuuuitos comentários! – muito obrigada, de coração.

A bebemoração fica pra próxima semana, a primeira do mê$ – aquela em que a a gente pensa que tem dinheiro (e por isso fica sem na última).

Besos y gracias,

Helê

Presente

Nesses seis anos de blogue, eu, você, nós duas… já temos um passado, meu amor…

Já são seis aniversários, tantas comemorações, tantos planos, tantas esperanças, tantos desejos e a certeza de que no final tudo tudo tudo vai dar pé.

Já te disse tantas coisas aqui, aqui, aqui, aqui, e aqui.

Hoje quero te dar de presente uma das coisas que você mais gosta: uma enxurrada de comentários.

Vamos lá, queridos leitores. Você que nos lê sempre e nunca comentou, aproveite o dia de hoje, que é dia de festa no Dufas, e dê os parabéns à Helê que está comemorando mais um aniversário. E também você que é nosso leitor fiel e irmão camarada, deixe suas pegadas. Afinal, ela merece ou não merece a nota máxima?

Um brinde à aniversariante!

-Monix-

Se acaso

Estava num samba com um grupo de amigos quando começou a tocar uma música que eu acho divertidíssima, “Se acaso você chegasse”, do Lupicínio Rodrigues (e Felisberto Marins). Acho graça da maneira nada sutil de sondar a reação do amigo cuja mulher agora está com ele. O que começa como um hipótese (se acaso você chegasse … e encontrasse …), rapidamente vira confissão (eu falo porque essa dona já mora no meu barraco). Há um machismo evidente na história: a mulher é “essa dona”, que de dia passa roupa e de noite beija boca – mais parece uma diarista com benefícios (pra ele, claro). E ela é a figura menos importante na história: trata-se de caso real ocorrido entre Lupicínio e o amigo Heitor de Barros, mas não me pergunte o nome da Dona –  perdeu-se no tempo.  A maladragem maior é que, de todos os envolvidos, só autor fica bem na foto: a mulher é “aquela que abandonou” e o amigo tem a lealdade questionada (“Será que tinha coragem de trocar nossa amizade?”). O danado do Lupicínio, que pegou primeiro e perguntou  depois, manteve a mulher e o amigo. E seguiu vivendo de amor.

Pideite: atendendo a pedidos (tá foi um só, mas é o suficiente), segue a letra completa:

Se Acaso Você Chegasse

Se acaso você chegasse
No meu chateau e encontrasse
Aquela mulher que você gostou
Será que tinha coragem
De trocar nossa amizade
Por ela que já lhe abandonou?

Eu falo porque essa dona
Já mora no meu barraco
À beira de um regato
E de um bosque em flor
De dia me lava a roupa
De noite me beija a boca
E assim nós vamos vivendo de amor

No YouTube tem uma boa gravação da Simone, entre outras.

Helê, servindo melhor para sempre servir ;-)


Voto proporcional ou Como Judas se dá bem

O chamado “voto proporcional” é uma das maiores aberrações do sistema eleitoral brasileiro. Diferentemente do voto majoritário, no qual o candidato que obtiver mais votos está eleito, o voto proporcional utiliza um malabarismo numérico – uma espécie de equação – para calcular “proporcionalmente” quem foi eleito, tomando como referência a quantidade de votos válidos e a quantidade de votos recebidos pelos partidos e pelas coligações partidárias, redistribuindo-os internamente. Em outras palavras, você vota em Jesus, mas, por tabela, também elege Judas, que faz parte da mesma coligação ou partido do Crucificado e se beneficia com a “sobra” de votos dele. E o pior: se Jesus estiver num partido pequeno, mesmo que receba milhares de votos a mais do que Judas, que está num partido grande, corre o risco de não se eleger, porque seu partido não teria obtido o tal coeficiente eleitoral. É totalmente absurdo.

O sistema proporcional é usado na eleição de deputados federais e estaduais e vereadores. É por isso que, com frequência, a população não se reconhece nos parlamentares eleitos. É porque, na verdade, não votou neles. Quase ninguém lembra disso na hora de votar. E adivinhe por que ninguém divulga esta questão (nem o TSE!) ou toma alguma iniciativa para acabar com isto…

O cientista Jairo Nicolau explica bem melhor neste texto: Como votar para deputado.

Do sempre perspicaz Christian Morais, um de nossos top leitores. Por essas e outras.

Atenção no voto, pípol.

Helê

É Primavera

primavera 2010 esse ano tem inicio durante o “equinócio” do dia 23 de setembro exatamente às 00:09hs e terá duração de 89,85 dias. A palavra equinócio vem do Latim e significa noites iguais, ocasiões em que o dia e a noite duram o mesmo tempo.

Depois das imagens do dia da árvore, e da que saudou Setembro, escolhi essas para receber a Primavera, na expectativa que as pessoas também possam florescer e desabrochar.

Via Deviantart

The Flower Girl Team, Cris Harrison

Helê

Dia da árvore

E a Primavera nos espreita… mal posso esperar!

Helê

A respeito de gatos e tartarugas

Hoje visitei Dona Doida – como eu chamo carinhosamente a velha que cuida da minha memória. Fiquei remexendo o conteúdo de caixas do meu sótão sentimental, sem um objetivo claro, e esbarrei no texto que transcrevo abaixo. O autor, Jacinto, foi meu colega de trabalho anos atrás – na Idade Média – e dele guardo a lembrança de alguém carinhoso, talentoso, tímido e bem humorado – além de um delicado poeta. Um dia, num papo casual, falei da minha admiração pelos gatos, e ele me respondeu alguns dias depois com esse belo texto. Jamais me esqueci dele, mas não lembrava que havia sido dedicado a mim – Dona Doida faz escolhas estranhas. Por isso é bom de vez em quando ir ao sótão e checar pessoalmente nossas relíquias – seja para se desfazer das que o tempo tornou inútil, seja para lustrar as que a ele resistem e se mantém valiosas.

A respeito de gatos e tartarugas*

(À Helena Costa)

Eu que deveria gostar dos gatos, animar-me com a real possibilidade de legitimar a solidão altiva e elegante, acabei por preferir as tartarugas — tão a longo e aprendizado prazo. Também elas são prazerosamente solitárias, eu sei, e é essa a realidade lenta do tempo que me conquista: os gatos são espertos e rápidos demais.

Logo eu, tão agoniado e pronto pra tudo, deveria ser apaixonado por eles: identificar-me. Mas não. Dei pra tentar entender o segredo contido nas tartarugas, e a passar tardes vigiado docemente pela lua, reparando-as e procurando conter-me, já no ventre do mundo, com certo alívio e tranquilidade. Os gatos me olham e me cobram o imediatismo que também eu me exijo, e por isso mesmo me atrapalham. Basta que eu crucifique minha própria ansiedade. Sete vidas e sete fôlegos e sete elegâncias me parece mágico, mas pouco sustentável em mim. Os gatos levam, ocultado, algum segredo-chave do Humano e vivem como se desejando serem admirados. E impune e sabiamente são.
Também deve ser levado em conta o temor de minha vaidade de não conseguir aparentar a dos gatos: há de se ser elegante de corpo e de espírito, como o equilibrista que se descobre altivo diante da platéia e espera o aplauso – ainda que apenas no camarim, a sós, saboreará o prazer solitário da descoberta de sua altivez.

Já as tartarugas são de um tipo de solidão mais caseira, mais solta e, me parece, mais feliz. Donas de uma elegância difícil de ser acompanhada por olhos, concordo, mas tão facilmente aceita por mãos. Sempre me enchem os olhos e as mãos de companhia – posso tocá-las sem medo ou suspeita de não estar com a postura correta. As tartarugas são feitas de passos, e o segredo de sua devoção para com o mundo é a lição da casa: moram em si mesmas; habitam-se entre paredes e mistérios. Reclusão voluntária ao casco: questão de necessidade. E se deixam. E se amam. E se renovam sem mudanças visíveis. E envelhecem renovadas. Têm o tempo como aliado e suas ausências, enterradas na terra, garantem seu enorme poder de refazer as horas, de reciclar os lerdos movimentos rumo à aurora, que vêem e esquecem, que vêem e adormecem. As tartarugas, já no nome, pedem cumplicidade e voz baixa. Há de se gritar para atingir Deus? Elas, por opção, sussurram voz e gesto.

Mais sobre os gatos, o que sei peco. Pouco entendo quando os vejo de pelos eriçados e bigodes esticados prontos a se defenderem. Quem sabe, também na defesa, eles não exijam a postura intacta e inatingível? Possivelmente. É um bicho nobre, o gato. Ainda que eu lhes cobre uma popularidade de movimento, tenho que admitir que diariamente são eles que reinam entre esquinas, telhados e almofadas. Silêncio e soberania. Não cedem carinhos: negociam — mesmo que o que desejem seja troca pura e simples de carinhos. É um bicho forte, o gato. Não se intimidam com cemitérios ou padarias pouco refinadas: garantem-se na própria elegância de olhar estrelas, com o corpo absolutamente ereto, e de encontrá-las. No fundo, a independência dos gatos me assusta. Possuem o meu respeito.

Mas existe o ponto em comum entre os gatos e as tartarugas: ambos administram a fragilidade Humana como ninguém, ao fingirem precisar do alimento do home, do carinho do homem, da proteção do homem, da ignorância do homem, da generosidade do homem, da carência do homem, do perdão do homem. Quando, na verdade, foram criados tão somente para explicar – cada um a seu estilo – a existência inexplicável do tempo.

*Jacinto Fabio Corrêa, 25 de junho de 1992

Da série “Carinho todo mundo quer”

Bom finde!

Helê

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