Morando sozinha – perrengues

Esse é o meu top 3 das situações difíceis para quem vive só:

Encontrar um bicho escroto

Achei a denominação titânica a mais adequada, porque varia muito de pessoa pra pessoa. Em geral enfrento e mato – que jeito?  – e me sinto uma das Superpoderosas depois. Mas já paguei  o mico de esperar passar alguém no corredor e pedir, com essa cara de pau preta que deus me deu: “Vizinho, faz favô de matar aquela casacuda ali pra mim?” Mas o maior susto quem me deu foi, veja você, um gato que entrou em casa de madrugada, revirando a caixa de sapatos. Um felino, evidentemente.

Ficar doente

Outra situação especialmente difícil em carreira solo. Você fica emocionalmente debilitado também, com peninha de si. Às vezes é só uma gripezinha, mas você se sente meio abandonado. Da última vez que tive um febrão de 39º fiquei pensando em todas as pessoas que eu poderia telefonar se piorasse, e isso já me deu conforto. Ou isso ou eu tava delirando e não reparei. Melhor convocar alguém ou pedir arrego à mãe mais próxima, a sua ou de outrem.

Achar um homem

…que fure a parede, troque a bica do tanque, instale o varal. Serviços gerais, moderadamente pesados. Nossa, que dificuldade um cabra que faça isso – e eu estou falando em serviço, não em favor. Você combina e o cidadão não vem, diz que vai ligar e some, mais ensaboado que centroavante ligeiro. Desculpaí se traio algum ideal do movimento, mas certas coisas eu não sei e não quero aprender – eu não quero saber furar parede, nem ter força suficiente pra apertar a carrapeta. Quero pagar alguém pra fazer isso pra mim, mas cadê?

E você, quais são os seus perrengues de solteirice? Para os homens, são os mesmos?

Helê

6 anos, 2 Fridas

As Fridas, por elas mesmas

Hoje é festa no Duas Fridas. Para comemorar nossos seis anos de bloguices, resolvemos aproveitar pela primeira vez o fato de que ambas somos jornalistas e nos entrevistamos mutuamente. O combinado foi que Una não poderia ver as respostas de La Otra antes, ou seja, o resultado é uma surpresa também para cada uma de nós.

Confira o resultado, mate sua curiosidade e, se possível, divirta-se!

6 perguntas para Helê

6 perguntas para Monix

Leia lá, comente aqui!

Bodas de açúcar e perfume

Amanhã é dia de aniversário, vocês não perdem por esperar!

Vai ter presentim procês e, sem falsa modéstia, esperamos os nossos: vossos comentários, as pegadas que guardamos como prendas.

A festa é na sexta, e você está convidada (o): querendo se achegar, é só mandar um email ou deixar comentário levantando os braços \o/ .

Helê

Da série ‘Carinho todo mundo quer’

Bom finde!

Helê

Au revoir, les enfants

“Em público não, mãe!”, disse o menino quando a mãe tentou se despedir com um beijo na porta da escola.

E assim, sem luto, disse adeus à parte mais gostosa da infância.

-Monix-

Desfalque

Primeira baixa seríssima na Copa, girls: Ballack fora.

Vai ou não vai fazer falta?

Ai ai. Vale um álbum e meio, né não?

PS: Espero em breve ser capaz de comentários futebolisticamente relevantes.

Se não, sorry, guys, vai ser papo mulherzinha mesmo. Ou melhor, mulheronas, que a gente aqui não é fraca não.

Helê

Favor

Ele é uma das pessoas mais educadas e gentis que conheço – e aí não exagero nem arredondo. Quem tem o privilégio de privar da companhia de Claudio Luiz o sabe. Fazendo uso dessas qualidades, o Príncipe pediu-me que separasse para ele umas músicas mineiras. Coisa pouca, ele disse, que não me desse trabalho, 3 ou 4 apenas, que servissem de fundo para determinada tarefa, envolvendo mineirices outras.

Pois ele foi tão cuidadoso, insistiu tanto para que eu não tivesse trabalho, que preciso contar aqui o tanto que me ocupou. Por causa desse singelo pedido eu passei boa parte do dia – que tinha tudo pra ser muito insosso, já que me recuperava de uma gripe muito forte – me divertindo: pesquisando, botando a mula pra trabalhar, ouvindo Toninho Horta, Skank, recuperando a única música do Pato Fu que eu gosto, fuçando tanto aqui e ali que cheguei até no Pena Branca e Xavantinho (soube que o primeiro era paulista, mas o segundo é de Uberlândia, uai). Conheci um pouco mais o Uakti (dica vinda de Paris!), reencontrei o povo todo do Clube da Esquina: Lô Borges, Beto Guedes, Milton – que em algum momento ficou meio datado, mas que tem muita coisa bela e atemporal. Nesse caminho, esbarrei numa moça chamada Luciana Souza, belíssima voz brasileira radicada nos EUA, e baixei umas coisas dela pra conhecer melhor depois.

E ainda teve mais. Já à noitinha resolvi colocar um cd do Milton, claro, pra manter o clima. E peguei “O planeta blue na estrada do sol”, que não ouvia há muuuuito tempo. Foi como reencontrar um amigo que não via há anos. Aos primeiros versos de “Veveco, panelas e canelas” eu me emocionei: “Eu não tenho compromisso/eu sou biscateiro/que leva a vida como um rio desce para o mar/fluindo naturalmente como deve ser/não tenho hora de partir nem hora de chegar”. Será que esses versos dataram mesmo ou expirou em mim esse frescor? Mais adiante, uma comovente leitura de “Luar do Sertão” – o sertão mineiro, o de Rosa, daquele céu inacreditável -, e então eu novamente me emocionei, quase às lágrimas, com a interpretação do Milton para Estrada do Sol: “É de manhã/vem o sol mais os pingos da chuva que ontem caiu/ainda estão a brilhar… me dê a mão/ vamos sair pra ver o sol”. Sei não, fosse mais cedo e eu era capaz de sair por aí, sem pensar no que foi que sonhei, que chorei, que sofri.

Por causa desse favor, Cláudio, tive o trabalho que mais me dá prazer, que é mexer com música. E de quebra passei um domingo agradável com a minerada toda aqui, enchendo minha casa de música e poesia – que mais que eu podia querer, sô? Eu é que te agradeço, Claudim, o prazer foi meu.

Helê

PS: De quebra ainda inspirou o post, que eu andava já preocupada com ele mesmo, Cláudio, que me puxa as orelhas quando abuso do copy&paste!

Espaçoso, eu?



Bom finde!

Helê

A literatura infantil vai ao cinema

Depois de ver a Alice do Tim Burton e os Monstros do Spike Jonze, a Cibele lançou uma provocação sobre que histórias infantis os diretores célebres deveriam filmar.  Achei a proposta genial, e já caraminholei aqui algumas ideias:

Peter Pan de Tarantino

Todas as crianças crescem, menos Peter Pan. Além de continuar criança para sempre, ele leva Wendy, John e Michael para a Terra do Nunca, onde encontram o sanguinário Peter Pan e os escrachados Meninos Perdidos. Muito sangue, cortes bruscos, diálogos cortantes e duelos altamente escatológicos garantiriam mais um sucesso ao diretor.

Pinóquio de Woody Allen

Um boneco de madeira em crise de identidade ganha o mundo com uma consciência em forma de Grilo Falante que tenta impedi-lo de se perder em seus próprios devaneios. A Fada Azul interpretada pela Scarlett Johansson daria o tom poeticamente cínico da obra.

Mogli de Lars Von Trier

O bebê abandonado na selva e criado por lobos cresce e se torna um adulto manipulador, que irá tentar se manter selvagem a despeito dos esforços de Bagheera para devolvê-lo à civilização.

Pollyanna de Almodóvar

Tia Polly seria uma solteirona caricata, Pollyana uma órfã meio destrambelhada e os pequenos dramas enfrentados por ambas seriam retratados em tons bem mais melodramáticos.

E vocês? Quais histórias infantis gostariam de ver retratadas por que diretores de cinema?

-Monix-

Um velho monge e um jovem monge estavam andando por uma estrada quando chegaram a um rio que corria veloz. O rio não era nem muito largo nem muito fundo, e os dois estavam prestes a atravessá-lo quando uma bela jovem, que esperava na margem, aproximou-se deles. A moça estava vestida com muita elegância, abanava o leque e piscava muito, sorrindo com olhos muito grandes.

– Oh – disse ela –, a correnteza é tão forte, a água é tão fria, e a seda do meu quimono vai se estragar se eu o molhar. Será que vocês poderiam me carregar até o outro lado do rio?

E ela se insinuou sedutora para o lado do monge mais jovem.

O jovem monge não gostou do comportamento daquela moça mimada e despudorada. Achou que ela merecia uma lição. Além do mais, monges não devem se envolver com mulheres. Então ele a ignorou e atravessou o rio. Mas o monge mais velho deu de ombros, ergueu a moça e a carregou nas costas até o outro lado do rio. Depois os dois monges continuaram pela estrada.

Embora andassem em silêncio, o monge mais novo estava furioso. Achava que o companheiro tinha cometido um erro ao ceder aos caprichos daquela moça mimada. E, pior ainda, ao tocá-la tinha desobedecido às regras dos monges. O jovem reclamava e vociferava mentalmente, enquanto eles caminhavam subindo montanhas e atravessando campos. Finalmente, ele não agüentou. Aos gritos, começou a repreender o companheiro por ter atravessado o rio carregando a moça. Estava fora de si, com o rosto vermelho de tanta raiva.

– Ora, ora –, disse o velho monge. – Você ainda está carregando aquela mulher? Eu já a pus no chão há uma hora.

E, dando de ombros, continuou a caminhar.

(via boing boing)

Helê

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