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(Tout  au bord de la Terre)

“É sem surpresa que eu lembro que estar só é irremediável e que a gente não se entende mesmo. É sem surpresa mas não sem tristeza.”

Luciana Nepomuceno, psicografando meus sentimentos.

Helê

Das entranhas do Brasil

Faz tempo que não falo de política por aqui (e tampouco ali e acolá, que o tema tem sido cercado das piores energias possíveis e eu quero é sossego).

Mas os últimos tempos têm sido de muitos embates entre um lado e outro – aliás, quem ainda acha que não existem mais direita e esquerda? – e esta semana, particularmente, vimos uma comédia de erros se desenrolar diante de nossos olhos dentro do Congresso Nacional e, obviamente, fora dele.

Em resumo, para quem estava em outro planeta desde o fim de semana, a emenda constitucional que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos foi posta em votação e não passou. Emendas à constituição federal precisam ser aprovadas por dois terços do Congresso ou algo assim. Aí a esquerda, especialmente a bancada progressista, especialmente os deputados que nós gostamos, tipo Jean Wyllis, Chico Alencar, Alessandro Molon, comemorou como se fosse o Brasil ganhando da Alemanha em vez de tomar de 7X1. Só que não tinha sido uma vitória, gente. Era apenas uma não-derrota. A emenda não passou por apenas quatro ou cinco votos, coisa pouca, pouquíssima. Mas os parlamentares e o povo da esquerda não estavam tão errados em comemorar: é que pela lei brasileira, se uma emenda constitucional não for aprovada em plenário, ela só pode ser submetida a votação novamente na próxima legislatura, ou seja, só depois das eleições de 2018 o assunto poderia voltar à pauta.

Daí o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, falou: “não contavam com a minha astúcia!” E arrumou um jeitinho, bem tipo Lei de Gerson, que como não sou jurista nem vou tentar explicar, mas o que precisamos saber é que chama-se emenda aglutinativa, e o assunto voltou a votação no dia seguinte, e aí a bancada conservadora já sabia exatamente quais os pontos que não passariam de jeito nenhum e tiraram tudo do texto, e sabiam também com certeza quantos votos faltavam, e aí foram lá e conseguiram esses votos e BANG! – a comemoração da goleada durou 24 horas e de repente o pesadelo do 7X1 virou realidade.

Hoje as torcidas mudaram de lugar, e quem comemorava agora esperneia, e quem bufava ontem hoje solta fogos de artifício. Mas não deveria, pois com todo respeito à vitória, o fato é que ela não seguiu o rito constitucional e por isso não pode ser considerada uma vitória democrática.

***

Porém, ah porém. E depois desse porém é que entra o que eu queria dizer hoje.

A esquerda brasileira – e me incluo nesse grupo até o pescoço – passou os últimos 10 anos acreditando que a mudança trazida pelos governos progressistas era, apesar de lenta, estrutural. Que a distribuição de renda, se não era tudo, era um grande primeiro passo para um país mais justo socialmente etecetera e tal. E olha, eu até continuo acreditando, porque sou dessas. Gosto de pensar utopicamente para direcionar minhas ações no mundo real. Só que isso não pode ser motivo para não enxergar o que acontece nesse tal mundo real.

E, gente, no mundo real o Congresso Nacional, com sua bancada da Bíblia, da bala e do boi, infelizmente é, sim, um reflexo da sociedade brasileira. Sim, o “povo brasileiro” (entidade abstrata que vou citar sem as aspas já avisando que se trata de uma generalização) ainda é em sua maioria moralista, machista, não gosta de gays que não sejam caricatos e acha que a obrigação de fazer o jantar e cuidar de filho doente é da mulher. A maior parte desse povo acorda cedo pra trabalhar, rala muito para conseguir muito pouco, e acha que bandido tem mais é que ser punido, de preferência da forma mais rigorosa possível. O Luiz Eduardo Soares já dizia que a polícia que temos é a polícia que a sociedade quer, sim, por mais que nos doa constatar isso. O Caetano Veloso, em um show pouco após a redemocratização, falou sobre a sensação que teve, no exílio, de que aquele período negro era resultado de algo que veio das entranhas mais profundas do ser do Brasil – em bom caetanês, cada povo tem o governo que merece. (Aliás, esta frase não é para ser dita em tom de malcriação, e sim como um constatação neutra e quase tautológica, uma simples definição do que é a democracia ocidental).

Acho triste que meus compatriotas acreditem que a solução para nossos graves problemas de segurança pública seja encarcerar mais gente, e mais cedo. Por outro lado, me dói ainda mais admitir que inclusão social é algo que demora muito para acontecer, e pessoas estão morrendo agora por causa da violência*. E isso precisa de uma resposta agora. Repito: não acho que encarcerar mais gente, e mais cedo vá resolver, mas a verdade é que até o momento nada está resolvendo.

Então, o que eu queria registrar aqui, como nota triste nesse inverno melancólico, é que mesmo anti-democrática, a decisão é representativa, infelizmente, desse ser profundo do Brasil que o Caetano identificou décadas atrás. Esse ser profundo ainda está vivo. O grande dilema da esquerda, que, como sempre, se nega a enxergá-lo, é decidir se quer representar esse povo ou se quer mostrar a esse povo o “caminho certo”, o “caminho da luz”. A segunda alternativa tem sido a opção desde os tempos de Lênin, e não é que eu não goste dela, mas precisamos ter a noção de que não temos o apoio do “povo”, seja lá o que isso signifique. E vamos em frente, que o jogo só acaba quando termina e ainda falta votar no Senado, voltar para a Câmara, enfim, muita água ainda há de rolar.

-Monix-

* Principalmente os mais pobres, os mais pretos, os meninos e homens. E esses vão continuar morrendo, porque quem os mata veste uniforme.

Pastilhas Garota*

 

hortelEu me sinto uma farsante chamando alguém de coroa, mas não é porque virei uma que eles deixaram de existir, correto? Qual é a convenção então, gente, qualquer humano com 15 anos a mais que nós merece o adjetivo? Ou, sendo uma – do ponto de vista de qualquer balzaquiano (a) – perco a licença para usar a palavra? #confusa

*
Não é que a gente,  carioca,  seja friorento. O que a gente tem é saudade das roupas. Entendam: o verão,  para nós, não é uma estação: está mais para um meliante à espreita na próxima esquina, pronto para atacar.  Então quando dizem que a temperatura vai cair é o bastante basta para catar gorros, resgatar cachecóis ou usar bota, mesmo diante da mais inútil garoa: nunca se sabe quando vamos usá-los de novo. A gente perde contato com o que seria nosso guarda roupa de inverno, que é uma espécie de parente distante.  Eu mesma tenho blusas com as quais não encontro há uns dois anos!
*

Nunca entendi a canção do Abba “The winner takes it all”. Numa separação,  quem vence? Quem pede a separação? Quem aceita? Eu acho que quem pede pra sair paga a conta – de muitas maneiras e em diversos níveis.  O que não configura uma derrota, nem tão pouco vitória.
*
DSC_1003Tem esse bar que fica num cantinho do Rio que eu tenho certeza que é um fenda no tempo e no espaço: você senta na varanda, pede uma cerveja e de repente pode ser 1980, você pode estar no subúrbio ou em Salvador,  ser 10 anos mais novo ou velho. O casario em volta transmite uma familiaridade indefinida e o presente ganha cotornos tão intensos que você se sente pleno apenas por estar ali, existindo, sem demandas intrusas e insistentes. Listei mentalmente alguns amigos com os quais gostaria de estar lá; só pra eles conto onde é.

*
Fui ao MAR ver o mar, não a exposição das mulheres, que já haviam me advertido que não justificava a visita. Mas, estando lá, fui conferir. De fato, curadoria e montagem confusas, sem maiores atrativos. E ainda tem o erro comum, mas não menos grave, que é o ponto de vista. Explico: um dos primeiros textos da exposição fala nos muxarabis, “treliças de madeira que ocultavam a figura feminina nos recônditos do lar” – exceto as mulheres negras, escravas ou ex-escravas, que tinham acesso à rua. Bacana, a tal “figura feminina” ganhou diversidade, cor e classe.  Mas na sequência, toda a narrativa se desenrola sobre como a mulher conquistou espaço na vida social, nas artes, na política, blablablá. Péra. As brancas, né, já que, como afirmaram no início, para as negras isso não se aplica ou não se deu da mesma forma. Ainda que elas sejam retratadas na exposição (maciçamente na área cultural), o ponto de vista a partir do qual a história é contada é o das mulheres brancas. De novo. Que saco.

*

Descobri que Denzel Washington além de ser o meu futuro marido (nesta encadernação ou na próxima), é meu confort man. Qualquer filme com ele, mesmo os ruins, ele sendo mocinho ou vilão ou whatever, deixam uma quentura no meu coração absolutamente inexplicável e um tanto ridícula, eu sei, mas acontece. Ele pode estar careca, gordo, cruel, de bigode, ser um gângster ou o Malcom, paralítico, debochado, com cavanhaque, depressivo,  não importa. Tenho a impressão de que reconheço aquele olhar, a voz, um jenesaisquoi que vai além da (evidente) beleza dele. Talvez eu tenha visto filmes dele demais. Ou vai ver ele já foi meu marido numa encadernação passada, vai saber?

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Helê

*Porque Drops, só da Fal.

 

Berry

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(Encontrado em besoscosmicos.tumblr.com)

Da série Corações

Helê

Pelo vidro

PUBLISHED by catsmob.com

(Do Petapeta)

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(Do Weheartit)

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(Encontrado em observando.net)

Continuação de Pelo vidro

Helê

Pequenino

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Da  série “Corações”

Helê

Legenda, por favor

Reeditando uma série antiga no blogue, no melhor estilo colaborativo: eu acho a imagem, vocês sugerem a legenda, ok?

jouet

(do CyBerGaTa)

Helê

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