Uma dúzia de anos

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Uma retrospectiva de tantos aniversários passados.

 

Lá nos primórdios do blogue, nos idos dos anos zero-zero, nosotras comemorávamos os aniversários do Dufas em mesões de bar, com cadeiras sendo espremidas ao redor da mesa a cada novo leitor ou leitora que chegava. Todos os anos conhecíamos pessoalmente gente que já era querida nos bits e bytes. Temos memórias incríveis dessas festas, como o bolo que chegou no meio da Choperia Brazooka, nas mãos de uma portadora que nem sabia direito o que estava fazendo ali.

Com o tempo, todo mundo foi migrando para as mídias sociais, a festa virtual acaba rolando por lá mesmo e ter blogue ficou sendo uma coisa meio teimosa, meio sem noção. Íamos nos tornar aquelas tias velhas que ficariam sentadas num canto, olhando a garotada fazer selfies e snaps e resmungando: no tempo dos blogues é que era bom, mimimi.

Mas pelo que nos contaram, está rolando um movimento de resistência, tias velhas unidas jamais serão vencidas etc e tal. Bem no mês em que comemoramos nosso 12º aniversário. Pensaram que íamos desistir? Jamais! No pasarán!

Nossa parceria já dura uma dúzia de anos. É mais que muitos casamentos por aí (inclusive os nossos). Brindemos a isso: tim-tim!

Las Dos Fridas

Minha Baía

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Atravesso a Baía de Guanabara quase todos os dias e eu não me acostumo. Nem com sua beleza, nem com sua luz, nem com seus azuis. Não me conformo com sua sujeira, nem com o descaso pela sua manutenção. Não me canso de observar seu entorno, me condeno pelo meu desconhecimento sobre suas ilhas; sonho com sua história. Eu me deixo seduzir pelo desenho lascivo da Ponte Rio-Niterói e ainda me encanto com a Ilha Fiscal e seu fascínio imperial. Admiro a discrição do Museu do Amanhã, que de longe não pode ser distinguido facilmente: ele rende graças à Baía, ao invés competir com seu brilho (como muitos tentam fazer com a natureza maravilhosa da cidade nem sempre). Eu ainda me assusto com o ronco dos aviões do aeroporto Santos Dumont, me assombro com o tamanho dos navios e me enterneço com o vai e vem de aeronaves, barcas, carros, saveiros e jatinhos nessa poliestação de encontros e despedidas. Eu não me habituo à majestade impassível do Redentor e nem com a imponente mistura de verde e rocha do Maçiço da Tijuca. Sempre me surpreendo com a infinita caixa de lápis de cor utilizada para os pôres do sol: varia diariamente texturas e matizes, que por sua vez mudam com o passar das estações – todo dia um efeito especial. Eu atravesso a Baía de Guanabara quase todos os dias e não me acostumo – espero nunca me acostumar.

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Helê

Corrrtem-lhe a cabeça!

Na animação Alice no País das Maravilhas, a Rainha de Copas é uma personagem desequilibrada (hoje diríamos que é “surtada”), que resolve as divergências de um modo simples e radical: “corrrtem-lhe a cabeça!” grita ela, eliminando o racional de qualquer oposição que se lhe faça.

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Aqui no Brasil está em andamento uma (oportuna, é bom que se diga) decapitação em massa, liderada pela Operação Lava Jato da Polícia Federal, que tem seu principal mérito no escancaramento de práticas escusas que envolvem políticos e suas campanhas, a gestão irresponsável de empresas estatais e um modo de fazer política que a sociedade brasileira tem expressado que não aceita mais. (Embora eu aplique à política o que Luiz Eduardo Soares dizia sobre as polícias brasileiras: aquilo que apontamos como desvio na verdade é exatamente o que atende aos anseios dos grupos dominantes. Mas isso é outra história.)

O problema é que não basta punir os indivíduos por causa de corrupção. Eu diria até que meio que não adianta nada punir os indivíduos.

A mim me parece que estamos perdendo o foco da discussão. O que temos que apreender dessas notícias escabrosas é que é assim que se faz política no Brasil desde 1500. Por isso não me agrada a indignação que põe a corrupção como o problema número 1 do país. O ponto do debate deveria ser outro. (Acho que a esquerda errou quando assumiu o papel de guardiã da ética, porque era insustentável; e errou de novo quando optou pelo tal “pragmatismo político” para justificar alianças que permitissem a governabilidade. É um beco sem saída essa dualidade ética X governabilidade.)

A discussão deveria ser outra, e deveria obrigatoriamente passar pelo campo da política partidária. Sim, os partidos que temos são uma vergonha. Mas ainda não descobriram nenhuma maneira alternativa de se estruturar uma democracia nos padrões modernos/contemporâneos. Na Itália, a Operação Mãos Limpas resultou numa figura como o Berlusconi. Aqui nos ronda o fantasma de Jair Bolsonaro, que por acaso está bem vivo. Esse tipo de “faxina ética” que atinge todos os partidos traz esse efeito colateral a reboque: um vácuo de poder.

Vejam que meu problema não é nem com os eventuais erros processuais da Lava Jato. É com suas repercussões políticas. Cria-se um cenário de descrença generalizada na classe política e abre-se espaço para a ascensão de pessoas sem nenhum vínculo com uma base de apoio. E já vimos que sem base de apoio não se governa o Brasil (oi Getúlio; oi Jango; oi Collor; oi Dilma).

O que defendo não é o fim da Operação Lava Jato. As investigações têm que continuar. Só quero colocar aqui um certo senso crítico – afinal, para apontar soluções temos os engenheiros e todo o pessoal das Ciências Exatas. Nós de Humanas fazemos miçangas e apontamos problemas.:)

Então, como diria o grande filósofo Abelardo Barbosa, eu vim para confundir.

Não acho que se tenha que suspender investigação nenhuma. Que tudo seja apurado e os culpados, punidos. Mas: 1) temos que prestar muita atenção aos métodos empregados, porque juízes tendem a achar que têm o rei na barriga e 2) sempre, sempre, relativizemos o que está sendo descoberto, à luz da realidade política brasileira. Há 500 anos funcionamos na base dos acordos. Não adianta agora fulanizar a questão.

Se fosse para sugerir soluções (mas veja bem que não sou dessas), diria que seria muito mais proveitoso para a sociedade brasileira discutir mudanças na estrutura que sustenta esse estado de coisas. Enquanto houver esse voto proporcional do jeito que está, por exemplo, o Congresso não mudará. A quantidade absurda de partidos inviabiliza qualquer maioria que não seja baseada em conchavos. A possibilidade de alianças em que o chefe do executivo é de um partido e seu vice pode ser de outro, ao contrário de favorecer as coalizões, já se provou que cria um ambiente propício a conspirações. E nem vamos falar sobre a vergonha que são os financiamentos de campanhas.

Enquanto esse esquema permanecer, a caça às bruxas não terminará. Vão prender todo mundo e não vai sobrar um para contar a história.

-Monix-

 

 

Eu e os livros

Aprendi a ler muito cedo, e meio que sozinha. Minha mãe contava que numa festa de família peguei o jornal e li a manchete, para espanto de todos. Acho que queria imitar os adultos; meus pais sempre tiveram biblioteca de tamanho respeitável, e meu avô, linguista e filólogo, nem se fala.

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Livros até tropeçar

Gosto de ter os livros por perto, mesmo que não necessariamente para ler o tempo todo. Curto passear em livrarias, mesmo que não compre nada. É bonito ver as capas, saber das novidades, sentir as texturas das páginas e o cheiro de papel novo. Meu namorado é um entusiasta dos sebos, e tantas vezes me perdi com ele em universos caóticos e empoeirados, deliciosos e misteriosos ao mesmo tempo.
Nesse século digital, fiz amigos por causa de livros. E  nem  sempre grandes obras do cânone erudito. A Fal, o Cláudio Luiz, a Petita e a Vera, por exemplo, entraram na minha vida por causa d’O Código Da Vinci. (Renata já era de casa.)
Empresto livros, pego emprestado. Quando são meus me faço de íntima, dobro, machuco as lombadas, marco de amarelo, sublinho. Quando são dos outros trato com a maior cerimônia, num esforço de devolvê-los em estado impecável. Já comprei livros para devolver intactos porque durante a leitura danifiquei de alguma forma o exemplar do amigo.
Apesar do amor profundo pelo livro físico, me adaptei muito bem ao formato digital. Leio no Kindle, no tablet e, sim, muito bem até, no celular. Leio em pé no metrô, no táxi, no avião, no ônibus. Se me mandarem pra Marte, lerei lá; e já sei até qual o livro.:)
Não leio tanto quanto gostaria. Hoje em dia dá preguiça, com tantas séries na Netflix e tantas tretas no Facebook. Mas não me angustio nem fico ansiosa – já sei que não lerei tudo, e também que os livros me esperarão pacientemente.
Há poucos dias um adolescente viu minha estante e perguntou: você já leu tudo isso? Respondi: na verdade, não: muitos desses livros estão aí justamente porque esperam ser lidos. Mas, sim, já li essa quantidade de livros  e muitos, muitos mais. O que está na estante representa um décimo – ou fração ainda menor – das leituras que acumulei na vida.
Ler faz parte de mim. Fico vendo as perguntas maravilhosas da Fal e da Andréa lá no Paraísos de Papel e embarco em viagens sem fim.
Se um dia eu desaparecer sem deixar rastros, perguntem às traças. Elas terão minha pista.

-Monix-

Moving

SaltoNo arco do movimento, atravesso um gerúndio. Já não moro e ainda não habito, estou no entre, na tensão da balança, oscilando entre alegria e expectativa, euforia e apreensão, medo e otimismo. Vou me mudar – e agora percebo quanto de sabedoria há nessa maneira popular e incorreta de falar sobre a troca de endereço, que quase sempre é bem mais que isso. Nesse maio, um mês de viagens, lembranças e queda, dou um salto sem saber exatamente como vou aterrissar e só me consola uma certeza: nunca sabemos, de fato. Inquieta, derrapo um pouco: sonho muito, perco treino, fico fraca pra bebida, escrevo ao escritor (que responde como amigo, ufa, me dando liberdades – que perigo). Mercúrio lá, paradão, retrógrado feito o vice, e eu tendo que seguir, apesar dos golpes, da noite que assusta (estamos marcados pra sobreviver). Mas recolho lindezas aqui e ali: M. chamou o momento atual de mar de desatinos, e a poesia da frase me encantou – embora navegar ainda esteja difícil. F. lembrou de uma “alegria generalizada” e eu imediatamente reconheci o sentimento; taí uma meta a perseguir com obstinação, viver outras dessa. Tem uma leva de gente de longe passando pra abraçar, e uma baciada de gente bacana se juntando pra resistir. Então há faróis e ilhas entre desatinos profundos; há de dar tudo certo, de um jeito ou de outro, fora o frio na barriga. A esperança de amar eu dobro todo dia mais um pouco, pra ficar bem miudinha e parar de prometer o que não pode cumprir. Mas de ser feliz não desisto, que eu acho que nasci pra isso (principalmente, entre muitas outras coisas).

Helê

C.T.

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Somos da época dos blogues de várzea, dos blogues de raiz, dos blogues que eram blogues antes de ser modinha. Do tempo que o wireless tinha fio.
Somos aquelas que para certas pessoas preferíamos não contar que éramos “blogueiras”, porque provavelmente seríamos consideradas diferentonas.
De repente ter blogue virou outra coisa, e as pessoas perguntavam “seu blogue é sobre o quê?”, e ficávamos meio sem resposta porque não sabíamos que blogue tinha que ter tema. Aí descobrimos que tínhamos um blogue Seinfeld, um blogue sobre nada.
Aí veio o Twitter com seus 140 caracteres, e veio o Facebook, com seus 900 amigos, e de repente ter blogue virou uma coisa meio renitente, meio teimosa, quase vintage.
Agora dizem que os blogues vão renascer. E uma galera bacana, a turma do fundão daquela época boa em que blogues eram coisa de gente diferentona que escrevia sobre nada, se reuniu pra assumir que a gente gosta mesmo é de textão. Call me old fashioned, I don’t care.
Hoje é o lançamento da Central do Textão, um lugar pra reunir esse povo de muitas palavras, do qual nós temos a honra de fazer parte, provavelmente por uma distração de alguém. Agora é tarde, vão ter que nos aturar, porque já puxamos nossas cadeiras, sentamos à mesa e pedimos a primeira rodada. Saúde e vida longa à Central do Textão! Hic!

Las Dos Fridas

Ternura

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(Repinado de Purpletugboat)

 

Eu simplesmente amo essa foto, muito. Olho para ela e sinto o conforto,  o carinho, a atenção do menino mais velho, alcanço o sorriso do mais novo, me transporto para essa rua e estendo o sorriso mais luminoso e grato. Postei ontem no facebook em caráter de urgência, porque havia muita tristeza por lá. E infelizmente mais deve vir por aí. Como no face a foto saiu pequena,  posto aqui hoje, porque eu a amo e porque precisaremos de toda ternura de que formos capazes.

Helê

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