Parabéns, Rio

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Sim, eu tinha que dar os parabéns ao Rio pelo aniversário e,  claro, e tinha que ser com uma imagem e uma canção. A foto mostra o Maracanã, a linha férrea e o subúrbio, esse Rio que me pariu e a quem eu devo o que sou. A música é de um baiano e foi magistralmente cantada por uma gaúcha, porque o Rio é tão deles quanto meu, é de quem ousa viver aqui sentindo a tensão e o tesão de ser carioca, esse estado de espírito em moda há 450 anos.

 

Onde será que isso começa
A correnteza sem paragem
O viajar de uma viagem
A outra viagem que não cessa

Cheguei ao nome da cidade
Não à cidade mesma, espessa
Rio que não é rio: imagens
Essa cidade me atravessa

Ôôôôôôô ê boi! ê bus!

Será que tudo me interessa?
Cada coisa é demais e tantas
Quais eram minhas esperanças?
O que é ameaça e o que é promessa?

Ruas voando sobre ruas
Letras demais, tudo mentindo
O Redentor, que horror! Que lindo!
Meninos maus, mulheres nuas

Ôôôôôôô ê boi! ê bus!

A gente chega sem chegar
Não há meada, é só o fio
Será que pra meu próprio rio
Este rio é mais mar que o mar?

Ôôôôôôô ê boi! ê bus!
Sertão, sertão! ê mar

O nome da cidade, Caetano Veloso

 

Helê

Oncotô, proncovô

Saber onde se está e para onde se vai – pode ser desde uma questão prosaica a uma dúvida metafísica.

Eu costumava achar que tinha um razoável senso de direção, mas ou ele se degradou com o tempo ou passei a conviver com pessoas mais orientadas que eu e descobri que era uma falácia. O fato é que me descobri viciada num aplicativo do demo, o tal do waze que mostra os caminhos, o trânsito, o tempo da jornada. Meu carro parece um táxi: dirijo com o celular preso num suporte colado ao vidro.

Big Brother is watching you

Big Brother is watching you

Mesmo consciente de estar voluntariamente abrindo mão da minha privacidade em troca do benefício de saber o melhor caminho, faço isso diariamente e feliz.

E já descobri o porquê. Dirigir é uma atividade que exige que o cérebro preste atenção em muitas coisas ao mesmo tempo, mesmo que de forma automática, ou inconsciente, sei lá. Usar o waze, mesmo que para fazer caminhos que já conheço, elimina uma delas: tomar micro-decisões, o tempo todo, sobre se é melhor ir pelo Rebouças ou pelo Aterro. Sendo que essas decisões não se baseiam em fatos conhecidos – não sei de antemão qual caminho tem trânsito, obras, acidente.

Mas o waze sabe. :)

-Monix-

Meus dois centavos – Oscar 2015

Se o senador McCarthy fosse vivo, sua lista negra teria aumentado ontem: entre feminismo, direitos dos negros, dos gays e dos imigrantes, foi um belo caldo cultural. Prato cheio.
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Pareço feminista mas adoro olhar as celebs no tapete vermelho. Só que, diferentemente de toda a internet, acho todas lindas – seja com vestido esquisito, cabelo solto, maquiagem assim ou sapatos assado.
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Muita gente vem desanimando com as indicações nos últimos anos. Como ser desprovido de memória que sou, confesso que não sei se concordo com a avaliação das outras premiações, mas este ano tivemos pelo menos quatro filmes muito bons indicados à categoria principal: Birdman, Boyhood, Grande Hotel Budapeste e Whiplash. Todos filmes autorais, com assinatura – gostando ou não do resultado, não se pode desmerecer o trabalho em si. O Jogo da Imitação e Foxcatcher também são obras bem feitas, mesmo que mais convencionais.
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Há muito tempo não me divertia tanto com o Oscar. Além de ter visto boa parte dos indicados nas principais categorias, consegui acompanhar a cerimônia toda, depois de um ano em que perdi a festa, e ainda por cima com a companhia da minha irmã, que durante muito tempo foi parceira inseparável para efeito de eventos televisionados.
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Como a Otra, acompanhei os babados pelo WhatsApp – muito divertido – e, diferente dela, pelo twitter e não facebook. A fofoca cibernética deixa a festa ainda mais animada.
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Por fim, uma nota de torcedora: apesar do resultado esperado, até o último momento imaginei que meu favorito pudesse levar o prêmio do ano. Não deu. #TeamBoyhood

-Monix-

Pastilhas Garota* – Oscar 2015

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Patrick me ganhou na primeira piada, sobre a noite dos mais brancos, digo, mais brilhantes. Tá, as piadas incômodas são praxe, mas para abrir a noite assim tem que ter…eu ia dizer balls mas não, tem que ter coragem nível Tina Fey e Amy Poehler. Não senti falta da Ellen.

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Aliás, é engraçado isso, como Oscar é tão careta e coreografado que tem espaço inclusive pra rebeldia. Que perde a força dentro dessa liberalidade consentida.

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Mas dane-se, a gente gosta assim mesmo. Eu pelo menos, me comovo e tudo. Patrícia Medium Arquette me rancou uma lágrima quando falou de “each women who had gave birth”. E que mãe memorável ela viveu em ”Boyhood”! (Pra mim, baideuei,  um grande injustiçado da noite).

Essa cena.

Essa cena.

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Birdman? Não vi, não verei. Iñárritu: sou contra.

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Depois da minorias políticas, étnicas e sociais, esse foi o ano das minorias médicas.

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E Lupita tra-ba-lha-da nas pérolas? Queria ser ela quando crescesse, mas como já cresci pode me chamar de Viola Davis.

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Uma noite de maridos devotados: J.K. Simons (BFF: Betty Faria Fácil, muito antes do Oscar), antes de dar sermão nos meninu dele e do mundo, fez uma declaração emocionada para a mulher. E o marido leeendo de Julianne Moore lacrou só com a cara de besta com a qual ele olhava pra ela, fora as gentilezas.

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Geral pagando pau pra Lady Gaga porque ela…canta bem. Ah, para.

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“Há mais homens negros sob o controle corretivo hoje do que sob a escravatura em 1850”. John Legend. A melhor frase numa noite de discursos inspiradíssimos.

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Surpreendentemente, o discurso de Legend foi mais contundente e melhor que o de Common. Aliás, um belo exemplo de diferentes (e igualmente importantes) falas sobe o racismo: uma mais conciliadora, unindo todas as minorias mais ou menos no mesmo saco;  outra desafiadora e franca, botando o dedo na ferida. Arrisco dizer que ontem Common foi Dr. King, Legend foi Malcom.

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Mas Juliane Redhead Moore agradecendo os 5 anos a mais para curtir o marido mais jovem também foi memorável.

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Seu Oscarchrispine é issoaê, essa (nem sempre) divertida mistura de politics and vanity. Às vezes até emoção. Tipo o Facebook.

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A propósito: Oscar no Face é hora do recreio, no What’s up é ficar com grupinho no fundão. Não perdi nenhum dos dois, mas advinha onde eu me diverti mais…

 

Helê

*Porque Drops, só a Fal.

O vencedor é

Eu gosto de assistir ao Oscar. Desde os tempos politicamente incorretos em que se anunciavam os vencedores de cada categoria, e não aqueles para quem o Oscar foi.

Gosto do tapete vermelho; de ver atores e atrizes da nova geração cujos nomes sou muito velha para aprender; da Meryl Streep concorrendo todo ano, e a gente sabendo que sempre é merecido; dos apresentadores tentando fazer piadinhas que o Rubens Ewald não consegue traduzir a tempo; das injustiças irreparáveis; dos lifetime achievements que tentam reparar injustiças irreparáveis; dos babados do ano; das homenagens aos mortos do ano, que passam tão rápido que nem dá pra ver; dos tropeções e micos em geral; e, claro, dos prêmios. Mesmo que os indicados deste ano sejam, sempre, piores que os do ano passado, e ainda piores que os de anos passados, eu gosto. É uma diversão que não perco por nada. (Perdi ano passado, marquei viagem pro mesmo dia e estava no avião durante toda a cerimônia, buá.)

Esse é o Oscar do Stanley Kubrick (por efeitos especiais - ele é um dos injustiçados). O único que já vi pessoalmente.

Esse é o Oscar do Stanley Kubrick (por efeitos especiais – ele é um dos injustiçados). O único que já vi pessoalmente.

Este ano, enquanto Helê se esbaldava com seu coração carnavalesco, aproveitei para assistir um monte de “filmes do Oscar”. Super entrei no clima. Pra ficar perfeito, só falta achar um bolão, que com aposta fica mais animado.

E aí, quais são seus palpites?

-Monix-

Carnavalesco

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(Do tumbrl Vida Baiana)

Da série “Corações”

Bom carnaval – divirtam-se!

Evoé Momo!

Helê

ABC

Esbarrei com esses  cards dia desses no Pinterest e achei o máximo. Não consegui descobrir muita coisa sobre, exceto que datam da década de 1970 e foram produzidos em Chicago. Uma educadora americana teve ideia semelhante no ano passado, mas eu curti mesmo esses vintage. E gostaria de ter tido acesso a algo parecido na minha infância.

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(Do The Black ABC’s)

Helê

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