Variações sobre um tema

 

 

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(Life magazine)

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Helê

 

 

Baseado em fatos reais

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(Encontrado em facebook.com via Pinterest)

Nasci no Rio de Janeiro num sábado –  o que, definitivamente, é um bom começo, mas não resolve tudo.

Sou solar e diurna, mas quando a lua me chama eu tenho que ir pra rua, como diz Lenine.

Rejeito protocolos e rapapés, mas aprecio regras de convivência e etiqueta.

Entre a ordem e o caos, entre o glamour e a revolução, entre os pesos e as medidas, librianamente entre, sempre. Ou quase.

Já fui: fumante, gostosa, sedentária.

Nunca fui: santa, magra, pedida em casamento

Já quis ser atriz (acho que poderia) e cantora (creio que não conseguirei).

Coleciono frases, títulos, imagens e postais trazidos em mãos.

Adoro presentes, boas surpresas, banheira, cafuné e manga.

Odeio sentir frio, gente que fala cutucando, sapato apertado.

Não pinto mas bordo; bebo com apetite, como com os olhos e pela companhia.

Inteligência me excita, fé me comove, gentileza me conquista.

Detesto quem não valoriza meu carinho e minha atenção.

Eu levo desaforo pra casa e guardo rancor – mas depois esqueço onde botei.

Sexo é ótimo, mas sempre pode melhorar.

Do amor eu ouço falar, assisto, mas não me cabe.

Corro para dançar, vivo cantando. Leio, inspiro; escrevo, expiro.

Choro e rio com facilidade e fartura.

Reverbero mesmo quando não quero, careço de moderação – entre outras tantas coisas.

Ainda não achei minha forma nem fórmula: até hoje não sei o que vou ser quando crescer.

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(Djibouti por anthonyasael em Flickr)

Helê

Diáfano

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(Encontrado em belaquadros.tumblr.com)

Da série “Corações”.

Helê

Eles são como nós

(Reeditando a série em que surpreendemos bichos em situações ou posturas muito familiares…)

Elegantes

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(William Wegman, Lolita, 1990 (+) via largerloves)

Displicentes

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(via howtogrowprimulas)

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(bulb3, via largerloves)

Vaidosos

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(blues-epoesias :)

Carentes 
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awwww-cute, via melzinha1234)

Helê

Sobre redes

Ontem reproduzi no meu perfil do Face uma brincadeira que vi na página de uma amiga:

A proposta é fazer um pequeno teste para ver quem lê as mensagens quando elas não possuem fotos. Portanto, se você está lendo esta mensagem, faça um comentário utilizando uma única palavra sobre como nos conhecemos. Uma única palavra… por favor. Em seguida, copie esta mensagem para o teu mural para que eu possa deixar uma palavra, ok?

Naturalmente, a maioria dos meus “amigos do Face” – essa categoria pra lá de permissiva e imprecisa – fez referência à internet como origem da relação, o que fez do ‘Mothern’ e do ‘Duas Fridas’ campeões de citações (e correlatos como ‘blog’ ou ‘Jabámail’, a newsletter do Dufas). Talvez em segundo lugar estejam os locais de trabalho ou estudo: UERJ, Koinonia, Pentágono (e digo talvez porque me recusei fazer uma tabulação séria, que aí perdia a graça). Quer dizer,  à pergunta “como?” grande parte das pessoas respondeu “onde”: em lugares físicos (teve até berço!), virtuais ou afetivos (família, bloco de carnaval). Houve os que responderam de maneira dinâmica, com uma ação: me conheceram correndo, lendo, rindo (que surpresa). Outros sintetizaram o encontro, pessoal ou digital, evocando outras pessoas – e me vêm à mente a idéia tanto da ciranda quanto de constelações.

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(Encontrado em blog.timesunion.com)

Não faltaram lembranças de manifestações culturais  – futebol, carnaval, samba (eu sou um clichê carioca, gente). Evidentemente não havia resposta melhor que outra; cada escolha é governada por forças diferentes, mais ou menos explícitas. Gostei de todas e também aproveitei para lembrar o momento em que conheci aquela pessoa, comparar a resposta dela com a minha, concordando ou me surpreendendo.

A princípio, a nano amostragem parece confirmar a premissa de que os textos simples têm apelo menor: obtive 69 respostas de um universo de 494 pessoas, pouco mais de 13%, se não me falha a matemática (a minha, ao contrário da fé, costuma faiá).  Embora poucos em relação ao total possível, os comentários superam em muito os likes, o que foge à regra.  Explica-se, em parte, porque o leitor atende a instruções claras e curtas como a que foi dada (apenas uma palavra). Notei ainda que responderam algumas pessoas que quase nunca comentam, no meu perfil ou no Facebook em geral. Talvez porque o pedido era para relembrar o início de uma amizade ou encontro, algo da ordem do afeto e a nostalgia, que têm apelo inconteste nas redes sociais.

Claro que não há precisão científica nesse teste, nem mesmo sei a origem e não planejei escrever sobre isso. Quis apenas, a partir de uma brincadeira, fazer outra, um exercício analítico sem compromisso para pensar sobre redes e seu funcionamento (penso melhor escrevendo. E falando).  Um campo da comunicação demasiadamente novo, fluido, difícil de auferir, isolar. Marcas e corporações buscam avidamente estabelecer parâmetros e regras para converter pessoas em fãs e fãs em consumidores, mas nada está firmado sobre bases suficientemente sólidas. Ainda é possível e preciso experimentar muito, ouvir bastante, correr riscos.

Helê

Sabores da Maçã

Visitei o Metropolitan Museum, em Nova York, naquele momento da viagem em que faltam dias e sobram coisas a fazer. Ainda havia na lista o Guggenheim e o Withney – pra ficar só com os museus; acho que nunca haverá dias suficientes para tudo o que se tem pode fazer em NY. Mas acabei concluindo que o Met era obrigatório, e ainda bem: se eu soubesse que veria tantos Van Goghs numa única sala, incluindo um autorretrato, eu não teria pestanejado. E jamais me perdoaria se tivesse perdido essa oportunidade. Esse moço me comove até a raiz dos cabelos, chorei instantaneamente diante de todos os quadros dele que tive a graça de ver de perto.


Met - fachada Vincent

Mas o Met, como dizem os novaiorquinos, tem outros atrativos. Fica em uma belíssima construção encravada no Central Park, é claro, amplo e muito bem sinalizado (ao contrário do Museu de História Natural, tremenda decepção). Mais ou menos como no Louvre, qualquer virada de pescoço é lucro, tudo é lindo (menos, claro; o Louvre é imbatível). Museus podem ser intimidadores (Versailles), instigantes (Brooklin Museum), eficientes (MoMA). O Met tem uma atmosfera acolhedora, friendly: você percebe logo que não vai dar conta, mas tá tudo bem. Como se ele dissesse: “Eu estarei aqui quando você voltar – porque você voltará”. Sendo assim, fiquei o quanto pude e os meus pés deixaram, relaxada, aproveitando. Lembro da impressionante Sala de Armas e Armaduras, dos burgueses do Rodin com quem havia topado em Paris; estátuas magníficas, vestidos deslumbrantes na área dedicada à moda, um portão incrível que até hoje me pergunto como foi parar lá; séculos de arte e engenho.

portão vestido

Saindo do Metropolitan precisei ir à loja da Apple para uma amiga; uma vez lá, aproveitei para tentar consertar o Ipad da minha filha e meu Ipod, ambos com problemas de carregamento. Depois de longa espera, ouvi da jovem atendente que o Ipad não tinha conserto porque era antigo, tinha mais de cinco anos – “obsolete“, disse ela. Imaginei então que ela classificaria o Ipod como paleolítico, e foi quase. No caso dele, o problema era outro mas tão pouco havia conserto: era um modelo “vintage”, ela disse.

Agradeci e vim embora pensando na ironia de ouvir esses diagnósticos depois de ter passado o dia vendo obras de arte de cinco mil anos, de muito antes dela, de mim e da Apple, e cujo interesse e deslumbre permanecem. É para ver em primeira mão essa tecnologia que caduca em cinco anos que as pessoas dormem na fila? Que estranho. Fiquei pensando, por outro lado, que viver essas duas experiências no mesmo dia tem a cara de Nova York, essa metrópole em que convivem em harmonia a arte mais perene e a mais passageira novidade. Então constatei que já havia sido seduzida pela cidade, a ponto de identificar algo tipicamente novaiorquino na obsolescência programada da Apple e na relevância do Met – e gostar desse paradoxo.

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Reservatório Jakie Onassis, norte do Central Park

Helê

À deriva




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(Emma Hanquist)

Da série Corações

Helê

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