Lutador

 

(Salvo de cardiac-art.tumblr.com)
 Da série Corações

Helê

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Broken

Da série Corações

Helê

SP

Voei para São Paulo com Caetano na cabeça, mais precisamente com “Baby” – vivemos na melhor cidade da América do Sul. Postei e os paulistanos, claro, adoraram. Era mais referência musical simples que uma rendição, mas sim, estou preparada para conceder esse título a Sampa. Eu me contentaria simplesmente em voltar a viver numa cidade viável – sem nem ligar pra ser maravilhosa.

Gostei de São Paulo desde a primeira vez que conheci: gosto dos cheiros da cidade, dos sotaques múltiplos, das novidades, do verde inesperado e, sobretudo, das pessoas. São Paulo para mim rescende a amizade, lá vivem algumas das pessoas da que eu mais gosto nessa vida, sejam elas nascidas, enamoradas ou apenas acolhidas pela Pauliceia. Então posso ir a um congresso da CUT, correr a São Silvestre, acompanhar a cirurgia cardíaca da minha mãe ou de férias, não importa: nas fotos guardadas na memória afetiva a cidade se funde com sorrisos e abraços e gargalhadas – como não amar SP?

Gente da minha mais alta estima (bota alta nisso): Fal & Maliu (no alto),  Zé Carlos (de óculos), Jô & Manu, e Vitor.

Depois de “Baby”, a Radio Cabeça passou a “Panis et Circense” e “Tropicália” e pensei que nada é mais paulistano que esse início de carreira do Caetano – no prédio em que fiquei, no pátio interno havia uma piscina com água azul de Amaralina, coqueiro, brisa e fala nordestina. O menino de Santo Amaro, ao chegar, sacou tudo, ou pelo menos, muito. Certamente ficou zonzo como eu com o ritmo veloz das pessoas e acontecimentos, com o tanto que você precisa saber (da piscina, da margarina, da gasolina, andar com a gente, viver de perto) A quantidade absurda de possibilidades desnorteia uma libriana como eu, quase na mesma proporção que me seduz.

Sampa descolada, cosmopolita, que eu entendi ainda melhor agora, depois de ter conhecido Nova Iorque – sim, há semelhanças e afinidades entre elas. São Paulo que se acha e onde a gente se perde fácil, para encontrar o mundo todo e nacos de Brasil na próxima esquina. Esse lugar onde o vendedor te chama de linda (e eu, besta, acredito). Onde tudo é muito, farto, veloz. São Paulo que sempre me surpreende: peguei um táxi no aeroporto preocupada, como de costume, em não ser enganada, mas o motorista deu voltas foi na conversa, até chegar ao problema com a namorada. Com ciúmes de uma passageira, a moça havia brigado com ele duas semanas antes; ensaiou uma volta, mas tá confusa e ainda quer um tempo. Ele – jovem, alto, forte, bonitão – desabafava comigo, incrédula: não consegue assistir as aulas na faculdade, tá com uma dor no ombro que tem certeza que é tensão e confessou sem rodeios: já chorou um monte. Eu só conseguia pensar no Criolo: alguém avisa a ele, por favor, que tem ainda existe amor em SP.

Helê

Tamo junta

Vocês têm ideia do que é ter uma amiga que passa a fazer parte da sua identidade? Quando estamos juntas nós não somos “Helê e Monix”.

Somos As Fridas.

E graças ao talento natural da minha sócia para as relações (eu ia dizer talento para Relações Públicas, mas a verdade é que podem ser particulares também, aliás, nisso ela é ainda melhor) – enfim, graças a esse talento incrível da Helena para agregar pessoas, onde quer que a gente vá todo mundo fica feliz. E digo isso sem medo da imodéstia, porque é tudo por causa dela. Eu sou lua, ela é sol.

Fridas

Almoçando no cinema – 2011

Tanto é assim que não é fácil achar fotos só de nosotras. No mínimo temos nossa fiel escudeira Dedeia do nosso lado – assim como na vida, sempre.

Então hoje é dia de sol, dia de sorriso aberto, dia de juntar as pessoas, dia de “quem gosta de mim vai”. E, incrivelmente, eu vou!

Hoje é dia de Helê. Feliz aniversário, mi sócia!

-Monix-

Espontâneo

Elliott Erwitt, Valencia, Spain, 1952.

Da série Casais

Helê

Trabalho pesado

 

Fui instantaneamente fisgada por essa imagem e fui atrás do autor. O pouco que conheci desse cartunista cubano me encantou muito. Tem uma crítica social que eu não via há tempos, pareceu até datada à primeira vista, mas que depois me fez pensar se não nos conformamos demais com tudo. E entre muita política e crítica aos costumes tem umas coisas emocionadas e emocionantes feito essa.  O site  é muito tosco – parece que foi feito nos nos 90 – mas dá pra acompanhar pelo twitter. Eu, pelo menos, não o perderei de vista.

Helê

Razão e fé

Andarei vestida com as roupas e as armas de Jorge. Adoro a imagem do Buda barrigudo sorridente. Rezei com fervor e emoção numa igreja batista do Harlem. Cosme e Damião me guiarão até o fim, ora iê iê minha mãe Oxum, namastê. O manto de retalhos multicoloridos da minha fé me envolve, protege, fortalece. Eu acredito – cada vez menos em religiões, e sem dúvida em deus, deusas, divindades, energias, orixás, santos, caboclos, vibrações.

Nessa religiosidade um tanto esculhambada há poucos rituais e nenhuma disciplina. Falo com deus em momentos inesperados e em lugares insólitos – muitas vezes na natureza, quando a presença de algo maior se impõe; noutras através da música, uma das linguagens divinas. Peço pouco e agradeço muito, sempre que lembro.

Mas de vez em quando peço. Na semana passada, pedi (num lugar insólito). E percebi minha enorme dificuldade em fazer isso, porque também  aí minha racionalidade impera e no momento mesmo da reza começo a analisar meu pedido. Acho que nunca consegui pedir sem, imediatamente, considerar a viabilidade de ser atendida, meu merecimento, as chances de conseguir. Não consigo rezar: “Faça com que eu ganhe na mega sena” sem pensar que talvez não seja necessário tanto, que há quem precise muito mais, que eu não cuido do meu dinheiro como deveria… Consigo imaginar o santo revirando os olhos, colocando a mão na cintura e falando “Sério, Helena?”

Então rezo pouco porque sou relapsa mas também porque tenho dificuldades em pedir. Acabo sendo pouco específica, peço bençãos de importância incontestável, como saúde e proteção para os meus. Até para pedir recuperação para os doentes eu preciso pedir e sair correndo, se não já começo com os detalhes – recupere se for o melhor, se não ficarem sequelas, se não houver mais sofrimento. Não há santo que aguente. (Com frequência recorro ao Pai Nosso, simples, forte e eficiente: com o  ‘seja feita a vossa vontade’ entrego a deus, literalmente, e lavo minhas mãos).

Por outro lado, esse excesso analítico, rezar pode ajudar exatamente por ser uma outra maneira de pensar sobre o assunto, analisar a situação, descobrir aspectos que antes não havia pensado e, no limite, encontrar respostas. Mais ou menos da mesma maneira que a gente acaba aprendendo a matéria quando prepara a cola. Tentando se safar por não saber,  a gente faz o que deveria ter sido feito, estudar. Ao rezar, penso mais profundamente no que estou pedindo, percebo o tamanho do meu desejo, o que posso fazer para conseguir, o que devo evitar, o que não quero e não vou tolerar.

No fim das contas, Deus realmente opera de muitas maneiras …

Helê

 

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