Calçada lisa, eu quero uma pra viver

Gente, na internet não há o que não haja. É muito legal achar nossa turma, seja ela qual for. Minha turma é a das pessoas que reclamam das calçadas péssimas do Rio de Janeiro. (Eu sou uma pessoa que cai.  Ou seja. Ando tensa pelas pedras portuguesas do Centro da cidade.)

Esta semana ouvi no rádio que foi feita uma pesquisa sobre a qualidade das calçadas brasileiras. E adivinhem? Nas 12 capitais pesquisadas, o Rio ficou em penúltimo lugar, perdendo apenas para Manaus. Para mim não foi surpresa nenhuma.

Enfim, cidades são feitas para pessoas, e estas primordialmente caminham.  A necessidade de calçadas de qualidade vale para todos:  jovens, adultos e também para crianças, idosos e pessoas com deficiência física, que demandam pavimentos bem nivelados, sem buracos, e dotados de rampas de acesso para cadeiras de rodas.
Portal Mobilize Brasil

O asfalto da cidade também é uma porcaria. E de forma coerente com a escala de valores que vigora por aqui, a operação “Asfalto Liso” começou antes da mobilização pelas calçadas lisas. Afinal carros geram o pagamento do IPVA. Já os pedestres, sabe-se lá o que pagam, se é que pagam.

O que esse povo esquece é que todo mundo anda.

-Monix-

 

Invasão francesa

Fazia um dia horroroso no sábado no Rio, cinza chumbo, sem chuva – pelo menos isso. Dias que em geral me seguram em casa, lamentando o sol e carpindo o verão, mas um compromisso pela manhã me empurrou para fora. Uma vez na rua, decidi dar uma olhada na exposição “A Terra Vista do Céu”, no Centro, que tem assessoria da empresa em que trabalho.

 Trabalhador descansando sobre o algodão colhido na Costa do Marfim

Que as fotos são excepcionais eu já sabia, mas confirmei o que havia deduzido: que a instalação ali na Cinelândia, bem no coração cultural e político do Rio, rende outras fotos fantásticas, pela diversidade de pessoas, reações e comentários que provoca. Sem falar do cenário: prédios antigos e majestosos como a Biblioteca Nacional, o Theatro Municipal, e outros. Tudo isso junto dá a impressão de que você também está dentro de uma foto que poderia se chamar “A Terra vista do Céu Vista da Cinelândia”.  E me fez lembrar das bolinhas da Praça Paris  e da nossa mal aproveitada vocação para eventos ao ar livre.

No caminho da exposição da Terra está o Centro Cultural da Justiça Federal, com a exposição “Simplesmente Doisneau”, também assessorada pela Belém Com, que eu queria ver já há tempos. Certamente eu voltarei à Cinelândia, possivelmente com filhote; então aproveitei a decantada liberalidade francesa e troquei Bertrand por Doisneau. Foi uma mudança interessantíssima, sair do mundo para Paris e Gentily, como quando a gente vai se aproximando do macro para o micro no Google Maps. Do calor cinzento da rua para o escurinho refrigerado; dos grandes painéis para fotos que precisam ser vistas de perto, envoltas em passe-partout; do alarido da calçada para a intimidade do edifício.

Algumas fotos a gente conhece, em outras tantas a gente se reconhece ou se projeta, não importa: o fotógrafo ilusionista consegue fazer com que você ali, no Rio de Janeiro em pleno século 21, se identifique com operários, crianças e namorados de arredores de Paris nos anos 1940 sem dificuldade alguma. São fotos belas, divertidas, comoventes, íntimas, provocantes. Um programa realmente imperdível: vá sem pressa e assista ao filme, que contextualiza alguns personagens e confirma um bom humor de Doisneau que antevemos em algumas imagens.

Meu beijo favorito, dos muitos que ele fotografou

Para quem vier à cidade, e sobretudo para nós moradores (cada vez mais apressados e menos cariocas), fica a dica dessas duas exposições, essas duas diferentes formas de olhar, mostrar e fruir, ambas enriquecedoras  e prazerosas.

Helê

A vida é uma festa

Apesar de ser uma auto-declarada antissocial, sempre fui festeira e para mim comemoração de aniversário tem que durar uma semana, senão não tem graça. Em geral é um lanchinho com a família, no próprio dia, um almoço com o pessoal do trabalho, um encontro com os amigos no fim de semana mais próximo. Tudo isso diluído ao longo de dias dá a sensação de prolongar o momento festivo.

Como a data do meu aniversário é espremida entre três feriados, sendo dois nacionais e um municipal (21 de abril – Tiradentes; 23 de abril – São Jorge; 1º de maio – Dia do Trabalho), costuma ser difícil achar uma data boa para comemorar, sempre tem gente viajando, mas mesmo assim todo ano a gente dá um jeito.

Só que nos últimos anos tem me dado uma certa preguiça de comemorar. Aquela ansiedade pré-aniversário, os preparativos com antecedência… não rolou. Depois eu acabava me empolgando e retomava o ritual de uma festa aqui, um almoço ali, e a semana de festejos estava garantida. Mas este ano não. O aniversário veio e se foi e eu continuo sem muita vontade de festa. Vai ver a crise dos 40 chegou meio atrasada. Não sei. Mas realmente não tenho mais idade para fazer o que não estou com vontade. E a não ser que mude alguma coisa nas próximas 24 horas, não pretendo mesmo marcar nada – ontem já vi meus pais, meus irmãos e sobrinhos, mais filho e namorado, e estou satisfeita.

O interessante é que mesmo com toda essa misantropia que me assola de repente, o mundo digital mantém nutrida a necessidade de receber afeto e homenagens que todo aniversário carrega consigo. O Facebook é uma festa que acontece com ou sem a presença do aniversariante, e isso é muito bom. Ao longo do dia e à noite, antes de dormir, vocês fizeram parte da minha comemoração.

-Monix-

Monix Day 2012

Eu confesso que fiquei na dúvida, porque essa moça é tão plural que pode gostar de um bolo elegante e chique assim:

ou de algo divertido e supreendente

 ou ainda um bolo simples mas nem por isso menos delicioso:

Na dúvida, convoquei nossa madrinha para desejar para mi sociamada um feliz cumple anõs

Feliz aniversário, Monix! Celebre!

Então tá valendo o meme:   fica,  que vai ter bolo! E deixe pra minha, pra sua, pra nossa Monix, os melhores votos na nossa caixinha de comentários, ok?

 Helê

Jorge!

(umbanda reblogged u-m-b-a-n-d-a)
Ogum, um guerreiro valente que cuida da gente que sofre demais.
Ogum, ele vem de aruanda, ele vence demanda de gente que faz.
Ogum, cavaleiro do céu, escudeiro fiel, mensageiro da paz.
Ogum, ele nunca balança, ele pega na lança, ele mata o dragão. 
Ogum, é quem da confiança pra uma criança virar um leão. 
Ogum, é um mar de esperança que traz a bonança pro meu coração.

(Ogum, Zeca Pagodinho)

Jorge sentou praça na Cavalaria e eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia. Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge

Salve São Jorge!  Viva! Salve Ogum!

Helê

Toca Raul

Não me considero uma grande fã de Raul Seixas, mas em sendo da geração dos “filhos da Revolução” cresci ouvindo suas músicas e assistindo a cada nova estreia de seus proto-videoclipes no Fantástico.

Talvez justamente por ter acompanhado cada lançamento ainda com pouca idade, só fui entendendo cada uma de suas músicas com o tempo. Então minha relação com a obra de Raul Seixas é bem interessante – porque o descubro aos poucos, e a cada nova face que se revela, gosto mais um pouquinho. Como Caetano Veloso, me deslumbro com a poesia de Ouro de Tolo. E também com a beleza de A Maçã, com o hermetismo de Gitã, com a graça de Mosca na Sopa.

Na minha opinião, ele tem pelo menos duas canções geniais, e ambas trazem verdades que “por terem sempre estado ocultas quando terão sido o óbvio” rapidamente se tornaram quase-bordões. Hoje não é mais preciso saber quem foi Raul Seixas para se dizer uma “metamorfose ambulante” ou um “maluco beleza”.

E vejam só, que em seu depoimento ao filme Raul – o Início, o Fim e Meio Paulo Coelho diz que gostaria de ter sido parceiro de Raul justamente nestas duas composições: Metamorfose Ambulante e Maluco Beleza. Aliás, a presença de Paulo Coelho é uma das âncoras do documentário. Carismático, generoso com o antigo parceiro, ele nos aproxima um pouco do que devem ter sido aqueles anos loucos. Em determinado momento, surge uma mosca, que ele carinhosamente espanta chamando-a de “Raul”. Mas depois não se contém, e o que acontece não conto pois vocês precisam ver.

-Monix-

Bom finde!

Os Beatles sabem tudo.

(Source: weheartit.com)

Helê

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