Pegadas digitais

Vocês me dão licença para um breve jabá?

Estou muito feliz e muito orgulhosa com um projeto novo de trabalho, que estou lançando (e ainda esperando render os primeiros frutos) junto com duas amigas, também jornalistas, uma delas também psicopedagoga. É um projeto que tem um nome sonoro: Ecoar Educação para Mídias. E esse nome tem um significado sonoro também, porque o que queremos é ressoar a informação de qualidade, nesse mundão da desinformação em que hoje precisamos aprender a navegar.

Convido vocês a seguirem nossa página no Medium; é lá que vamos postar nossas percepções sobre o que compõe esse chamado “ecossistema da desinformação”, e nossas ideias sobre o que cada um de nós pode fazer para, se não pudermos ajudar, pelo menos não atrapalhar.

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Tudo o que fazemos na internet deixa rastros…

Hoje postei um texto sobre uma palestra que assisti na PUC aqui do Rio sobre como as nossas pegadas digitais – e o uso que é feito delas – podem estar modificando a forma como entendemos a democracia. Dá uma olhada. Posso dizer sem medo da imodéstia que está valendo a pena, porque, afinal, quem disse essas coisas sabidas não fui eu – foi a professora Caitlin Mulholland, do Departamento de Direito, que deu a palestra.

Confere lá que tá bacana.

-Monix-

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Entendedores entenderão

– Duas Fridas –

Apenas parem

Gente, 2016 tem muitos motivos para ser considerado uma merda monumental mas, pô, pessoas morrem todos os anos, e aos 90 não chega a ser exatamente uma surpresa, né? Quem quiser pedir pra descer, pedir pro mundo acabar, chamar o meteoro, ok. Acho que a piada já deu mas quem sou eu? Sei que eu quero continuar; agora que eu tô aqui quero ver como termina essa p*rra. Como cantou o Chico, que sabe das coisas: “Façam muitas manhãs que se o mundo acabar eu ainda não fui feliz” – não o suficiente. 2016 teve uma larga cota de desastres e tragédias, queira deus que já tenha se esgotado (não olhe agora, mais ainda tem ano pela frente). Mas não coloquem a morte de Fidel nesta conta – ou a da maravilhosa Sharon Jones, que eu amava, ou a do Cohen, que eu mal conhecia. Morrer não é uma das misérias do ano, e sim da vida.
E ainda assim há controvérsias.
Apenas parem.
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Ao comandante, todo o meu respeito. Meu carinho e admiração para Sharon, que foi cedo demais, e sobre que nem consigo escrever, só ouvir e admirar.
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Helê

O presente e seus desafios

No celular tento digitar com os dedões porque a adolescente me explicou que de outro modo “é como faz o pessoal da sua idade”. Nenhum problema com esse pessoal, que é o meu, mas she’s gotta a point, faz mais sentido e é até mais confortável, tenta só pra ver. Provavelmente vai acarretar uma nova L.E.R.,  uma -ite digital,  mas vem no combo novas tecnologias /possibilidades/doenças também; paciência. Não é isso que me incomoda. Desagrada-me o fim da privacidade, ou por outra, a sua atual indefinição e fluidez. E não é só da minha que falo, é também a do outro.

Entrei num táxi uma vez onde o motorista participava de uma espécie de chat oral on line: rolava uma animada conversa com mais duas ou três pessoas pelo auto-falante do celular, nem sei que aplicativo eles usavam. Só sei que fui da Tijuca até a Gamboa ouvindo um papo animado sobre religião, mulheres em geral e mulheres da zona sul em particular (!) que me constrangeu bastante. Nem havia nada de picante ou impróprio, mas era uma conversa da qual eu não pedi para participar e fui incluída à revelia. Quase pedi pra descer me desculpando por incomodar. Na sala de espera de um consultório escutei o áudio em que a menina dizia ao rapaz: “Sinceramente, eu esperava mais de você”.  Tipo de coisa que desperta infinitas possibilidades de interpretação na minha mente zombeteira, e ainda me exige esforço e compenetração para não emitir uma opinião técnica, tipo, “Da próxima vez faz assim…”. E as pessoas que falam no celular no ônibus como se estivessem em casa, completamente à vontade? Eu morro de vergonha, seja qual for o teor da conversa; apenas porque eu não deveria e nem queria estar ouvindo aquilo.

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Em 1998 eu escrevi uma tese (não dorme, péra) com o título “Luis Fernando Veríssimo. O humor entre o público e o privado”. A única coisa que permanece com contornos definidos é o Veríssimo (Graças a deus!). Escrevi algo que em menos de 20 anos ficou obsoleto. Diz aí você, o que é uma coisa e outra, público e privado ? O Veríssimo, ok, é meu rei; meu pastor e nada me faltará.

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Um dos maiores desafios da atualidade: pegar o celular para fazer algo – uma das 73 coisas que você pode fazer com ele, além de telefonar –, e fazer. Porque esse potente microcomputador portátil também funciona como sumidouro, alçapão, armadilha: você vai, sei lá, procurar um número de telefone,  e de repente está curtindo uma foto do seu amigo no aniversário da mãe dele, no Instagram. Que merece, aquela fofa da D. Alzira –  mas como é mesmo que eu vim parar aqui? Culpa das notificações e avisos, sem os quais a gente não daria conta de saber o que se passa enquanto a gente não está olhando para a telinha. Mas que exigem determinação monástica, concentração zen-budista e força de vontade religiosa para que a gente apenas procure aquele número que buscava quando pegou o celular. Claro que o mesmo acontece no computador (eu vivo me perdendo entre abas e janelas), mas o <ler com sotaque português>telemóvel<fim do sotaque>, como dizem os primos, tornou tudo mais crítico,  colocando essas armas de distração em massa  no nosso bolso (ou bolsas). As definições de transtorno de atenção precisam ser atualizadas – assim como as de educação e etiqueta.

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Entre apocalíticos e integrados eu sempre pendi para os segundos, desde o tempo em que essa distinção fazia sentido e era ensinada nas faculdades de jornalismo, na Idade Média. Não acho que o problema seja o celular, a coisa em si, ou mesmo a tecnologia que a sustenta. Acho que o mal é o que sai da boca do homem, fecho com a bíblia nisso aí. Trata-se apenas de observações sobre um mundo que muda mais rápido que eu achava capaz. Não me entendam mal, nem me considerem uma velha rabugenta. Contra a rabugice lutarei sempre; da velhice finjo que não gosto, mas tô tentando fazer amizade.

Helê

Imagem daqui.

Eu ♥ leitoras

Talvez eu ainda tenha meus dois centavos sobre os jogos olímpicos, essa experiência intensa e surpreendente. Talvez tudo já tenha sido dito, ou tudo o que se queria ler e ouvir sobre o assunto. Na dúvida sobre escrever ou não sobre as Olimpíadas, não posso deixar passar a oportunidade de reeditar essa série que é uma das minhas favoritas, porque ela resume o objetivo-mor deste blogue, se não da minha vida, que é influenciar amigos e fazer pessoas – ou something like that. Para quem chegou há pouco: quando somos apresentados a um leitor, nossa felicidade é tamanha que nós pedimos para tirar uma foto com  a pessoa. Porque, né, temos uma audiência modesta em uma plataforma para muitos obsoleta. Em tempos de likes, coraçõeszinhos e conteúdo que  se autodestrói em 24 horas,  quando um post meu tem três comentários eu faço dancinha e tudo.

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Então eu me acostumei com a ideia de que conheço todos os nossos 23 leitores. Sempre me surpreendo e alegro quando alguém que não conheço diz: “Eu te leio” (na verdade, com os que eu conheço também #carente).  Fico toda prosa e imediatamente viro eu fã da pessoa – que criatura adorável deve ser!  E durante o movimento migratório temporário dos jogos  olímpicos, tive a chance de saborear essa sensação algumas vezes.

DSC_1830Começou no primeiro fim de semana, quando fui visitar a Cláudia Letti, pessoa saborosa que faz comidas ainda mais. Eu já a conhecia: estive em sua casa para buscar meu panetone salgado, tradição natalina na minha família (tradição de 2 anos e família de 2 pessoas, mas quem está contando?) Fui experimentar o tal do fudge que pra mim era igual caviar, eu só tinha ouvido falar. Meo deos. Fabulous fudge, indeed.  Se você não quer aumentar a lista de pecados gastrômicos, não prove, porque é divino, tem váááários sabores e eu gostei de todos que provei.

14063846_10208871943948583_2270500773360957198_nAlguns dias depois, no Gracioso, ali na Pedra do Sal, encontro com a Mary W., que veio ao Rio para uma curta temporada olímpica com a irmã, a Lídia – agora também W. Figura bacanérrima, bom papo, descontraída, em 5 minutos ficou à vontade na mesa como se conhecesse geral há tempos. Uma graça de pessoa que eu acho que a Mary tava miguelando por ciúme, coisa de irmã, sacomé. E a Mary revelou a condição dela de leitora com a frase mágica: “Ela te lê, Helê”. Pedi foto na hora; ainda bem que contava com  Cláudio Luiz,  que já está virando fotógrafo oficial desses momentos, desde o primeiro Grande Encontro.

IMG-20160823-WA0002Dias depois, outro rendezvous olímpico teve lugar na Casa da Alemanha, nas areias de Ipanema. Eu estava com aquela que inaugurou a série, a Geide – que, na definição da minha filha, “era fã e virou amiga”. Das mais especiais, acrescento eu. Também chegou Domingos Dodô, garantia de risada na minha TL,  e lord Claudio Luiz com Mariana, sua amiga e hóspede, com quem iria ao Maracanãzinho mais tarde. Sabendo que iria me agradar, Cláudio já foi logo dizendo que ela era minha leitora, e eu, claro, já fui logo gostando e pedindo foto. Isso foi antes de ela falar com carinho e orgulho do nosso Cláudio, e me ensinar que existe uma Teoria da Hospitalidade, detalhes que aumentaram minha admiração para além do fato dela passar aqui vez ou outra.

Portanto, pessoas, o saldo olímpico do Dufas é o melhor possível, agora que eu sei que temos 25 leitores, ao invés de 23 (se eu não fosse de Humanas ousaria dizer que é um aumento de quase 10%). E você já sabe: se encontrar comigo por aí, não seja tímido ou acanhada, faz a Geide e vem falar comigo. Você corre o risco de tirar uma foto e virar amigo – mas o que é a vida se a gente não corre riscos, não é mesmo? 😉

Helê

Uma dúzia de anos

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Uma retrospectiva de tantos aniversários passados.

 

Lá nos primórdios do blogue, nos idos dos anos zero-zero, nosotras comemorávamos os aniversários do Dufas em mesões de bar, com cadeiras sendo espremidas ao redor da mesa a cada novo leitor ou leitora que chegava. Todos os anos conhecíamos pessoalmente gente que já era querida nos bits e bytes. Temos memórias incríveis dessas festas, como o bolo que chegou no meio da Choperia Brazooka, nas mãos de uma portadora que nem sabia direito o que estava fazendo ali.

Com o tempo, todo mundo foi migrando para as mídias sociais, a festa virtual acaba rolando por lá mesmo e ter blogue ficou sendo uma coisa meio teimosa, meio sem noção. Íamos nos tornar aquelas tias velhas que ficariam sentadas num canto, olhando a garotada fazer selfies e snaps e resmungando: no tempo dos blogues é que era bom, mimimi.

Mas pelo que nos contaram, está rolando um movimento de resistência, tias velhas unidas jamais serão vencidas etc e tal. Bem no mês em que comemoramos nosso 12º aniversário. Pensaram que íamos desistir? Jamais! No pasarán!

Nossa parceria já dura uma dúzia de anos. É mais que muitos casamentos por aí (inclusive os nossos). Brindemos a isso: tim-tim!

Las Dos Fridas

C.T.

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Somos da época dos blogues de várzea, dos blogues de raiz, dos blogues que eram blogues antes de ser modinha. Do tempo que o wireless tinha fio.
Somos aquelas que para certas pessoas preferíamos não contar que éramos “blogueiras”, porque provavelmente seríamos consideradas diferentonas.
De repente ter blogue virou outra coisa, e as pessoas perguntavam “seu blogue é sobre o quê?”, e ficávamos meio sem resposta porque não sabíamos que blogue tinha que ter tema. Aí descobrimos que tínhamos um blogue Seinfeld, um blogue sobre nada.
Aí veio o Twitter com seus 140 caracteres, e veio o Facebook, com seus 900 amigos, e de repente ter blogue virou uma coisa meio renitente, meio teimosa, quase vintage.
Agora dizem que os blogues vão renascer. E uma galera bacana, a turma do fundão daquela época boa em que blogues eram coisa de gente diferentona que escrevia sobre nada, se reuniu pra assumir que a gente gosta mesmo é de textão. Call me old fashioned, I don’t care.
Hoje é o lançamento da Central do Textão, um lugar pra reunir esse povo de muitas palavras, do qual nós temos a honra de fazer parte, provavelmente por uma distração de alguém. Agora é tarde, vão ter que nos aturar, porque já puxamos nossas cadeiras, sentamos à mesa e pedimos a primeira rodada. Saúde e vida longa à Central do Textão! Hic!

Las Dos Fridas

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