África: coisas que aprendi

Numa vida recente, trabalhei em um projeto governamental que realizaria um grande encontro com artistas de diversos países africanos. Acabou não acontecendo, mas enquanto durou tive que escrever vários textos que me levaram a estudar um pouquinho da história de alguns desses países. Fiquei chocada com o quão pouco sabemos sobre qualquer país fora do noticiário rotineiro, e memorizei fatos interessantes que sempre quis compartilhar. Eis alguns:

  • a Etiópia tira onda de ser o único país africano não colonizado (fora uma breve invasão de Mussolini);
  • o território de Gâmbia acompanha a extensão do rio homônimo;
  • Quênia, Etiópia e África do Sul disputam o título de berço da humanidade;
  • O mapa do Mali lembra uma borboleta (meio torta, mas tá valendo) 
  • Estima-se que haja mais cabo-verdianos morando no exterior que em Cabo Verde;
  • entre 5 a 10% da população do Benin é composta por Agudás, ex-escravos libertos vindos do Brasil que se estabeleceram no país
  • A África do Sul tem 11 línguas oficiais – fora as outras;
  • Apesar de fazer parte da comunidade dos Países de Língua Portuguesa, e de nunca ter sido uma colônia britânica, Moçambique faz parte da Comunidade Britânica das Nações
  • O Senegal é dos poucos países da África ocidental que nunca sofreu um golpe de estado
  • Mesmo situada perto da costa, a Etiópia não tem litoral
  • a Libéria é um país fundado por ex-escravos americanos (eu nunca estudei isso em toda a minha vida!)

Helê

 

 

Na área

Dezesseis de janeiro, já estamos virando a esquina da segunda metade do mês e eu ainda não havia aparecido por aqui este ano. Tsc, tsc, tsc…shame on me. Resolvi dar as caras mesmo que seja pra um papo furado, dizer apenas ‘oi’ e fazer perguntas que não serão respondidas: tudo bem? Como passaram as festas? Grandes planos para 2020?

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Não serão respondidas porque os blogues não morreram (nem o Elvis), mas a caixa de comentários repousa esquecida ao fim de nossos posts… :-( (Helê: aquela que fica sem escrever um tempão e aparece fazendo chantagem)

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Em nossa defesa eu devo dizer que, na verdade, não ficamos tanto tempo sem escrever, já que toda semana produzimos um novo texto para a newsletter – que, aliás, você deveria assinar. Funciona como um lembrete (grátis) de posts novos e resgata antigos textos sob novas perspectivas (ou não). Também funciona como um canal de interação alternativo — quase um parablogue. Experimenta, vai.

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Também resolvi escrever, mesmo sem um tema específico, pensado anteriormente, para sair do lugar, colocar as ideias em movimento, fazer a escrita fluir, start the game. Nesse início de ano em que procuro novas oportunidades, chances, trabalhos e emprego, dois “conceitos” têm me inspirado: uma frase atribuída ao tenista Arthur Ashe

“Start Where You Are. Use What You Have. Do What You Can.” – Arthur Ashe #inspiration #quote

E uma máxima futebolística perfeitamente aplicável à vida real:

“Quem se desloca recebe; quem pede tem preferência.”

Cá estou, me apresentando pra jogo. Vem, 2020!

Helê

Thanks, Mr.Lee

E a gente perde você logo agora, com tanto vilão pra combater!…

Helê

Perder

Nunca assisti “Highlander” todo, só o início, mas não esqueci da angústia do guerreiro imortal, que era ver morrer quem ele amava, ao longo de séculos. (Acho que Dorian Gray tem sentimento semelhante.) Descubro, dolorosamente, que esta é a angústia de todos nós, e que tende a ser mais recorrente a partir de uma certa idade, sempre muito mais cedo do que a gente gostaria…

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A arte de perder, da qual fala tão lindamente a Bishop, eu não domino – embora não seja, como ela diz, um mistério.

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“Vocês eram próximos?” Sim; de certas pessoas você fica próximo, para sempre. Mesmo que não veja há meses ou anos. Basta um encontro e está tudo lá intacto, sem nem poeira: o carinho inteiro, a cumplicidade, o bom humor partilhado, um capítulo da sua vida reavivado, presente.

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Os ritos de passagem, o reencontro sofrido em circunstâncias idem, o luto. Aqueles momentos da vida que você precisa seguir o caminho mais difícil porque não há alternativa nem retorno: não há atalho na dor.

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Fui amparada por amigos atenciosos, delicados, disponíveis; por um punhado de canções do Lenine, um livro sobre o Chico Buarque e pelo Flamengo. Pedi ajuda e usei o que tinha à mão: dois dos ensinamentos básicos de qualquer manual de sobrevivência.
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“A vida é tão rara. A vida não pára.”

Helê

Escritórios abertos, pessoas fechadas

Tinha um post rascunhado há anos, uma ideia não desenvolvida, sobre trabalhar em salas coletivas, quando se pode ouvir o que os outros dizem. Esse esboço falava sobre o tom de voz que as pessoas usam para falar com os pais – impaciente, condescendente, apressado –; e a maneira de falar com os filhos – tatibitati, carinhoso, às vezes severo, também condescendente em alguns momentos. Trabalhei com equipes de idades diversas, gente jovem sem filhos e adultos que variavam entre um tom e outro. E, depois de um tempo, sempre podia dizer quando alguém falava com os filhos ou com os pais. Interessante que enquanto trabalhei em ONGs e centros de pesquisa, locais de natureza mais liberal, havia divisões tradicionais, por salas; só quando fui para uma agência de comunicação, em 2010, passei a trabalhar nesse esquema todomundojunto.

Acontece que nunca redigi o post e, mais rápido do que eu poderia pensar, ele envelheceu. Começou a onipresença do celular, e as pessoas simplesmente passaram a sair da sala para ligações particulares. Agora as pessoas trabalham de fones nos ouvidos e mandam mensagens por uatzapi. Frequentemente você precisa chamar a pessoa duas ou três vezes para que ela te dê atenção.

Não estou apontando o dedo sem me incluir, faço isso também quando preciso de maior concentração numa sala de 12 pessoas (fora os visitantes). Mas estranho que seja um padrão; também me incomoda a velocidade da mudança: estou falando de um comportamento que se alterou em menos de uma década.

Aí hoje li uma matéria do tipo “estudos indicam” sobre o que eles chamam em inglês de “open office”, escritório aberto, e tive o pretexto que precisava pra reanimar meu post rascunhado.

Por falar… A teoria de que um escritório aberto, sem baias ou repartições particulares, ajuda a estimular a colaboração entre os funcionários não funciona muito bem na prática. Um novo estudo mostrou que os escritórios abertos fazem os funcionários se fecharem ainda mais. O barulho faz com que as pessoas coloquem fones de ouvido e ‘desliguem’. A falta de privacidade as leva a preferir trabalhar em casa quando podem. E a sensação de estar em um aquário significa que muitos escolhem conversar por e-mail a iniciar um bate-papo. (Canal Meio)

Agora, discorram sobre o assunto :-D

Helê

Definição

mimimi

substantivo masculino

1. reclamação repetitiva sobre alguma coisa que não pode ser alterada – tipo: o calor.

2. em geral quem tem pouca paciência para reclamação, tem NENHUMA para mimimi.

Helê,

da série “Ih, soltei um post!” (transcrita pela Geide).

PS: Como se pode perceber, denúncias de racismo, machismo e discriminação de quaisquer tipo nunca são mimimi porque podem, devem e serão alteradas. #Fightthepower.

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(@Regrann from @refinery29 )

 

De amor e símbolos

Velório da mãe de um amigo. Estive com ela poucas vezes; tinha mais de 80 anos, estava doente. Nada que atenue a dor de um filho, mas eu estava firme, com aquela tristeza controlada dos que confortam. Mas quando chegou a bandeira oficial da Portela para cobrir o caixão, eu, mangueirense, chorei.

***

Porque somos feitos disso, amor e símbolos.

 

Helê

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