Declaração de voto

Outro dia alguém puxou o assunto eleições, e quando eu disse que pretendo votar na Dilma minha amiga me perguntou por quê. A pergunta foi movida por curiosidade legítima, e por isso tive vontade de responder; mas era um dia em que eu estava tão de mau humor que disse a ela que preferia não falar de política, assunto que requer uma certa leveza, caso contrário é grande o risco de o debate terminar em briga.

Para não deixar minha amiga sem resposta, aproveito para fazer uma declaração pública de voto. Não quero convencer ninguém (como já disse Rita Lee, “não quero fazer a cabeça de ninguém, quero mais é que façam a minha”), apenas expor meus motivos.

Voto porque concordo com as diretrizes do grupo que está no governo desde 2002. As políticas públicas desenvolvidas por este grupo são norteadas por conceitos como inclusão social e respeito à diversidade*. Mulheres e negros foram não somente respeitados como valorizados, pela primeira vez; e não apenas no discurso, mas sim formalmente, oficialmente, explicitadamente (esta palavra existe?). Riquezas culturais regionais foram trazidas para os polos de decisão e levadas em consideração, embora no centro de poder ainda prevaleça o eixo Rio-São Paulo-Minas (cada vez mais São Paulo e menos o “resto”).

Posso ter me desapontado com boa parte das alianças, com métodos usados para atingir a tal governabilidade, com concessões feitas em nome da estabilidade do sistema financeiro, mas os fatores que influenciam minha decisão de voto são aqueles ligados à linha de pensamento que há por trás das ações. Eu voto em políticos, e não em “bons administradores”. Não estou escolhendo o presidente de uma empresa, e sim o presidente do Brasil. Para governar um país, um estado, uma cidade ou uma associação de bairro, há que se ter uma característica fundamental: é preciso ser político, no sentido grego da palavra. Sem isso, não dá.

Afora estes critérios “macro”, pretendo votar na Dilma porque como feminista me agrada a ideia de ver uma mulher governando o País. Não votaria nela apenas por ser mulher (Margareth Tatcher também é, por exemplo), mas sem dúvida sentirei um prazer ainda maior no momento do voto.

Enfim, meu voto não é nem nunca foi um cheque em branco. Quando elejo meus representantes não o faço imaginando que concordarei com tudo o que eles farão, mas os escolho com a consciência de que trabalharão de acordo com os melhores critérios. Às vezes não dá certo, mas a gente tenta.

Vai ser estranho pela primeira vez numa eleição presidencial votar em outro candidato que não o Lula. Já sinto saudades.

-Monix-

* Na eleição de 2006, usei uma camisa que dizia, em síntese: “Lula sim – Porque não penso só em mim.”
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