Todo mundo falando bem do tal “Clube do Filme“. E eu, que nunca me conformei com a falta de adaptabilidade da instituição escola ao zeitgeist* do terceiro milênio, achei a ideia interessantíssima. Para quem não sabe, um pai que, ao ver seu filho completamente desestimulado pelos estudos, tirando notas baixas e incapaz sequer de trazer suas anotações para casa, propõe que ele pare de frequentar a escola. Em troca, o filho deve concordar em assistir a três filmes por semana, junto com o pai. A seleção não necessariamente passaria pela qualidade da obra, e acabou tendo mais a ver com a sensibilidade do pai que com qualquer critério objetivo.
Em princípio, uma bela fórmula, ainda que totalmente individual e obviamente não aplicável a outras estruturas familiares.
O livro recebeu vários elogios, especialmente pela coragem do pai ao optar por dar atenção ao filho “problemático”, ao invés de desistir, ou jogar a culpa para a escola, ou apelar para rigorosos castigos. E sob esse aspecto, de fato é uma história bonita. O tal clube do filme na verdade é um pretexto para que pai e filho convivam, conversem, troquem experiências passadas e presentes. O pai verdadeiramente guia seu filho através de um difícil fim de adolescência, até que ele encontre um caminho e consiga segui-lo com suas próprias pernas.
Mesmo com tudo isso, no fim das contas não tenho certeza se gostei tanto assim da experiência. Fiquei com a sensação de que o garoto na verdade estava meio deprimido, e não sei se teria sido o caso de fazer terapia. Sem dúvida o cinema – assim como a literatura, o teatro, a ficção de maneira geral – pode ter um efeito bastante terapêutico. Mas, sei lá, o livro me deixou um gosto amargo ao final. Uma comentarista do Blowg (da Marina W) definiu bem: o grau de melancolia de ambos é meio assustador, e me espanta que ninguém ainda tenha observado isso (pelo menos não nas resenhas e críticas que li).
-Monix-
* Ando encantada por essa palavra…
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Entretanto, com a sua morte, a comunidade negra de certa maneira reivindica o astro para si. Tanto porque a ela pertence, de fato e direito, quanto porque lá a origem conta mais que tudo, one drop rule: se o sangue é negro a cor realmente não importa. Achei essa foto do histórico teatro Apollo forte e significativa. Soou para mim como um statement, uma lembrança de que o Rei do Pop universal era um negro americano, parte de uma noblíssima linhagem que tem, entre muitos, Ray Charles, Marvin Gaye, Billy Hollyday, James Brown e outros tantos que passaram pelo Apollo, no início de carreira ou já aclamados. Mesmo branco ao morrer, foi sendo um fabuloso músico americano negro que ele consegiu ser um artista extraordinário, neither black nor white.
Quinze anos atrás, o noticiário econômico era inteiramente pautado pela cobertura da inflação. Decisões políticas eram tomadas em função da necessidade de controle (ou não) de preços. A estabilidade econômica trouxe, nesse sentido, uma tranquilidade institucional que, na minha opinião, beneficiou muito a consolidação da até então frágil democracia brasileira.
Semana 27. Lua crescente. 182-183. Meio da travessia. Al otro lado del río. Vou seguindo pela vida. Com a fé no que virá e a certeza de que serei feliz de novo. Every little thing is gonna be all right. Desesperar jamais. With a big help from my friends, me ensinando que a luta é mesmo comigo. Longe do familiar e do conhecido. Com força e com vontade, my tears dry on their own. 15 minutos de intervalo e depois vamos pro jogo pra decidir – quem se desloca recebe, quem pede tem a preferência. Não tenha pressa mas não perca tempo. Tudo vai mudar – depende um pouco do meu próprio esforço e eu vou ser feliz.

Sei não, vai ver tô ficando velha (alta probabilidade). Mas tenho a impressão que faz tempo que talento, qualidade e vendagem não se encontram na cena musical. E a última vez aconteceu há exatos 26 anos. A encruzilhada desses três fatores gerou o disco mais vendido da história da indústria fonográfica mundial, produzindo algo que consegue atrair atenção até mesmo dessa geração digital. Refiro-me, claro, ao Thriller de Michael Jackson. Quando chegou lé em casa uma edição especial comemorativa, com o cd e um dvd dos clipes, a casa parou. Eu, a empregada e minha filha ficamos curtindo as canções, as danças, rindo do que hoje soa tosco, admirando o que ainda brilha e encanta. Mesmo tampando os olhos quando Michael vira lobisomem a pequena sempre pede pra rever os clipes, e acho que entendeu a minha primeira explicação, quando o vídeo estava sendo exibido numa loja e eu parei pra ver: “Era o meu High School, filha”.
