Dândis

Fui ver o filme O Retrato de Dorian Gray, recém-estreado nos cinemas e forte candidato à lista dos piores filmes de 2011.

O filme é pretensiosíssimo desde o primeiro quadro, abusa de clichês tipo trilha de violinos, câmera trêmula, fusões, etc. Só gostei de duas coisas: Dorian Gray e o retrato. Nem Colin Firth (o maravilhoso) se salva.

Como costuma acontecer, é um filme que não faz justiça ao livro em que se inspirou.

O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, é um de meus livros favoritos. Wilde, na minha opinião, era, antes de tudo, um teórico da arte. Escreveu romances, foi teatrólogo, é um grande frasista, mas em tudo o que escreveu estava, na verdade, discutindo o papel da arte, da estética, do belo. E o Retrato é uma alegoria perfeita sobre o quanto somos escravos da beleza e da juventude. É uma história que está mais atual do que nunca.

O embate filosófico entre o hedonista Lord Wotton e o artista Basil Hallward tem como vítima Dorian Gray, que se deixa corromper pela ideia de ser eternamente jovem e belo. É nesta obra que Wilde eleva o espírito dândi a sua forma mais concreta e, ao mesmo tempo, o critica com mais acidez. O que, convenhamos, é uma atitude dândi até o último fio de cabelo. Ser cínico, saber que se é cínico e lamentar que o mundo seja tão povoado por cínicos – eis o “pulo do gato” de Wilde, o que o torna maior que os homens de seu tempo.

O que nossa época precisava era de alguém que fosse, ao mesmo tempo, um símbolo do espírito do tempo e de sua decadência. Toda cultura fin-de-siècle deveria ter seu Oscar Wilde para deixar para a posteridade.

-Monix-

Para ler ouvindo A Revolta dos Dândis
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